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Quando entramos pela primeira vez em uma bodega, talvez o mais impressionante sejam os reservatórios para a produção de vinho. O tamanho às vezes surpreende. Mas sobretudo chamam atenção os acabamentos e o aspecto levemente industrial. Raramente é dada a merecida importância a este elemento essencial em toda a bodega.

Normalmente, o enólogo e o bodegueiro, durante as visitas, dão maior importância à origem dos barris e suas torrefações. Ou ao quão cuidadosos são na seleção da uva. Mas poucas explicações recebemos sobre os reservatórios de vinificação.

Qual é a função de um reservatório dentro de uma bodega?
O reservatório é o recipiente onde o vinho, ao longo de suas diferentes fases na bodega, passa os dias até chegar ao último recipiente, a garrafa. É no reservatório que, depois de receber a uva na bodega, é realizada a fermentação alcoólica. Por leveduras que convertem açúcar (glucose e frutose) em etanol e gás carbônico. Dando lugar ao vinho. E é também no reservatório que, após a vinificação, o vinho passa pelas fases de armazenamento e estabilização, até a ocasião de seu engarrafamento.

O reservatório é constituído, principalmente, por três elementos:
o reservatório em si ou recipiente; as camisas de refrigeração, que garantem a estabilidade térmica durante o
período de fermentação e, em alguns casos, elementos para facilitar a maceração da uva, como elevadores hidráulicos de pistão etc. Atualmente, o material utilizado na fabricação dos reservatórios na indústria vitivinícola é o aço inoxidável, mas nem sempre foi e nem sempre é assim. No entanto, é verdade que, desde os anos oitenta, generalizou-se o uso deste material na construção de reservatórios para vinificação e armazenamento, devido às suas excelentes propriedades, principalmente higiênicas, além de sua facilidade de limpeza e de adaptação, tanto em forma quanto em tamanho.

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Tradicionalmente, a produção de vinhos é altamente influenciada pela tradição vinícola  e pela disponibilidade de matérias-primas para a fabricação das diferentes embalagens, recipientes ou reservatórios para a fermentação: desde os tradicionais tanques abertos de pedra em diferentes áreas de cultivo, passando pelas tinas ou vasos de barro, os barris e os tonéis de madeira,até a progressiva implantação do concreto armado. O uso deste último condicionou o início da industrialização do setor, facilitando os preparativos e o subsequente armazenamento dos vinhos, reduzindo assim a fragilidade do barro e da madeira e melhorando as condições de armazenamento das vinícolas abertas.

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Depois do aparecimento do concreto, começaram a ser fabricados reservatórios de aço carbono revestidos internamente, a fim de evitar o contato direto do “ferro” com o mosto ou vinho. Ao longo do século XX, as inovações neste sentido foram dirigidas aos sistemas utilizados para impermeabilizar os reservatórios e também ao aparecimento da resina de poliéster reforçado.

Nos anos setenta, as bodegas decidiram introduzir o aço inox como material na fabricação dos reservatórios e auxiliares nas bodegas. No princípio, sua entrada no setor foi lenta, pois se tratava de um material mais caro, e que não tinha uma indústria auxiliar especializada e bem estabelecida, além das áreas industriais do país. Como sempre, é melhor que o vizinho prove primeiro o novo, o diferente, o inovador.

Foi assim que, gradualmente, as bodegas foram utilizando o aço inox para a fabricação e armazenamento dos vinhos. Conforme podiam financeiramente, ou conforme viam os benefícios das outras bodegas.  Atualmente, os reservatórios de aço inox convivem nas bodegas com o resto dos recipientes de madeira, poliéster, concreto armado, ou cerâmico, alguns deles somente como testemunhas do passado.

Texto: Alberto Pedrajo Pérez e Javier Achútegui Dominguez
Fotos: divulgação

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