SEPTIEMBRE OCTUBRE 2010 067A origem do vinho alicantino, assim como em muitas outras regiões, faz parte de lendas e fábulas que circundam as raízes históricas dos vinhos. É possível considerar que Alicante constituiu o primeiro ou um dos primeiros modelos de Denominação de Origem do mundo. Aproximadamente no ano 1507, com a formação da Junta de Inhibició del Vi Foraster d’Alacant. (Junta de Inibição do Vinho Forasteiro de Alicante).

O funcionamento desta instituição foi aprovado pelo rei Fernando, o Católico, no ano de 1510. A principal meta não era somente proibir a venda de vinhos estrangeiros em Alicante. Mas também controlar a produção da
horta alicantina.

Quando os vinhos entravam na cidade, um inspetor encarregava-se de controlar a produção. Para tanto, fazia-se o registro de quem entrava com vinho na cidade. Com o propósito de verificar e fiscalizar se a quantidade produzida coincidia com a que entrava a partir do porto de Alicante.
Nenhum vinho que não fosse da horta alicantina podia ser reexpedido dali.

Essa instituição, uma das mais importantes do Reino de Valencia, além da Junta da Seda, tinha regras e normas de funcionamento comparáveis às das Denominações de Origem atuais. Essa Junta funcionou até 1839, momento em que a rainha Isabel II anulou-a para sanear a receita espanhola. Três séculos mais tarde, em 1957, foi criado o Conselho Regulador da Denominação de Origem Protegida Alicante, para gerir a Denominação de Origem que havia sido reconhecida  previamente no ano de 1932.

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É lógico que estas terras, tão vinculadas ao Mediterrâneo, esbanjem história como outras zonas vitivinícolas próximas. Foram os ibéricos que começaram a cultivar a videira para uso familiar, ainda que a planta já existisse naquelas terras, de forma silvestre.
Possivelmente foram os fenícios que, na primeira metade do primeiro milênio antes de Cristo, introduziram as videiras por essas terras.

Porém, o grande impulso para o cultivo foi dado pelos romanos, que deixaram evidências de um cultivo importante, como constaram inúmeros restos arqueológicos, principalmente na zona do Marquesado. A presença de ânforas para vinho e restos de uma fábrica desses recipientes indicam a importância do cultivo na região.

Vinhos de Alicante, a Denominação de Origem
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Esta Denominação de Origem conta, atualmente, com mais de 50 bodegas inscritas e mais de 2.300 viticultores. A superfície de vinhedo da D.O. tem aproximadamente 14.000 hectares de cultivo, que se estendem por diferentes regiões da província de Alicante.

Essas regiões, com climas significativamente diferentes, combinações de solos muito especiais, são propícias para o desenvolvimento do vinhedo. Da região mais úmida e de solos ricos de La Marina Alta, até a sobriedade e secura de algumas áreas do Vinalopó. Passando por uma zona intermediária como El Comtat.
Essas sub-regiões se estendem até os limites de Castilha-La Mancha e a região de Murcia.

Ao longo da história, confirmou-se um excelente desenvolvimento de muitos hectares e grande riqueza de variedades em todas as regiões.
Hoje em dia, continua sendo amplo o catálogo de variedades autorizadas pela D.O. Porém, as de maior implantação e melhor acondicionamento às suas condições edafoclimáticas, são a Moscatel de Alexandria, a Monastrell e a Garnacha Tintorera (Alicante Bouschet).

Junto a estas variedades, também se cultivam as brancas Merseguera, Verdil, Planta Fina de Pedralba, Macabeo, Airén, Chardonnay e Sauvignon Blanc. E as tintas Bobal, Garnacha Tinta (Gironet), Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Syrah e Petit Verdot.

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