grapes

O Carmenére é uma cepa originária de Bordeaux, França. Originalmente se utilizava para compor os grandes vinhos daquela região. Dizem que esta cepa rara foi cultivada em Médoc no início do século XVIII. Porém seu vigor e baixa produção fizeram com que o cultivo fosse abandonado. Além disso, no meio do século XIX, em 1850, a cepa Carmenére quase desapareceu da Europa, como resultado da Filoxera.

Em 1548, foram plantadas as primeiras videiras no Chile.
A partir da segunda metade do século XIX, a indústria vitivinícola chilena experimentou uma mudança importante. Graças ao visionário viticultor Don Silvestre Ochagavía, que deu início à substituição das variedades espanholas de alta produção (e menos aptas para a vinificação de qualidade), por variedades francesas como Cabernet Sauvignon, Cot, Merlot, Pinot e Carmenére.

Mas desde que a variedade Carmenére chegou ao Chile, esta cepa foi confundida com a Merlot. Uma vez que foram plantadas juntas e, em pouco tempo, ficou praticamente impossível para os viticultores locais distingui-las.
Passaram-se quase três séculos antes de sua identificação no Chile.
Em 1993, ela foi reconhecida pelo ilustre ampelógrafo e professor da Universidade de Montpellier, Jean Michel Boursiquot, a pedido do professor Claude Valat, da mesma universidade, que havia detectado a presença de uma cepa estranha entre os vinhedos chilenos de Merlot.

Junto com o enólogo chileno Philippo Pszcolkowski, descobriram que nos vinhedos Carmen de Alto a Merlot não era Merlot, nem tão pouco eram vinhedos de Cabernet Franc, como muitos haviam especulado naqueles tempos.
“Isto é Carmenére!”, disseram ambos.
E assim, começaram a reescrever a história desta variedade que soube encontrar seu espaço, seu lugar e sua identidade.

sociedade-da-mesa

O Carmenére é uma cepa caracterizada pela cor, a qual seu nome faz referência: o carmim, um vermelho particularmente profundo. É um tinto amável e de taninos suaves. Em seus aromas há uma grande expressividade,
desde as características nuances de pimentão verde até notas de frutas maduras (framboesas, amoras, cerejas e ameixas), além de café e chocolate. Boca suave, com grandes concentrações e finais longos e potentes.

A Carmenére beneficia-se do clima chileno, cálido, temperado e de verões longos, já que esta cepa amadurece tarde. No vinhedo, requer um cuidado especial, uma vez que, por ser vigorosa, tende a desenvolver mais folhas que cachos, o que se traduz, se não for corretamente cultivada, em um gosto vegetal.
Por isso, é necessário manejá-la corretamente para controlar seu vigor e o momento correto de cortar a uva, que é geralmente tardia, depois da Cabernet Sauvignon.

Os vinhos procedentes desta variedade são geralmente suaves, agradáveis, pouco “agressivos” na boca. E, por essa razão, podem ser consumidos mais rapidamente.
Os tintos de Carmenére costumam ser frutados, dominados por frutas vermelhas e taninos redondos.
Por outro lado, sua baixa acidez geralmente permite um desenvolvimento mais rápido: com 5 ou 6 meses de guarda, o vinho obtém a maturação necessária para conseguir notas de complexidade, sem perder o bom corpo. Por outro lado, esse aspecto reduz a longevidade dos vinhos jovens.

Experimente nossas seleções e viva a melhor e mais abrangente experiência enológica. Associe-se!