São muitas as mudanças que temos testemunhado nos últimos anos, no setor das bodegas. O vinho já não é um simples alimento. Sua dimensão e seu conhecimento nos engrandecem por momentos. É um mundo vivo e dinâmico, cheio de armadilhas. O vinho não é somente vinho, é parte de uma cultura mais ampla, que destaca, surpreende e impacta o desenvolvimento das novas bodegas.

Desde o início dos anos 90 até hoje, vivemos uma autêntica revolução no desenho e na construção das novas bodegas. Em muitos casos, os novos edifícios estão tornandose templos do vinho, onde há uma preocupação que vai até o ultimo detalhe do projeto, sem esquecer seu objetivo principal, que não é outro senão fazer o melhor vinho possível. Existem atualmente duas linhas no desenvolvimento dos projetos das bodegas.A primeira é fiel ao padrão arquitetônico mais clássico, onde a tecnologia e o maquinário mais modernos convivem com edifícios com tipologia tradicional da área geográfica onde a bodega está localizada, utilizando materiais clássicos como pedra, madeira, tijolo e telha, principalmente.

A segunda linha de desenvolvimento de projetos responde a uma arquitetura de desenho mais vanguardista, com edifícios de formas mais arbitrárias, onde se procura algo nem sempre encontrado: a sinergia entre o desenho e a função produtiva da bodega. Cabe destacar, em ambos os casos, a incorporação de novos materiais na construção, na melhoria e no desenvolvimento de estruturas e instalações que melhoraram claramente as condições ambientais e produtivas da bodega.

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Certamente, os dois modelos têm áreas produtivas idênticas quanto à produção de vinhos,pois além de edifícios com um elevado valor estético, são também bodegas, onde as uvas devem  ser processadas para se obter vinho. De preferência, um bom vinho. A estética se fusiona ao caráter funcional, terminando com o conceito de edifício meramente produtivo.

A bodega é um ícone. Um elemento a mais do marketing do vinho. Esta explosão de bodegas, muitas delas focadas no design. Onde a engenharia de processo é incorporada à arquitetura de tecnologia de ponta. Procurou, em arquitetos renomados e engenheiros de prestígio, levar ao extremo o clamor do público às bodegas. Que já não são “unidades de transformação de uva em vinho” com mais ou menos glamour. Mas sim autênticos parques temáticos focados no turismo, onde existem restaurantes, museus, auditórios, hotéis; onde se pode ir a concertos, admirar obras de arte e realizar uma infinidade de eventos que giram em torno do mundo do vinho.

A bodega, como conceito de unidade produtiva, criou e deve criar sinergias com seu ambiente, que aumentam o valor da sua imagem. A singularidade do vinho como um produto de origem agrícola torna-o diferente de qualquer outro modelo produtivo do setor primário. Quem poderia imaginar uma planta de processamento de beterraba açucareira com um desenho do último Pritzker de arquitetura. Ou uma indústria cervejeira projetada por Frank Gehry? Bem, nunca se sabe.

Texto: Alberto Pedrajo Pérez e Javier Achútegui Dominguez
Fotos: divulgação

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