SOUR SOUL

“I wish I could drink like a lady
I can take one or two at the most
Three and I’m under the table
Four and I’m under the host.”

Dorothy Parker. Norte-americana, poetisa, contista, roteirista de cinema e cronista. Uma alma sarcástica, libertária e cosmopolita. Ria e caçoava de tudo e
de todos, inclusive dela mesma, como se a vida não passasse de uma trágica piada, como se o ser humano se resumisse a contradições, futilidades e solidão.

Judia de formação católica, começou sua vida profissional aos 18 anos e reinou no cenário cultural dos anos 1920 e 1930, ao redor do Upper West Side, entre a ascendente classe média alta. Foi integrante assídua do grupo intelectual autodenominado “Vicious Circle”, que se reunia diariamente no Hotel Algonguin, da Rua 44 Oeste, para tomar uísque em xícaras de chá.

Em festas, Dorothy bebia martinis. Antes de dormir, café. Boa de copo por causa das desilusões amorosas, da herança alcoólica transmitida pelo ex-marido Edwin Parker ou da proliferação dos bares durante a Lei Seca? Tudo isso ou nada disso. Fato é que a “baixinha abusada” não abria mão de seus cachorros, de seus amigos de bebedeira e de um potente uísque sour – bebida relativamente simples, o oposto da complexidade satírica de Parker.

O coquetel contém uísque (bourbon), suco de limão, açúcar e clara de ovo (opcional para dar textura). Leva como enfeite uma rodela de laranja e uma cereja
marrasquino. O método “sour” (azedo) pode ser usado com qualquer destilado, basta trocar o ingrediente alcoólico.

O primeiro sour foi inventado pelo marinheiro inglês Elliot Stubb em 1872, quando fazia uma rota que geralmente aportava no Peru. Foi ali que ele experimentou
misturar uísque com o ingrediente-mãe do país, o limão, acrescentando um toque de açúcar para dar equilíbrio. Criou assim uma espécie de caipirinha inglesa, possivelmente motivado pelos efeitos antiescorbúticos da vitamina C presente no limão.

Por tabela, Stubb acabou dando origem ao drink mais famoso do Peru, o pisco sour, cuja base é limão e pisco – uma aguardente de uva com graduação alcoólica
entre 35% e 45%.

Com o tempo, o drink foi se sofisticando (ou complicando) e ganhou versões com cereja em calda e água com gás para fugir do comum e agregar personalidade.
Personalidade que não faltava a Dorothy Parker, frasista de mão cheia. “Mulheres e elefantes nunca esquecem” é criação sua. Ácida que só ela.

WHISKEY SOUR
I N G R E D I E N T E S
• 2 doses de bourbon whiskey
• 1 dose de sumo de limão siciliano
• 3/4 doses de calda de açúcar (1:1)
• 1 colher de sobremesa de clara de ovo
• Gelo
• Copo baixo
• Coqueteleira

MODO DE PREPARO:
Coloque o bourbon, o sumo de limão, a calda de açúcar e a clara de ovo em uma coqueteleira. Chacoalhe bem forte (dry shake). A ideia é formar a espuma característica da clara.
Abra a coqueteleira com cuidado e adicione gelo. Bata vigorosamente.
Desça o conteúdo em um copo baixo com algumas pedras de gelo ou, preferencialmente, uma pedra grande. Beba e brinde à simplicidade.

Texto: Fabio Angelini

Faça parte do nosso clube: vinhos selecionados por uma rede mundial de especialistas, entregues na porta

Deixe uma resposta