Este mês são apresentados dois vinhos de uma mesma bodega. Localizada na maior região da  Espanha, e com uma das maiores tradições vitivinícolas: Castilla e León. Onde são encontradas algumas das Denominações de Origem mais destacáveis da Espanha, como Ribera del Duero, Bierzo, Toro ou Rueda.

04Os primeiros documentos de referência do cultivo da videira nesta região remontam à época em que Castilla e León era uma província romana. (Séculos I e II D.C.) ainda que alguns autores indiquem que o conhecimento do vinho por parte das pessoas destas terras pareça ser anterior.

O vinhedo permaneceu, ao longo dos séculos, em Castilla e León com grande importância. Tendo momentos de esplendor entre os séculos XV e XIX. Até a chegada da praga da filoxera, no fim do século XIX. Esta fez com que, em algumas regiões vintivinícolas, o vinhedo desaparecesse definitivamente. Concentrando seu cultivo até nossos dias nas regiões mais adequadas.

A região de Castilla e León tem extensão de 94.225 km2. Abriga um total de 14 regiões vinícolas,  entre Indicações Geográficas e Denominações de Origem. O que, em determinadas ocasiões, faz com que, em uma mesma bodega, possam conviver diferentes sentidos. Como é o caso da bodega  deste mês, a Bodega Sanz, que apresenta um vinho branco de Rueda D.O. e um vinho tinto de Castilla e León I.G.P..

Mais uma vez, enfrentamos a dificuldade de interpretação da ambígua classificação dos vinhos. Que no caso da Espanha é regulada com base em um único critério, estabelecido pela União Européia, que define e classifica, com a finalidade de não somente regular o setor, senão de facilitar a  interpretação ao consumidor.
Parece uma dificuldade adicional para este compreender a distribuição do setor do vinho europeu em diferentes denominações. Mas devemos entender que, no caso da Europa, trata-se, na maioria dos casos, de regiões vitivinícolas com centenas de anos de história e tradição.

A legislação européia estabelece alguns requisitos que classificam apenas dois tipos de proteção para os vinhos:

Vinhos com DOP (Denominação de Origem Protegida):
Sua qualidade e características devem-se, essencial ou exclusivamente, à sua origem geográfica. Com seus fatores humanos e culturais envolvidos. Possuem qualidade, reputação ou outras características específicas imputáveis à sua origem geográfica. 100% das uvas provêm exclusivamente da região geográfica de produção. Seu desenvolvimento ocorre dentro da área geográfica. São obtidos a partir de variedades pertencentes à espécie Vitis Vinifera.

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Vinhos com IGP (Indicação Geográfica Protegida):
Possuem qualidade, reputação ou outras características específicas imputáveis à sua origem geográfica. Pelo menos 85% das uvas provêm exclusivamente da região geográfica. Sua elaboração tem lugar na área geográfica. São obtidos de variedade vínicas pertencentes à Vitis vinífera e outras espécies do gênero Vitis.

Atualmente, os termos tradicionais que são utilizados para indicar que o produto é recebido por uma DOP ou IGP, são:

Para as IGP:
Vinho da Terra

Para as DOP:
Denominação de Origem
Denominação de Origem Qualificada
Vinho de Qualidade com Indicação
Geográfica
Vinho de Pago
Vinho de Pago Qualificado

Por que garantir a Origem de um vinho?
A existência de D.O.’s (Denominações de Origem) traz riqueza ao consumidor. É verdade que, por si só, o fato de escolher um vinho parece complexo. Branco, tinto ou rosado, doce ou seco, envelhecido ou jovem, tranquilo ou frisante, continuando com a variedade e colheita e, para completar, também temos que decidir sua Indicação Geográfica. É uma decisão aparentemente complexa. Por isso tendemos a simplificar a escolha de um vinho, associando-o a uma variedade de uva específica e normalmente conhecida em nível mundial e não a uma D.O. (Denominação de Origem). O que faz perder os infinitos requintes que a interação entre videira, terra, clima e orografia proporcionam ao vinho. É um quebra-cabeças surpreendente.
E bebê-los é mais que uma experiência sensorial, também é cultural: porque por trás de um vinho, também a história e as tradições colaboram no compromisso de sua qualidade.

A Denominação de Origem Rueda e o Vinho da Terra de Castilla e León
A Denominação de Origem Rueda está situada nas províncias de Valladolid, Segovia e Ávila, na região de Castilla e León. Valladolid é a província que conta com o maior número de municípios ligados a ela.

O desenvolvimento da viticultura nesta região começa no século XI, depois da Reconquista, graças a Alfonso VI, que ofereceu propriedade plena da terra aos colonizadores, provenientes, em sua maioria, do norte da Península Ibérica. Algumas ordens monásticas aceitaram de bom grado a oferta e construíram monastérios, usando os vinhedos para prover a região de vinho e abastecer a corte castelhana.

No século XVII, a área de vinhedos era mais extensa que hoje e estava exclusivamente plantada com a variedade Verdejo. Os vinhos brancos de Rueda foram adquirindo fama dado o seu perfil frutado, à limpeza e longevidade dos mesmos, e seu sucesso comercial continuou até a chegada do parasita da filoxera, que destruiu dois terços dos vinhedos entre 1909 e 1922.

Após o desastre, a área foi replantada com vinhas escolhidas mais por critérios de produtividade, do que de qualidade, de modo que a variedade Verdejo foi substituída pela uva Palomino, que nesta época foi predominante, até a década de 70, quando a variedade Verdejo recobrou sua fama e progressivamente recuperou seu papel.

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A superfície de vinhedo registrada na vendimia de 2011 foi de 12.590 hectares, sendo 11.894 com as variedades brancas, entre as quais predomina a variedade autóctone Verdejo, com 9.991ha. Isto representa quase 80% do total da superfície de vinhedo da D.O.. Por se tratar de uma área extensa, isto permite distinguir uma grande heterogeneidade de solos, que geralmente são solos pardos sobre depósitos rochosos, dando lugar aos típicos terrenos de cascalho com predomínio de areias, o que dá singularidade a cada vinho elaborado nas diferentes regiões, mas sempre sob um nexo comum de uma altitude média, que varia entre 650 e 750m, e um clima continental do planalto do norte, que origina invernos crus e de longa duração, com poucas precipitações e verões curtos, suaves e secos. A época da vendimia apresenta uma grande amplitude térmica entre o dia e a noite, o que obriga a realizá-la geralmente de madrugada, a fim de manter as uvas nas melhores condições para posterior fermentação.

A primeira tentativa de criar uma D.O. (Denominação de Origem) surgiu em 1935, mas seu reconhecimento como tal foi produzido em 1980, por ordem do Ministério da Agricultura, sendo a primeira Denominação de Origem reconhecida na Comunidade Autônoma de Castilla e León, após vários anos trabalhando pelo reconhecimento e proteção de sua variedade autóctone: a Verdejo. Esta variedade branca é acompanhada em menor proporção pela Sauvignon Blanc, Viura e Palomino fino, sendo a variedade Verdejo a que maior fama alcançou no últimos anos, originando vinhos brancos muito frescos e frutados, que satisfazem muito do gosto atual

Seu aroma e sabor têm requintes de erva, com toques frutados e uma excelente acidez que, juntamente com o volume, extrato e seu característico toque amargo, lhe proporcionam originalidade, acompanhada de uma grande expressão frutada. As variedades brancas acompanham, de forma testemunhal, quatro variedades de uva tinta: Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Garnacha e Merlot, que representa somente 2% da uva desta Denominação de Origem.

uva “Rueda é branco, Rueda é Verdejo”
Em 1994, foi permitida a elaboração de vinhos rosados e tintos, com a inclusão na D.O. de produtores de vinho da Terra de Medina, mas depois de uma sentença do Supremo Tribunal, confirmando uma anterior do Superior Tribunal de Justiça de Castilla e León, em  outubro de 2006, foi revogada, o que impediu, até 2008, a elaboração de vinhos tintos nesta D.O., resultando no fato de que, algumas das bodegas afetadas que vinham tradicionalmente elaborando vinhos tintos, aproveitassem a Indicação Geográfica Protegida, Vinhos da Terra de Castilla e León.

Depois da última mudança de legislação, que cobrava a elaboração de vinhos tintos dentro da D.O. Rueda, algumas das bodegas pertencentes a ela,  entre as quais se encontram Vinhos Sanz, concluíram que a inclusão de vinhos tintos e rosados desprestigiaria o nome dos vinhos brancos de Rueda e levaria ao consumidor uma ideia errônea da Denominação. Assim, optaram por permanecer dentro das classificações, separando as elaborações de vinho tinto e branco.

A Indicação Geográfica Protegida Vinhos da Terra de Castilla e León é utilizada para designar vinhos da terra elaborados com variedades cultivadas na região de Castilla e León.
De acordo com esta indicação, são elaborados vinhos tintos, brancos e rosados.

Pelo fato da área que ocupa se encontrar dentro da região. Pode-se elaborar vinhos deste tipo com as variedades permitidas, que são tintas: Garnacha tinta, Mencía, Prieto Picudo, Tempranillo, Tinta de Toro, Cabernet Sauvignon, Garnacha Tintorera, Graciano, Juan García, Malbec, Merlot, Negral, Petit Verdot, Pinot Noir, Rufete e Syrah. E para brancas, Albillo, Malvasía, Moscatel de Grano Menudo, Verdejo, Viura, Albarín Blanco, Chardonnay, Chelva, Doña Blanca, Gewürztraminer, Godello e Sauvignon Blanc. A grande área de Castilla e León, assim como a amplitude de variedades, faz com que possa-se descobrir, em cada lugar, a tipicidade da adaptação de cada variedade às diferentes zonas que compõem a região.

Texto: Alberto Pedrajo Pérez y Javier Achútegui Dominguez
Fotos: divulgação

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