Foods e mais foods

A palavra tem origem no proto-germânico, provável língua ancestral comum a todas as outras de raiz germânica, tais como o inglês, holandês, alemão, norueguês e islandês. “Foode” significava “comida, alimento, nutrição”, no inglês arcaico. E como rendeu, cresceu e inspirou esse termo – desde a designação da pirâmide alimentar até os canais pagos de TV.

Dos mais populares e recorrentes, o “fast food” debutou nos dicionários em 1951, quando a moda de transportar a comida feita a toque de caixa se espalhou pelos EUA. Porém, a origem de “fast” vem do antigo “faest”, “firme, seguro”; outro significado de “fast” é “jejuar”. O sentido de rapidez evoluiu mais tarde e se nutriu das redes
fornecedoras de alimentos – grande parte delas, mais enquadrada como “junk food”. Essa expressão de “porcaria, besteira” foi possivelmente cunhada por um defensor científico dos interesses públicos, Michael Jacobson, em 1972.

Bem antes, imagine, o conceito de velocidade já galopava no Velho Oeste. Ali nasceu o “food truck” (“fast-truck”), inventado pelo fazendeiro texano Charles Goodnight em 1866. Esqueça o trailer transado: era uma carroça adaptada para transportar utensílios, alimentos e servir refeições aos vaqueiros. Depois que os veículos modernos
passaram a servir comida gourmet, é que o food truck tomou de assalto beiras de estrada e praças urbanas. Nossas carroças do futuro são movidas a sorvete, taco, cerveja artesanal, hambúrguer, suco, kebab, pizza, poke e outros combustíveis humanos.

Tudo para satisfazer o cara na outra ponta da linha, o “foodie”, aquele viciado em comida e bebida. A palavra apareceu em 1981, no livro “The Official Foodie Handbook”. Tanto os foodies quanto os consumidores comedidos da atualidade têm à disposição food delivery, food taxi, food garage e food bike.

Barriga cheia e ronronando, é comum a gente entrar em estado de “food coma”: em português, a famosa sonolência pós-prandial, reação do organismo ao trato intestinal empanturrado e à redução de energia do sistema nervoso parassimpático.

Para evitar sustos, é bom não exagerar, nem mesmo nos “finger foods” (petiscos), como disseram os pesquisadores suecos em 1974, aqueles que desenharam a “food pyramid”, pirâmide alimentar, o guia geral da dieta saudável. A dica é estar atento e bem informado, saber diferenciar o que não passa de “food design” de um verdadeiro prato de “comfort food”.

Texto: Fábio Angelini

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