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Em meados do século XVI, apareceram as primeiras referências de vinhedos no continente americano. Várias são as teorias que falam sobre a chegada dos vinhedos. Marinheiros, soldados… Mas talvez a mais consolidada seja a que algum missionário espanhol plantouos para poder obter vinho. E assim poder consagrar a missa, devido à escassez do vinho procedente da Europa.

Aproximadamente 200 anos depois, em 1769. As primeiras vinhas europeias chegaram à Califórnia, a partir das mãos dos missionários franciscanos.
Quase 250 anos depois, este estado converteu-se na mais importante região vinícola da América do Norte, com 90% da produção dos Estados Unidos e das regiões mais importantes do mundo, atrás da França, Itália e Espanha, como quarto maior produtor mundial de vinho.

Mas o que faz com que o vinho da Califórnia seja tão singular? O vinhedo nesta região desenvolveu-se em um infinito mapa de territórios bem diferentes, onde prevalece um clima mediterrâneo, muito condicionado pelas diferenças originadas na proximidade do Oceano Pacífico e das montanhas. Isso proporciona ventos frescos e nevoeiros que equilibram o calor do sol nos vales do interior, o que favorece verões e invernos suaves, mas não isentos de períodos de longas secas, que podem complicar as condições de  amadurecimento do vinhedo ou das perigosas geadas de primavera.

Essa interação entre terra, clima e orografia fornece um incrível mosaico de “terroirs”, prazer dos amantes do vinho, dispostos a se deixarem surpreender. Daí a facilidade com que se adaptou a esse território uma ampla variedade de uvas, num princípio de origem francesa (Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Pinot Noir, Chardonnay…) e posteriormente enriquecendo-se com variedades italianas,  espanholas, portuguesas e de outras zonas vitivinícolas da velha Europa, (Zinfandel, Tempranillo, Pinot Grigio, Muscat…).

Trata-se de uma região em contínuo crescimento, que passou de 807 bodegas em 1990 a aproximadamente 3.400 hoje em dia, quase todas pequenas bodegas de caráter familiar.

000Cada garrafa de vinho da Califórnia mostra a origem geográfica, ou de uma denominação, onde se cultivaram as uvas. Nos Estados Unidos, as denominações geográficas definem-se, quer seja pelos limites políticos, o nome de um município, ou pelo reconhecimento do governo federal nas denominadas, chamadas AVAs (American Viticultural Area).

A CLASSIFICAÇÃO DO VINHEDO NOS ESTADOS UNIDOS
Atualmente, a classificação de regiões vitivinícolas americanas é complexa pela sua variedade,
mas também concreta e simples na hora de se estabelecer: divide-se em AVAs (American Viticultural Area), onde se delimitam as zonas com base em características geográficas e climáticas específicas, designando as zonas vitícolas, para permitir aos viticultores descrever melhor a origem de seus vinhos e aos consumidores que identifiquem melhor a origem dos mesmos.
Estas áreas também podem agrupar subconjuntos de sub-AVAs.

Os limites dos estados ou municípios, como, por exemplo, Califórnia ou o município de Sonoma, não são AVAs, apesar de poderem ser utilizados para identificar a origem de um vinho. As AVAs, como indicamos anteriormente, são reservadas exclusivamente para distinguir não somente áreas geográficas, mas condições edafoclimáticas concretas.
Um vinhedo pode estar em mais de uma AVA. Por exemplo, Santa Clara Valley AVA e Valley de Livermore AVA se encontram no território da Baía de São Francisco AVA, que está em si mesma situada na Costa Central AVA… É uma confusão, mas nada em comparação com as classificações europeias, onde, em algumas ocasiões, podemos encontrar infinitas subdenominações.

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O primeiro sistema de denominação americano tem como base os limites políticos dos estados e municípios, que recebem os nomes de State Appellation e County Appellation, respectivamente.
Em setembro de 1978, desenvolveram-se as normas para estabelecer as AVAs (American Viticultural Area) (quer dizer, Área Vitícola Americana).
A AVA Augusta, em Missouri, foi a primeira a se estabelecer com o novo sistema de denominação, em junho de 1980.  Agora existem cerca de 200 AVAs diferentes espalhadas por todo o território dos Estados Unidos, mais de 100 somente no estado da Califórnia.

Todas as AVAs da Califórnia podem ser agrupadas em quatro grandes regiões:

NORTH COAST
Inclui a maior parte da Costa Norte da Califórnia, ao norte da Baía de São Francisco. A grande Costa Norte AVA cobre a maioria da região. Destacam-se as regiões vitivinícolas de Napa Valley e Sonoma County. As menores dentro delas (sub-AVAs), Mendocino e Lake County são também parte desta região.

CENTRAL COASTarvore
Inclui a maior parte da Costa Central da Califórnia e a zona localizada ao Sul e ao Oeste da Baía de São Francisco até Santa Barbara. A grande Costa Central AVA cobre a região.
Destacam Santa Clara Valley AVA, AVA Montanhas de Santa Cruz, San Lucas AVA, Paso Robles AVA, AVA Santa Maria Valley, Santa Ynes Valley e Livermore Valley AVA.

SOUTH COAST
Inclui parte do Sul da Califórnia, as regiões costeiras ao Sul de Los Angeles até a fronteira com o México. Destaca AVA Temecula Valley, Antelope Valley, AVA Leona Valley, San Pasqual Valley AVA e Ramona Valley AVA.

CENTRAL VALLEY
Inclui o Central Valley da Califórnia e a Serra Foothills AVA. Destaca-se a Lodi AVA.
Uma vez que se estabeleça uma AVA, pelo menos 85% das uvas utilizadas para fazer um vinho
deve ser cultivada na área especificada concreta, no caso de que uma AVA saia como referência em sua etiqueta. E qualquer vinho com “Califórnia” garante que 100% das uvas foram cultivadas no Estado.

Texto: Alberto Pedrajo Pérez y Javier Achútegui Dominguez
Fotos: divulgação

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