enxerto

A técnica agrícola do enxerto realiza-se principalmente sobre plantas lenhosas.

O enxerto consiste em introduzir um fragmento de haste de uma planta, chamado “enxerto” ou “variedade”, em outra planta, chamada porta-enxerto ou “pé”.

Da união de ambos crescerá uma única planta. Nesta prática, o porta-enxerto respalda as raízes, enquanto o enxerto fornece o resto da planta.

As vantagens obtidas através do enxerto foram documentadas desde a antiguidade (na China, nos princípios do primeiro milênio, assim como na Grécia clássica e no mundo romano, no ocidente).

No Renascimento, o estudo sobre o assunto passou a ser mais aprofundado.

Uma grande variedade de tratados agrícolas foram escritos e defenderam, com precisão, os diferentes tipos de enxertos.

Mas foi a partir do século XIX, com a aparição da filoxera na Europa, que ficaram evidentes os benefícios alcançados através da realização de enxertos dentro da viticultura.

O que é a filoxera?

A filoxera (Dactylosphaera Vitifoliae) é um inseto pequeno, parente dos pulgões e proveniente dos Estados Unidos.

filoxera

Em 1863, os viticultores franceses da Provença começaram a falar sobre a aparição de uma estranha doença.

Alarmada pela agressividade com a qual seus vinhedos eram atacados, a Sociedade de Agricultura del Hérault designou, em 1868, uma comissão para estudá-la.

Após as pesquisas, finalmente descobriu-se que o responsável pelos ataques era um inseto, a filoxera.

Numerosos indivíduos dessa espécie foram encontrados nas raízes das plantas afetadas. Até aquele momento, a doença que destruía os vinhedos era desconhecida.

A filoxera havia chegado para ficar e, poucos anos depois, converteu-se na praga global mais devastadora e decisiva na história da viticultura mundial. É curioso como esse inseto sugador chegou até os vinhedos europeus…

Naqueles tempos, um fungo chamado oídio (Uncinula necator) atacava os vinhedos da Europa e sua propagação era muito rápida, causando fortes perdas na produção. O fato teve um impacto econômico muito importante na época.

Por isso, houve urgência em encontrar uma solução para a doença.

Levaram, então, para vários pontos da França, mudas da variedade “Isabela”, importadas dos Estados Unidos, por serem resistentes ao fungo oídio e também à filoxera, razão pela qual o inseto transitou dos Estados Unidos para a França, entre as mudas dessa variedade.

O que não se sabia, até então, era que a filoxera seria ainda mais devastadora nas videiras europeias.

A imprudência e a cobiça de alguns produtores fizeram com que os vinhedos franceses fossem os primeiros a sofrer as consequências da doença, que logo se propagou para os vinhedos do resto do continente.

Os únicos não afetados foram aqueles plantados em solos arenosos, por não permitirem que os insetos se transladassem de uma planta para outra, para se instalar no sistema radicular das mesmas.

O porta-enxerto

Diante da aparição da filoxera, aplicaram-se inúmeras técnicas ou tratamentos.

Com maior ou menor sucesso, para frear o desenvolvimento da praga. Mas mesmo assim, foram necessários mais de 30 anos para superá-la.

Graças ao enxerto de variedades europeias (não resistentes à filoxera) sobre os porta-enxertos americanos (resistentes à filoxera) deu-se início a recuperação dos vinhedos devastados pela doença.

A decisão por utilizar espécies americanas foi determinada após observar que as videiras americanas conviviam com a doença sem sofrer danos.

A partir dessas espécies, produziram-se os porta-enxertos originais, sobre os quais é possível enxertar uma variedade de videira produtiva, mantendo as raízes das videiras resistentes à praga.

Os vinhedos europeus foram reconstituídos sobre uma raiz americana, mas com a parte aérea de uva europeia, já que a uva da videira americana não era perfeita para a vinificação.

Assim, quase todos os vinhedos atuais constam de um pé porta-enxerto de videira americana e um enxerto de videira tradicional da região em questão.

Desde a utilização do porta-enxerto, a filoxera converteu-se em um problema menor.

Atualmente, quase todos os vinhedos do mundo. (Com exceção dos chilenos, alguns vinhedos espanhóis e os plantados em solos arenosos). São de enxertos desse tipo.

Hoje em dia, todos os viveiros administram plantas nessas condições. Acompanhadas de um passaporte fitossanitário.

Pelo qual o viveirista garante a variedade, a origem e outros aspectos relacionados ao produtor.

Assim como a garantia de que a planta está livre de organismos nocivos. Uma vez que passou por um exaustivo controle sanitário.

Texto: Alberto Pedrajo Pérez