Classificar os diferentes tipos de poda é complexo. Por isso, partiremos da divisão entre a poda de frutificação e a poda de formação. Para, a partir deste ponto, explicar as diferentes variantes da poda de inverno.

Neste capítulo, vamos olhar para o campo. O trabalho na bodega relaxou a espera do término das fermentações malolácticas e posteriores mudanças. 

Mas no campo, enfrentamos o trabalho mais importante após a colheita: a poda.

Com a chegada do inverno e uma vez que a planta acumulou reservas depois da perda das folhas para o próximo período vegetativo, passamos a realizar a poda de inverno.

Com esta técnica, regula-se a videira para a próxima colheita e, do mesmo modo, consegue-se direcionar a planta segundo o sistema de cultivo estabelecido. É a principal ferramenta para a regulação, gestão e equilíbrio da planta.

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A ação de podar consiste em remover, em parte ou na totalidade, determinados órgãos aéreos da videira.

Durante os primeiros anos de implantação do vinhedo, a poda condicionará em grande parte a adaptação do vinhedo.

Nestes primeiros anos, devemos parar o desenvolvimento produtivo da planta para a formação correta da mesma. 

Mas isso deve ser feito retardando, na medida do possível, a entrada em produção no vinhedo nos primeiros anos, que iria, em demérito da correta implantação e adequação, ao meio dos órgãos vegetativos da planta.

A poda de frutificação

É a encarregada de regular a colheita que será produzida no próximo ciclo vegetativo.

Para a realização deste tipo de poda, deve-se ter em conta as gemas férteis que posteriormente darão os frutos. 

Deste modo regulamos a produção do vinhedo conforme uma série de necessidades, que vão do tipo técnico ao legal. As do tipo técnico referem-se às condições próprias do cultivo.

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Busca-se orientar a produção da colheita com base nos resultados obtidos no ciclo agronômico anterior.

A força que a planta tem, o tipo de solo, variedade, clima, entre outros, poderão exigir podas específicas para estimular seu correto desenvolvimento vegetativo. 

poda de inverno
Foto/Pixabay

As condições legais são limitadas às regras que cada Denominação de Origem ou região vitícola estabelece para regular a produção, indicando o número de gemas que deve ser deixado em cada planta, número este que então condicionará a carga de uva por videira.

As podas de produção podem ser divididas em:

Podas curtas

São realizadas tanto em conduções em vaso como em espaldeira, com braços curtos ou compridos.

Deixando na poda de uma a três gemas francas sobre a cega, é chamado “esporão”

Podas longas

Podas nas quais o número de gemas francas é superior a quatro por sarmento. Tais sarmentos são denominados “varas”, “espadas” ou “uveros”.

Podas mistas

Como diz o nome, incluem varas e esporões no mesmo braço. Não é comum esta prática em nossa viticultura, por ser considerada complexa.

É o modelo com mais variantes, sendo a poda tipo Guyot a mais generalizada.

Poda mínima ou “não poda”

A origem desta modalidade é para reduzir o trabalho e melhorar os mecanismos de auto-regulação da planta procurando o equilíbrio vegetativo-produtivo.

Esse equilíbrio dificulta o resto dos trabalhos culturais, acelerando o envelhecimento da planta. Por isso se faz uma poda mínima ou pré-poda.

Qual a função da poda de frutificação?

1. Regular o crescimento vegetativo em relação ao produtivo

Podamos para que a planta atinja um equilíbrio vegetativo-produtivo. Não interessa o excesso de força que aumentará o volume de madeira em relação ao produtivo, o que poderia atrasar o amadurecimento da uva.

Pelo contrário, um excesso produtivo impedirá o desenvolvimento da massa vegetal que garante um fruto maduro e de uma ótima qualidade.

2.Gerenciar a carga produtiva reduzindo o número de gemas

Reduzindo o número de gemas férteis, reduzimos o número de cachos.

Devemos entender esta afirmação a partir da perspectiva global do condicionamento do cultivo, variedade, fertilidade do solo, etc., pois podemos encontrar-nos em situações nas quais as podas excessivamente curtas podem não ser as mais produtivas.

A poda de formação

A poda de formação visa adaptar a planta ao sistema de condução desejado. No entanto, não devemos esquecer que a videira é uma trepadeira e, portanto, comporta-se como tal.

A poda de formação procura adaptar esta trepadeira ao cultivo, para o qual existem três formas, bem livres em vaso tradicional, em abandono, muito esticada em países como Espanha ou Portugal ou bem dirigida, em espaldeira ou caramanchão.

Não se trata de escrever um compêndio de sistemas de condução de vinhedo, mas de apresentar os principais sistemas utilizados.

Cordão simples e duplo (Royat)

Consiste na formação de um ou dois braços permanentes, podendo renovar, se for o caso, a parte terminal, onde serão inseridos os esporões correspondentes.

Este método é o mais adequado para a mecanização e gestão do vinhedo, e pode ser aplicado às principais variedades de videira, que o aceitam corretamente.

Por outro lado, favorece altos rendimentos se não for feito um controle aprofundado de diversas condições não relacionadas a este trabalho.

Também pode gerar excesso de madeira velha se não for renovado.

Guyot simples e duplo

Forma um esporão e uma vara (simples) ou dois esporões e duas varas (duplo). 

Consiste na renovação anual de um ou dois braços e permite atingir uma ótima qualidade, controlando o volume de madeira formado, já que este sistema favorece a regulação da planta.

Requer maior destreza por parte do viticultor e deve ser aplicado nas variedades que, por sua força, necessitam dele para seu equilíbrio vegetativo-produtivo. 

Geralmente usadas em variedades com excesso de força ou regulação, como Merlot ou variedades brancas.

Parreiral

É uma técnica em desuso, embora em algumas regiões vitícolas como a Argentina, continue sendo praticada.

Este sistema de condução é realizado sobre estrutura permanente (parreiral), e é condicionado principalmente pelo clima.

Na realidade, trata-se de uma poda de formação, já que as podas produtivas podem adaptar-se aos diferentes modelos de poda longa ou mista.

É um modelo típico de terras férteis e úmidas.

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Qual a função da poda de formação?

1. Formar a planta para o sistema de cultivo pré-estabelecido (Poda da formação)

A principal função do viticultor, durante os três primeiros anos de cultivo, é conseguir a melhor adaptação da planta ao solo, dando prioridade ao desenvolvimento de órgãos subterrâneos, assim como a estrutura de apoio do vinhedo (tronco e braços).

O objetivo disso é procurar o equilíbrio do desenvolvimento, tanto em sistemas conduzidos, como em sistemas livres, através da divisão simétrica de seus braços e feixes condutores

2. Controlar o alongamento excessivo dos ramos

A videira é uma planta trepadeira, portanto, para o seu desenvolvimento é marcada sua dominância apical, que tende a alongar em excesso seus órgãos vegetativos aéreos.

Por isso, temos que gerenciar todo este desenvolvimento para facilitar sua formação adequada, assim como a mecanização e trabalhos culturais.

3. Direcionar os ramos para orientar a exposição solar

Procura-se formar uma estrutura de apoio para otimizar a função fotossintética dos órgãos vegetativos.

E isso acontece para aumentar a exposição solar e potencializar a verticalidade e horizontalidade da planta, gerando um plano direcionado.

4. Adaptar o cultivo até a mecanização

Os trabalhos de poda facilitam o resto dos trabalhos culturais, minimizando o espaço de colonização de brotos e ramos. 

Os sistemas conduzidos em espaldeira facilitam outros trabalhos de ecanização complexa, como os desfolhados, a pré-poda ou tratamentos mais eficazes, assim como a própria eração de folhas e ramos.

5. Regularizar o conjunto da imagem do vinhedo

Cada vez mais aumenta a dimensão média das explorações, tornando-se muitas vezes a vitrine da bodega. Que paradoxo!

Lembremos da aposta, entre outros, do enoturismo em expansão. Não se trata de cultivar jardins, mas de melhorar o aspecto global de toda a operação, mediante formações corretas e o mais homogêneas possíveis, nunca desmerecendo o próprio cultivo.

A poda é uma tarefa que deve ser realizada por pessoal qualificado, já que a colheita do ano depende de sua correta execução, de um bom desenvolvimento do cultivo, e de sua permanência no tempo.

Também não dá para esquecer do risco envolvido por ser utilizado material de corte, que pode causar acidentes aos usuários.

Além disso, este trabalho é responsável por 25 a 30% do custo em mão de obra total de uma exploração vitícola. Por isso, se o custo econômico não é feito corretamente, fica inviável a rentabilidade da mesma.

Em todos os momentos, devemos entender que a poda serve para direcionar a planta para que ela seja condicionada pelos diferentes fatores que foram explicados anteriormente, de modo que qualquer um pode encontrar o método mais adequado, evitando qualquer demérito ao fruto.

Por isso, deve-se executar de forma que se consiga uma correta exposição dos órgãos vegetativos; um fluxo correto da seiva através dos feixes condutores; a formação mais simétrica possível; e o controle da capacidade produtiva, de acordo com a variedade, tipologia do solo, manejo do cultivo, etc.

Texto: Alberto Pedrajo Pérez e Javier Achútegui Dominguez
Fotos: Divulgação

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