Que mistura é essa?

Em diversos artigos, e muitas vezes na coluna Na Ponta da Língua, abordamos a riqueza do peculiar vocabulário do mundo do vinho. A ideia é sempre trazer às claras significados de uma linguagem fria que muitos consideram até prolixa, tornando-a inteligível a todos. Até porque o “dicionário” enológico foi se enriquecendo ao longo da história com uma infinidade de termos de origens diversas.

Desta vez, vamos tratar de expressões que são utilizadas como sinônimos, embora tenham nascido de utilizações diferentes. Por essas e outras, é muito importante – e interessante – entendermos a etimologia da palavra. Principalmente porque há casos em que tais termos são utilizados para definir uma mesma ação, mas não são necessariamente equivalentes.

Vamos falar de um desses exemplos que você já deve ter visto ou ouvido em muitas situações. Trata-se dos termos “assemblage” (montar), “coupage” (misturar) e “blend” (misturar). A primeira impressão é que as três podem ser embrulhadas no mesmo pacote, com o significado de “misturar”. Mas como o mundo particular do vinho tem muitas
nuances, as três palavras também apresentam diferentes matizes em função da origem. É aí que muita gente acaba se atrapalhando.

Assemblage, coupage e blend são termos próximos, mas nem tanto assim. O mais técnico e preciso entre eles provavelmente é assemblage, que define mistura de vinhos. Porém, o mais frequente é coupage, utilizado arbitrariamente pra definir a mistura de uvas e também a de vinhos. Verdade seja dita, muitos autores, a título de refinar seus textos, aplicam os dois termos de forma imprecisa, o que pode fomentar a confusão até na cabeça de experimentados bebedores. Assim, vale a pena, mais uma vez, separar o vinho do vinagre etimológico.

Assemblage
No dicionário, a palavra traz o significado como união de duas ou mais peças que formam parte de uma única estrutura, com encaixe perfeito. Quando o assunto é vinho, o sentido não é diferente: o termo francês define a arte de misturar os vinhos, não as uvas que compõem o caldo. Estes são elaborados separadamente, segundo variedades, parcelas, métodos ou safras diferentes. A mistura tem a finalidade de unificar suas qualidades ou, ainda, compensar defeitos de um vinho com a qualidade de outro.

Coupage
Também de origem francesa, essa palavra é ligada ao conceito de misturar. Mas – e esse é um “mas” muito importante – coupage não defi ne a mistura com o encaixe dos vinhos. Mesmo que a ideia seja a mesma (misturar), o termo refere-se à mistura das próprias uvas na bodega até a finalização dos vinhos, antes do engarrafamento. O sentido é literalmente “misturar” e não “encaixar”.

Blend
Ao pé da letra, blend também significa “mistura”, e sua utilização está mais próxima do coupage que do assemblage. É um termo que se estende a outras bebidas como o uísque, mas também é usual nos países anglo-saxões para definir misturas de uvas ou vinhos em geral.

Por fim, seja com assemblage, coupage ou blend, simplifi cando as coisas, o que importa mesmo é que você goste do que está levando à mesa ou servindo aos amigos. Um brinde à vida. Com os nossos vinhos, é claro.

Texto: Paulo Samá

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