A pretexto das apetitosas ostras dinamarquesas, percorremos alguns dos cenários gastronômicos mais deslumbrantes da Europa, qualificados por muitos como a nova “meca culinária” do século XXI.

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Naturalmente, a cidade aproveita. Não há dúvida de que o restaurante Noma converteu a Dinamarca em um dos destinos obrigatórios, se você é amante da boa gastronomia.
O premiado estabelecimento foi considerado o melhor restaurante do mundo, até que os irmãos Roca, com o El Celler, arrebataram a respeitosa distinção.

Ainda assim, o Noma tem sido o argumento para que milhares de pessoas ao redor do mundo se desloquem até Compenhague, ávidas para descobrir os atributos da cozinha nórdica.
Cientes do interesse que despertam, os dinamarqueses buscam apresentar alguns dos seus principais produtos, como as apreciadas ostras que, provenientes das costas litoranêas, começam a ser o ingrediente essencial de seus melhores bistrôs.

Ir em busca desse apetitoso manjar é o objetivo que nos levará através dessas páginas a um dos mais belos recantos da Europa. Antes de sair de Compenhague, nosso ponto de partida, teremos que visitar um dos locais mais famosos que se fez à sombra do famoso Noma.
Dois de seus ex-chefs, Samuel Nutter e Victor Wagman, abriram na capital dinamarquesa, o restaurante Bror (“irmão” em dinamarquês).

O Bror é pequeno e charmoso.Foi conferido um ar de modernidade e descontração, com um conceito mais informal e jovem a sua cozinha.
De fato, ali não encontramos toalhas de linho, garçons empinados e educados, mas mesas de madeira e sem toalhas, e talheres e guardanapos expostos em um balde de metal para que cada comensal os acomode a seu gosto.
Contudo, sua culinária mantém regras à altura dos grandes restaurantes, deslumbrando-nos com pratos criativos e muito elaborados, porém a preços muito acessíveis.

As opções que chegam à mesa podem ser desde uma cabeça inteira de bacalhau, (adornada com pedaços empanados do mesmo pescado) a diferentes mariscos, ostras ou mesmo um prato muito original, de uma carne adocicada de cordeiro que tem que ser servida ao estilo das tortitas mexicanas.
Pouco a pouco, a fama do Bror vai se espalhando e já é difícil conseguir uma mesa sem, pelos menos, duas semanas de espera.

Além dessa parada, não podemos deixar a capital dinamarquesa sem atravessar o famoso Nyhavn (“porto novo”), um canal que entra diretamente até o centro de Compenhague e de onde podem ser avisws turistas.
Do canal partemalguns barcos que oferecem ao visitante um agradável passeio para conhecer a cidade.
Eles percorrem seus canais e portos chegando, é claro, até a Little Mermaid, símbolo da cidade dinamarquesa.
A sereiazinha é uma pequena estátua de bronze, inspirada no conto de Hans Christian Andersen e que, na maioria das vezes, acaba decepcionando o visitante que espera encontrar um monumento muito mais vistoso.

Percorrer a rua principal de Nyhavn é um dos passatempos preferidos dos turistas e dos próprios habitantes da cidade, principalmente em dias de sol e temperatura amenapois a larga avenida pavimentada está repleta de terraços e belos restaurantes.
Por lá, os arenques, o bacalhau, as salsichas ou o salmão são apelos aos pedestres que ainda podem degustar a cerveja Nyhavn Dark Alew (uma cerveja artesanal com muito corpo e sabor intenso), batizada com o nome do famoso canal.
Para os turistas com menos poder aquisitivo, é possível passear pelas ruas e parar nas barracas ambulantes de comida nas quais se pode comer cachorros-quentes com a famosa salsinha dinamarquesa, acompanhada de cebola frita, picles,ketchup e mostarda.

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As ostras são o guia

Despedimo-nos de Compenhague e partimos rumo ao Mar Wadden, a uns 300 quilômetros, na costa Sudoeste da Dinamarca. Para chegar até nosso destino, apreciamos uma paisagem tingida de cores ocre, verde e laranja, e pastos e bosques que delineiam um cenário natural, pontilhado com pequenos vilarejos de casas coloridas.
No meio do caminho, teremos que atravessar uma das obras mais importantes da engenharia atual, a ponte de Storebaelt, que se alça de forma impressionante entre a ilha de Zeeland e Fumen.
A ilhota de Sprogo serve como ponto intermediário. A ponte foi inaugurada em julho de 1998 e veio para substituir a balsa que realizava o trajeto entre as duas ilhas.
Atualmente, esta moderna construção se converteu na terceira maior ponte suspensa do mundo.

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Percorridos outros 150 quilômetros, chegamos ao VadeHavsCentret, o maior parque natural do país, visitado duas vezes por ano por cerca de 12 milhões de aves migratórias.
Além disso, o parque nacional tem a maior população de focas na Dinamarca.

Lá, também se criam milhões de ostras que abastecem todos os restaurantes da região.
De setembro a maio, este centro organiza excursões para capturar, das frias águas, essa apreciada iguaria.
Os visitantes, providos de botas de água e um cubo plástico, avançam entre as águas, coletando as saborosas ostras que serão degustadas com limão, ali mesmo na beira da praia.
Mas nem sempre se pode aproveitar da cobiçada atividade; hoje em dia,a maré engana: inunda a enseada e torna a área inacessível.

Mesmo assim, é um espetáculo poder sentir o vento, ver os enormes bandos de aves migratórias, a diversidade de espécies que habitam o fundo do mar, observar o constante movimento das águas empurrado pelas marés e, é claro, o horizonte sem fim.
Para procurar as melhores ostras, dirigimo-nos para as águas frias do norte de Jutland, no recanto mais afastado do país. Porém, no caminho, há uma parada obrigatória: o restaurante Henne Kirkeby Kro, dirigido pelo famoso chef Paul Cunningham que deixou Copenhague, onde havia conquistado a estrela Michelin com o conhecido restaurante The Paul, situado no famoso Parque de Diversões Tivoli.

Este chef inglês fugiu da cidade grande para um cenário idílico perto do mar. Onde faz uma cozinha que, em breve, espera-se que também seja reconhecida com uma nova estrela Michelin.
Paul e sua equipe interpretam como ninguém as ostras. Oferecendo uma variedade impressionante de receitas. Cada uma mais criativa que a outra. Empregando esse produto trazido do Mar de Wadden e de Jutland, nosso próximo destino.
Nesse restaurante, sugere-se prová-las ao natural. Depois, só com limão e vinagre da região. E, posteriormente, experimentá-las com outros sabores. (Como na proposta onde são servidas em uma sopa reinterpretada a partir de um
bloody mary. Cozidas com manteiga e algas ou preparada no terraço, no calor das brasas da churrasqueira, com manteiga e vinagre).

Um banquete dificilmente superável.
A cozinha de Cunningham soa como a velocidade do rock and roll. Em sua equipe, as pessoas não passam dos trinta anos e essa juventude é transmitida a tudo o que fazem.

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Delicadeza extrema

O carro nos levará até as frias águas de Juntland. No recanto mais ao norte da Dinamarca.
Percorremos 100 quilômetros até chegar a Lemi vig. Um pequeno vilarejo de pescadores.
Se quisermos conhecer a gastronomia local, é imprescindível comer no restaurante Bjarne e família. Um charmoso local, situado no porto onde se pode degustar o melhor peixe da região à beira mar.
O Bjarne também é uma peixaria onde pode-se comprar tanto peixes frescos como pescados já preparados e prontos para levar para casa.

O peixe empanado, assim como o salmão, os arenques defumados e a torta de salmão são excelentes.
Com o estômago cheio. Continuamos a perseguir nosso objetivo; aproximarmo-nos da costa para coletar, com nossas próprias mãos, as ostras. Aqui, encontramos a variedade batizada com o nome de limfjords. Um autêntico manjar, de extrema delicadeza. Que se desenvolve graças à baixa salinidade das águas. E às gélidas temperaturas.
Disso resulta um crescimento mais lento do animal. E, consequentemente, uma maior concentração de sabor.
Um pescador local nos entrega tudo que é necessário para a coletar as ostras; trajes e botas impermeáveis. Cubo plástico. Um cano com uma lente que nos permite ver o fundo do mar e um cone com uma espécie de peneira metálica em um dos extremos para recolhê-las.

Nesse âmbito, a tarefa é simples. E, enquanto introduzimos a lente na água, descobrimos algumas ostras grandes no fundo; com a rede metálica as capturamos e as depositamos no cubo metálico.
Elas serão o nosso lanche. Depois vem a praia e a degustação.
O pescador se mostra um grande mestre na abertura da ostra. Que, somente com um pouco de limão, inunda o nosso paladar de sabor.

A surpresa é maior quando aparece uma garrafa de champanhe. Para aumentar o prazer do momento, é possível acrescentar-lhes um pouco de vinagre envelhecido da região ou degustá-las com uma cerveja preta também local.
O sol vai se pondo e a brisa gelada fazem com que decidamos partir.
Pela frente, temos ainda cerca de quatro horas de carro para chegar até Copenhague. Durante a volta, o grupo percorre alguns quilômetros em silêncio. Cada um perdido em seus pensamentos, com o sabor intenso do mar na boca. E a certeza de ter feito uma incrível jornada para um dos mais belos destinos da Europa.

Texto: Alberto Granados