A viagem a Mendoza foi um tributo ao bom humor, à beleza e ao paladar. Com um grupo incrível formado por associados, percorremos um lugar repleto de “segundas intenções”. Em Mendoza, tudo é irretocavelmente sedutor.

DSCN2194A paisagem, por si só, já valeria a intrepidez de enfrentar a baixa temperatura que encontramos por lá. Mas aquela cidade sabe ser generosa com aqueles que a visitam!
A recompensa foi senti-la na cordialidade do povo mendocino, no dourado das folhas que arborizam as amplas vias da cidade, no cheiro do mosto das uvas, na rusticidade das videiras que se rendem para ter sua história engarrafada. Além, é claro, do bom azeite, do sabor do pão quente e da elegância que nos chegaram à mesa, para brindarmos, mais uma vez, a satisfação de nos encontrarmos em mais um dos lugares impressionantes do globo.

É verdade que em Mendoza o amanhecer é “manhoso” e resistiu para nos entregar as cintilações de cores que matizaram cenas, como as de casinhas singelas, pintadas com cores primárias e da engenhosidade insuperável da Natureza, que tinge, a seu bel-prazer, as folhas outonais, os cascalhos e a vegetação andina – paisagens capazes de nos remeter a um espaço interior do qual só nos aproximamos em oportunidades como as dos caminhos de uma Mendoza mais profunda.
A caminho de Juán de Cuyo, uma parada para reverenciar o “colosso branco”: a cordilheira dos Andes. Estar aos pés dos Andes nos faz esquecer, por alguns segundos, de qualquer ausência. É uma experiência impetuosa, que exige uma atitude de devotamento, para depois devolver-nos a nós mesmos, melhores do que somos. E mais lúcidos para brindar à vida.

foto paisagem 2Nas diferentes bodegas que visitamos, encontramos a cultura viva do vinho. Vimos uma gente que se debruça sobre o desafio de transformar a potencialidade das videiras em vinhos reputados.

Algumas delas, com mais austeridade; outras, com mais glamour, mas todas coadunadas à genialidade de seus enólogos e ao que aquelas terras propícias podem oferecer ao mundo em termos de bons vinhos. Ah, sim! Sobre a gastronomia: houve muita harmonia ao longo de nossas harmonizações. Degustamos vinhos em lugares primorosos, embora sem afetações, numa atmosfera onde os sabores e aromas caíram bem para aqueles dias dedicados à arte da celebração. Mas o que efetivamente assegurou a alegria de momentos tão especiais foram os associados que compuseram esse grupo. A companhia dessas pessoas fez com que todos os vinhos degustados alcançassem uma justa aclamação.

Ao lado delas, desdenhamos de silêncios desconfortáveis e derramamos, em nossas taças, vinhos e ricas interações. Contudo, é necessário enfrentar uma pontinha de frustração: nessa breve narrativa, até que bem intencionada, não temos como abarcar tudo o que foi vivido em nossa viagem a Mendoza – e por motivos óbvios! Por mais que nos empenhemos, não temos como ser suficientemente competentes para traduzir tudo o que uma experiência como essa é capaz acrescentar em nossas vidas… e taças.

Posto isso, deixemos que a saudade de Mendoza inspire-nos para um novo destino – sim, voltaremos a cruzar fronteiras para pisar outros terrenos dessa nossa paixão!
E quando o próximo convite aparecer, sugerimos, como sempre, que você experimente. Iremos levá-lo pela rota mais saborosa que conhecemos: a do livre exercício dos prazeres do vinho. E da mesa, é claro!

Texto: Alessandra Nascimento

Fotos: Sérgio Zunella, Ademir e Hilda Almeida