O que é vinho ecológico?
Vinho ecologico

Na Europa, é cada vez mais habitual encontrar em restaurantes, lojas de vinhos e de produtos naturais os chamados vinhos ecológicos. (Conhecidos também por orgânicos ou biológicos). Sabemos que o vinho é considerado, há muito tempo, um alimento que atua positivamente em nosso organismo. Desde que seja consumido de maneira responsável. Hoje em dia, temos à disposição muitos artigos sobre sua ação salutar. Principalmente para o coração e para o sistema circulatório. E quando o assunto é saúde, entende-se que se o produto for elaborado respeitando sua origem ecológica, tanto melhor.

E o que faz o vinho ser tão saudável?
São principalmente os polifenóis, taninos, antocianinas. Além dos potentes antioxidantes naturais que a uva possui. E que se encontram na pele e em suas sementes. Mesmo que esses componentes apareçam com mais intensidade nos vinhos tintos. Com as novas técnicas de elaboração dos brancos (com longas macerações pré-fermentativas), é possível aportar igualmente componentes antioxidantes como as catequinas, glutationa ou borras procedentes das leveduras e da fermentação.

Portanto, não se trata somente de cor quando falamos das quantidades de polifenóis presentes no vinho. Mas sim de técnicas de elaboração, de variedade da videira, de clima, de terreno e de práticas de cultivo dos viticultores. É importante entender que os compostos antioxidantes presentes na uva não têm o objetivo de melhorar a saúde dos seres humanos. Mas de proteger a própria uva e seu entorno. Deste modo, se formos capazes de fazer com que a planta aumente naturalmente esses compostos. Também conseguiremos que esse aumento se reflita nos vinhos.

Como podemos conseguir que a uva obtenha maior quantidade de antioxidantes naturais?
Principalmente, induzindo a própria planta a desenvolver suas defesas naturais frente aos ataques de pragas e doenças, para que a própria autodefesa favoreça a criação de antioxidantes. É aqui que a agricultura ecológica, longe da convencional, pode nos ajudar. Isso porque a agricultura convencional parte da superproteção dos cultivos contra as pragas e doenças, reduzindo o sistema imunológico das plantas e, portanto, debilitando, a longo e médio prazo, sua capacidade de autodefesa por meio dos polifenóis, por exemplo.

O que é exatamente um vinho ecológico?
Na realidade, mais que um vinho ecológico, falaremos de vinho procedente de uva ecológica, porque esse é o ponto-chave: a uva deve ser procedente de cultivo ecológico. São vários os requisitos que a normativa estabelece para um vinho poder entrar na categoria de vinho ecológico. Entre eles, destacam-se os seguintes:

– Os vinhedos devem ser adubados com adubos orgânicos naturais, principalmente aqueles que são de resíduos vegetais provenientes do próprio cultivo, como bagaços ou ramos triturados e compostados. Também podem ser utilizados fertilizantes de origem animal, porém estão totalmente proibidos os adubos de origem mineral ou sintéticos.
– Minimização dos trabalhos agrícolas para manter a estrutura do solo.
– Manutenção da biodiversidade, favorecendo o crescimento da vegetação espontânea para que sirva de reservatório de flora e fauna auxiliar.
– Tratamentos preventivos com enxofre, cobre e Bacillus thuringiensis contra a possível ocorrência de pragas e doenças, sendo proibidos todos os elementos de síntese química.

– Minimizar o uso de conservantes, diminuindo ao máximo a adição de enxofre.
– Rastreabilidade e controle para evitar a contaminação na bodega dos vinhos ecológicos elaborados.
Lembre-se de que um vinho ecológico sempre terá em seu contra rótulo o certificado de que é parte da Denominação Genérica “Agricultura Ecológica”, pois tanto o sistema de produção quanto o de controle são os mesmos para a maioria dos países que aplicam essa legislação. Até aqui, tudo parece ótimo e maravilhoso, mas não podemos esquecer de uma importante premissa enológica: os vinhos orgânicos não são vinhos melhores só por serem orgânicos. Um bom vinho depende de fatores inerentes à própria qualidade da uva, fatores técnicos etc., que são os verdadeiros “arquitetos” de um vinho. Ou melhor, de um bom vinho.

Texto: Alberto Pedrajo Pérez

Fotos: divulgação