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Neste mês, aproximamo-nos de uma das regiões produtoras de vinho mais importantes do mundo, para selecionar o nosso Obras-Primas. Mais concretamente, estamos falando de uma das maiores Denominações de Origem. Saint-Émilion, em Bordeaux.
Se existe um lugar cuja visita é obrigatória para os amantes do vinho, esse lugar é Saint-Émilion.

Um dos povoados vinícolas mais bonitos e atrativos que se pode encontrar. Saint-Émilion é uma das principais regiões de vinho tinto de Bordeaux e do mundo. Ao lado de outras em seu entorno, como Médoc, Graves e Pomerol.
Como em Pomerol, nas outras denominações da margem direita do Rio Gironda, as principais varietais utilizadas são a Merlot, com 60% do total e a Cabernet Franc, com 30%, além de pequenas quantidades de Cabernet Sauvignon, com 10% em alguns Châteaux – caso do vinho que selecionamos nesta ocasião.

Os solos de Saint-Émilion estão claramente definidos e classificados. Podemos distingui-los em cinco tipos:
Solos calcários. Nos quais a profundidade de enraizamento não ultrapassa algumas dezenas de centímetros e os elementos assimiláveis, assim como a água, encontram-se à disposição das plantas de forma abundante.
Solos formados por seixos arenosos aluviais quaternários. Nos quais a vinha pode estender suas raízes mais profundamente.
Solos arenosos. Da mesma origem geológica, porém sem cascalhos ou seixos, nos quais a extensão das raízes está limitada por uma camada bastante superficial.
Solos argilo-arenosos. Um pouco menos calcários. Nesta região, está uma parte importante dos châteaux mais significativos.
Solos de textura argilosa. Com uma importante proporção de partículas inferiores a dois micrômetros.

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Nestas terras, o vinhedo vem sendo cultivado desde a época romano-galesa. Mas a chegada dos visigodos fez com que tivesse início uma longa crise, até que, séculos depois, em 1199, quando toda a Gironda foi dominada por ingleses, “João Sem-Terra”, o rei da Inglaterra, outorgou liberdade à Saint-Émilion e estabeleceu um jurado que administrou a comarca e regulamentou, entre outras coisas, a elaboração do vinho e seu comércio, recuperando a região em todo o seu esplendor. É importante destacar que a área em questão foi definida na carta de 1199 e continua sendo a mesma que tem a A.O.C. Saint-Émilion.

Durante o século XVIII, o jurado combateu a utilização abusiva do nome de Saint-Émilion, que era principalmente utilizado pelos viticultores de Bergerac. Também inspecionou as bodegas e, desde 1742, gravou o brasão da cidade nas barricas de maior qualidade.
Com a chegada da ferrovia em 1853, o mercado de Paris, do norte da França e posteriormente dos países baixos, abriu-se para os vinhos de Saint-Émilion. Sem dúvida, a exportação, que se realizava a partir do porto de Bordeaux, continuava dominada pelos vinhos de Médoc. Os vinhos da margem direita não faziam parte da classificação de 1855, pois eram vendidos por negociantes de Libourne, no lugar dos de Bordeaux, que foram os que organizaram tal classificação.

Saint-Émilion Grand Cru Classé
IMG_0539Mais que um termo, Grand Cru é um conceito que poderia ser traduzido como “terreno grande”, “grande finca” ou “grande vinho”. É uma ideia que evoca vinhos excepcionais, provenientes de um excelente terroir e do “saber fazer”. Sendo o terroir uma associação entre terra, varietal, solo e clima que, junto com o “saber fazer” do viticultor, tem como resultado um determinado tipo de vinho, cuja qualidade é extraordinária.

Grand Cru é uma classificação tanto legal como informal. A primeira classificação legal foi realizada para Médoc, pela ocasião da Exposição Universal de Paris de 1855, quando Napoleão III encarregou a classificação formal dos melhores vinhos da França que, por coincidência, já tinha os claretes de Bordeaux. A tarefa foi dirigida à Câmera de Comércio de Bordeaux, a qual oficializou o pedido com a famosa classificação de Grand Crus Classés de 1855 de Médoc e de Sauternes. Classificaram-se 60 vinhedos em cinco níveis: do primeiro ao quinto em Médoc e dois níveis
com 25 Châteaux. É por isso que somente nestas denominações utiliza-se o termo Grand Cru Classé, de 1855 e, nas outras, é indeterminado.

O Syndicat Viticole da região começou a planejar uma classificação para o vinho de Saint-Émilion já em 1930 e, logicamente, apoiou-se na classificação de 1855. Mas foi apenas em 7 de outubro de 1954, que os princípios da classificação foram oficializados. Com a aceitação do INAO em assumir a responsabilidade de trabalhar a classificação. A primeira lista das fincas Saint-Émilion classificadas foi publicada em 16 de junho de 1955 e retificada em 7 de agosto e 18 de outubro de 1958.
A lista continha 12 Premier Grand Crus Classés e 63 Grand Crus Classés.

Desde 1955, repetidamente a cada 10 anos, os Châteaux de Saint-Émilion são classificados em função da qualidade de seus vinhos. O exame que coloca à prova, a cada década, a qualidade dos vinhos desta região vitivinícola de referência, é extremamente rigoroso.
Somente poucas bodegas são capazes de manter-se entre as melhores Gran Cru Classé. Motivo de orgulho para nosso clube por apresentar, neste mês, este Château Ripeau 2006 Saint-Émilion Grand Cru Classé.

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