Texto: Blanca Rodrigues
Fotos: Anderson Zaca

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Sócio e idealizador do maior estúdio de música da América Latina e também agente de Anderson Silva, campeão de MMA. Um jovem com muita garra de vencer e cheio de bossa pra levar a vida. Hebert Mota tinha um sonho, foi lá e realizou.

Quem é Hebert Mota?
Um jovem que sonha alto, mas que está sempre com os olhos bem abertos. Que odeia a injustiça social e pretende lutar para ser exemplo, e não estatística do IBGE.
Com os exemplos dos pais, sempre procurou trabalhar com afinco e foco para que as conquistas existissem. Procura ser parceiro ao máximo, mas evita algumas amizades.

Conte um pouco de sua trajetória.
Não foi fácil, e aliás, fico feliz que não tenha sido. Eu sempre acreditei que a adversidade faz com que sejamos mais dinâmicos e habilidosos na vida. Assim é a essência do brasileiro. Eu, por muito tempo, sonhei em conquistar uma base de vida bacana, mesmo sem saber, e hoje, recordome de conversas minhas em casa, com meu pai e irmão dizendo que eu lutaria para ser bem sucedido. Tinha isto na mente, mas nunca deixei de brincar na rua e fazer coisas erradas de adolescentes.

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Recordo-me de certa vez ter sido expulso da escola porque eu simplesmente não aceitei o método de ensino e motivei a classe por várias vezes a brigar por um ensino melhor. No primeiro colegial, a professora de história estava falando  de Pedro Álvares Cabral, eu levantei a mão e perguntei como isto poderia ser útil na vida de jovens da periferia do “EEPG”…
Ela não teve respostas e eu logo reafirmei minha
insatisfação. Disse: “eu quero ser alguém hoje, quero respostas para o hoje. Desculpe, mas Pedro Álvares Cabral no colegial não vai me ajudar.”. Logo depois fui chamado na diretoria. E já era a terceira vez que eu tinha sido chamado por criar polêmica na sala de aula, expondo os professores… Em “comum” acordo, nunca mais voltei à escola desde então. Depois disso, tinha algo em mente Decidi procurar um caminho meu, e foi nos livros e autobiografias que aprendi muita coisa. Já mais velho, envolvido com um projeto grandioso, eu me deparei com mais uma de várias lutas para vencer. Passei adiante e sempre buscando aprender. Anos depois, via-me falando inglês fluente em reuniões em Nova Iorque, Washington, Los Angeles, França e outros países.

Como surgiu a música na sua vida?
Meus pais sempre estiveram envolvidos com a música na igreja. Eu cresci vendo-os e a meus tios tocando na sala de casa. Sempre tive ideia e vontade de ser músico profissional, mas em um determinado momento da minha juventude, percebi que eu organizava melhor do que tocava.
E assim comecei a produzir shows musicais. Fui roadie (produtor de palco) e produtor de alguns artistas. Com isso, percorri o Brasil e o mundo fazendo shows. Anos depois, em 2008, junto com um executivo do mercado financeiro, lancei um projeto inovador, que se tornou a maior produtora de áudio da América Latina, o NACENA STUDIOS, que hoje tem como clientes artistas nacionais como Chitãozinho e Xororó, Ney Matogrosso, Seu Jorge, Dominguinhos e tantos outros.  Além deles, diversos nomes internacionais já gravaram no NACENA que, aliás, acaba de inovar ao criar um braço de áudio publicitário, trazendo como sócio o renomado produtor Max de Castro. Acabamos de  voltar do festival Cannes Lions, onde lançamos oficialmente nossa parceria.

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Existe alguma relação da música com esporte? Como foi parar no esporte?
Sim, acredito que sim. Tanto o esporte como a música exigem comprometimento, disciplina, foco, e mexem muito com os objetivos do indivíduo. Creio que ambos  transformam o olhar. Ambos envolvem as pessoas, transformam a cultura e viram estilos de vida. Esporte e música são feitos de gente. Eu comecei quando visualizei a oportunidade de negócio em fomentar o MMA através do Anderson Silva. A história dele e o carisma que ele tem são grandes diferenciais de valor de um atleta. Vi no Anderson um Michael Jordan do MMA.

Como conheceu Anderson Silva?
Em 2007, viajando para Los Angeles, encontrei com ele. Lá, nos falamos por telefone, e surgiu uma amizade. Depois tivemos alguns encontros, até que ele me levou para uma luta nos Estados Unidos em 2010.
Dali em diante nos tornamos parceiros de trabalho e estamos juntos desde então. Meu trabalho é zelar pela imagem dele e sempre ser o “amigo” sincero.

Quem é Anderson Silva?
Um homem dedicado, focado, e sempre muito bem preparado e sincero.

MMA no país do futebol. Como será isso?
Assim como nos Estados Unidos existem a NFL, a NBA, o hóquei e o baseball, temos “espaço”
populacional para diversificar o MMA. Hoje temos força sócioeconômica e espaço para vários
tipos de esportes.
O Brasil precisa deixar de pensar como um país colonial. Somos 200 milhões de habitantes, tem espaço para vários novos esportes e o MMA é um deles. O crescimento e a aceitação serão gradativos, foi assim nos Estados Unidos também.

Se não fosse empresário, quem gostaria de ser?  Não vá nos dizer lutador de MMA! (risos) Advogado. Adoro esta profissão, meu pai é advogado formado e eu gostaria de ser.
Gosto do debate de ideias, ter conhecimento de causa, acho bacana, gosto de analisar pontos de vista e entender os processos das coisas e ações. Meu pai tornou-se um advogado por vários motivos, mas na verdade, o principal foi para ser exemplo de possibilidade. Ele nos mostrou o quanto podemos ser vencedores e o quanto o esforço é fundamental para qualquer conquista. Recordome de ver meu pai sair para o trabalho às 5 da manhã e voltar à meia-noite, pois a faculdade era em Mogi das Cruzes e o trabalho na Zona Sul de São Paulo. Ele é um exemplo que gosto de seguir. Mesmo cansado, corro atrás do meu ideal.

Hebert na cozinha dá samba?
Não como um chef, mas um belo sous chef já sou. Recentemente, cozinhei para um amigo chef francês e o resultado foi bacana: recebi os parabéns.  Adoro a cozinha.
Alimentar é algo bacana, que socializa, e isto faz bem à vida. Poder compartilhar a mesa sempre é bom. É um ótimo espaço para debater ideias e pensamentos. Pode dividir conosco alguma receita de sucesso… na cozinha! Salmão ao forno com molho “Muchare” que é uma invenção  secreta. Acompanha legumes e um bom vinho. Sucesso absoluto.

 
E quanto à dieta dos campeões de MMA? Pode contar-nos um pouco?
Posso falar pelo Anderson Silva, cuja dieta acompanho de perto, embora seja como todas: de redução de açúcar, gordura etc. Ele também se preocupa muito em comer aos poucos no decorrer do dia.  Em época de dieta pesada, que é a mesma época na qual ele treina para uma luta, ter energia é fundamental. E também um pouco de gordura, para que a massa muscular não sofra ou venha a ter fraturas.

Hebert Mota com seus sócios no Na Cena Estúdios.

Você comenta muito uma frase de Washington Olivetto: “melhor ser co-autor de uma grande história, do que autor de uma história medíocre”.  Por que isso?
Porque o mundo se faz de parceria. A grande árvore só cresceu porque o vento ou um pássaro jogou a semente dela naquele local, em algum dia. E assim é a vida, ninguém cresce sozinho. Esta frase faz aceitar que, embora eu possa ser único com a minha ideia, não exatamente vou conseguir aplicá-la sem a ajuda de outros. Aí você se torna co-autor, afinal ninguém é absoluto na vida.

Foi esta a sua estratégia com Anderson Silva como agente dele? Como aconteceu a 9ine?
Sim, quando ainda estava sozinho buscando oportunidades de apresentar Anderson Silva para o
Brasil, um dos veículos dos quais aceitei o pedido, foi a BusTV, empresa de televisão dentro de
ônibus pelo Brasil. Ao aceitar a entrevista, o presidente da empresa de comunicação, em uma conversa de bastidores, disse-me que seria bacana apresentar o Anderson Silva para o pai dele. Eu logo falei: seu pai é o Sergio Amado? Por que disse isto? Bem, dias antes, eu tinha lido sobre a criação de uma agência de Marketing Esportivo do Ronaldo Nazário com a WPP Group, na pessoa do Sergio Amado. Quando as informações “colidiram” eu logo pedi uma reunião com ele e, em dois meses de negociação, fiz com que o Anderson fosse o primeiro contratado da Agência 9ine. Hoje temos uma relação ótima.
Este é um grande exemplo onde, embora eu pudesse ser “o cara” do Anderson Silva, preferi ser “um dos caras”. Está aí um belo exemplo da frase de Washington Olivetto.

Ronaldo Fenômeno Nazário?
Um exemplo de jovem focado e decidido, de quem tem sido um grande privilégio estar próximo.
A maior conquista que eu pude dar para o Anderson foi poder aproximálo do Ronaldo.
A experiência dele vai somar muito para o futuro do Anderson, e ambos são referências de ídolos que podem mudar uma geração.

Qual o próximo passo de Hebert Mota?
Pretendo morar um tempo nos Estados Unidos com minha esposa. Ela é artista plástica e vejo que lá a carreira dela pode acontecer melhor, ou ao menos estar mais próxima da arte. Eu tenho vários contatos no mercado de entretenimento lá e, com a crescente procura pela diversidade dos países ricos em países em desenvolvimento, ter um jovem brasileiro falando inglês fluente e por perto pode ser um diferencial.
Além disso, também vejo que, na minha atuação profissional, o Brasil vai precisar de pessoas totalmente capacitadas a morar lá, para aperfeiçoar e buscar excelência. Acredito que será bom. Quero também dedicar-me com mais ênfase à carreira pública do Anderson Silva nos Estados Unidos. É um rico mercado, que ainda não exploramos.

Você tem algum ídolo, alguém que te inspirou profissionalmente?
Eu tenho alguns ídolos que admiro e me inspiram. Um deles é o Michel Jordan: ele, com seu
talento, mudou a história dentro e fora das quadras de basquete.  Nike Air Jordan representa um exemplo único no mundo de valor da imagem.Um jogador que se tornou uma parte representativa no valor de uma das empresas mais valiosas do mundo, a Nike. Empreender é muito mais do que ser bom, é transformar o que você tem de melhor nas mãos, em algo rentável e exemplar. Michael Jordan me inspira assim.

Ping-Pong
Estúdio X Octógono
Estúdio.
Uma trilha sonora
What is going on (Marvin Gaye).
Uma luta
Anderson Silva vs Forest Griffin.
Uma vitória
Ajudar minha família.
Um sonho
Não existirem pessoas solitárias.
Um brinde

À amizade.