São muitas as regiões vitivinícolas do mundo que buscam a identificação de seus vinhos com uma variedade emblemática.
A França, com variedades como Cabernet Sauvignon ou Merlot, entre outras. A Itália, com Sangiovese ou Nebbiolo. A Espanha com a Tempranillo. A Austrália, com a Shiraz ou a Argentina com a Malbec. Buscam, através dessas variedades, comunicar os atributos de sua vitivinicultura e dar-lhes um “algo a mais” de personalidade, se possível.

Mas na África do Sul, ao contrário de todas essas regiões, não havia nem buscavam uma variedade que lhes identificasse. Digamos que, na verdade, inventaram-na e, por sorte, parece que acertaram.
Sua variedade emblemática é a pouco conhecida Pinotage.

É desnecessário enfatizar a qualidade dos vinhos sul-africanos.
Esta região do chamado Novo Mundo, com um passo firme e contínuo, segue escalando até o olimpo dos vinhos e os faz tão surpreendentes e originais como os elaborados com essa uva, em um mundo cada vez mais globalizado.

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Mas, como quase sempre ocorre, nem tudo é perfeito. A Pinotage é uma uva rebelde, capaz de produzir vinhos fracos, inexpressivos, sem graça alguma, mas também vinhos fora de série, surpreendentes e extraordinários, que nos deixam, literalmente, sem palavras.

Esta variedade é vigorosa como poucas. Com cachos de médio a grande, assim como seus bagos, e normalmente de cor intensa, quando a produção é adequada. Tende a amadurecer cedo e produz rendimentos desmedidos por hectare, se o seu desenvolvimento não for bem regulado. Produz vinhos frescos e muito frutados, com bom teor alcoólico, mas esta uva também pode redundar pouco plana ou simples e, por vezes, complica-se com uma tanicidade muito marcada.

A Pinotage é um cruzamento entre duas varietais e não se trata de um híbrido espontâneo como outras uvas.
É resultado de um cruzamento induzido entre Pinot Noir e Cinsault (chamada Hermitage na África do Sul).
O cruzamento foi realizado em 1925 pelo Professor AI Perold, com um objetivo muito específico: buscava-se unir a elegância aromática Pinot Noir com a resistência e a capacidade produtiva de Cinsault.
O resultado foi uma uva capaz de dar lugar a vinhos com caráter e, ao mesmo tempo, frutados, com boca sedosa e geralmente com alto teor alcoólico.

Uma variedade exigente quanto ao seu cultivo, motivo pelo qual todos os produtores e enólogos são ousados com ela. Assim é a indômita Pinotage.
Os primeiros vinhos elaborados com essa variedade não foram bem considerados, de forma que seu uso foi muito limitado até o início dos anos 50.
Nessa época, sua expansão estava mais relacionada a uma tendência do que à qualidade da uva.

Por sorte, ou melhor, pela insistência de viticultores e enólogos, os vinhos da Pinotage começaram progressivamente a mostrar suas possibilidades, porém de forma lenta.
Não foi senão na década de 1990 que essa uva conseguiu destacar-se como potencialmente apta para elaboração de grandes vinhos. Nesse momento, deu um salto internacional, começando a ser cultivada na vizinha Zimbábue, estendendo-se posteriormente, com relativa importância, pela Nova Zelândia e Califórnia.

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