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ALELLA – ENTRE O MAR E A MONTANHA
Alella é por mérito próprio uma das grandes e históricas regiões vitivinícolas da Espanha. No passado foi terra de excelentes vinhos brancos. Mas pouco a pouco, os tintos conseguiram seu espaço. E hoje em dia são reconhecidos pelos consumidores. Acontece que estamos em um dos primeiros assentamentos de produtores de uva na Península Ibérica, após a colonização grega, que chegou a esta região através do Mediterrâneo, e que os romanos desenvolveram de maneira intensa em Tarragona e Maresme, convertendo a região em um importante centro exportador  de vinhos do Império Romano, através do porto de Tarragona.

A Denominação de Origem Alella está situada ao noroeste da província de Barcelona e é uma das menores da Europa. Tem uma superfície cultivada de vinhedo de 400 hectares, similar ao vinhedo particular de algumas bodegas espanholas. Em Alella, a somente 20 quilômetros da cidade de Barcelona, selecionamos este sensacional Parxet Brut Reserva 2011 para que nossos associados se despeçam de 2014 e brindem ao ano novo.
As condições edafoclimáticas de Alella são muito particulares. Suas vinhas próximas ao mar Mediterrâneo estão sobre um terreno arenoso procedente do intemperismo sofrido pelas rochas graníticas de sua montanha, denominado “sauló”. Isso confere a seus vinhos características muito diferentes das de seus vizinhos mais próximos do Penedès, que também pertencem à Denominação de Origem CAVA. E dos que estão bem perto, na serra do litoral. Mas esta barreira montanhosa que separa ambas as zonas por poucos quilômetros, criou um microclima e condições edafológicas muito diferentes, com as consequentes diferenças em seus vinhos.

A serra litoral paralela ao mar tem um papel importantíssimo nas condições ambientais de suas vinhas. Ela atua como uma barreira com 500 metros de altura. Condensando os ventos úmidos procedentes do mar, e permitindo uma umidade muito constante, que ajuda a restituir o equilíbrio hídrico da planta. Provocado pelo “sauló”, além de evitar a chegada dos ventos do nordeste, frequentes durante o inverno. Sem dúvida, esta barreira montanhosa é a chave para entender as características geradas em Alella e seu particular clima Mediterrâneo. Determinado por verões cálidos e secos, com tormentas ocasionais, invernos suaves e primaveras e outonos chuvosos. Sua pluviometria de 546 mm anuais. Mesmo que significativa, encontra-se no extremo menos chuvoso de Maresme.

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O “SAULÓ”
A orografia e a geologia são duas características diferentes desta região, mas provavelmente o “sauló” é o elemento mais interessante e singular da Denominação de Origem Alella. É a principal característica edafológica, considerada um dos fatores de qualidade para a obtenção de seus vinhos.
A pouca distância entre o mar e a montanha que existe nesta região, provoca um desnível topográfico importante, uma barreira de condensação para as umidades marinhas e, logicamente, uma evacuação das águas superficiais de chuvas muito intensas, típicas enxurradas do Maresme, que acontecem no outono.
A geologia é tipicamente granítica, com solos constituídos, em sua maior parte, por quartzo, feldspato e mica, que são a origem do “sauló”. O granito é um mineral de fácil meteorização, como consequência do clima. Esta decomposição também faz parte da origem do “sauló”. Os solos gerados pela desintegração são ligeiramente ácidos, com uma textura arenosa e de baixo conteúdo de argilas e matéria orgânica. Sua capacidade de retenção de água é muito baixa, já que é muito permeável, portanto de fácil drenagem e evaporação.

A orografia colabora de forma ativa nesta meteorização mecânica do granito, que com o passar do tempo, vai se arrastando desde a rocha mãe e formando nas zonas baixas estes solos tão característicos, arenosos, muito desagregados, pobres em matéria orgânica e de tonalidade clara. A cor branca faz com que o solo reflita mais a radiação solar e esse excesso de luz e calor colabora com a maturação dos cachos.

A PANSA BLANCAparxet
Pansa Blanca é o nome que se dá a Xarello em Alella e no Maresme. Sem dúvida, é a variedade por excelência da região. Mas também própria de Penedès e Tarragona. Junto com as variedades de uva Viura ou Macabeo, e a Parellada, a Pansa Blanca é utilizada para a elaboração do Cava.
Este varietal é conhecido por diferentes nomes como: Pansa Blanca, Pansa Rosa, Cartoixá, Cartuja Blanca, Cartuxa, Pansal, Pansalet, Pensal Blanco, Viñate, Xarel-ló, Xarelo, Xarelo Blanco, Xarello…
Sua possível origem situa-o na costa do levante espanhol, sendo suas principais regiões de cultivo as de Alella, Costers del Segre, L’Empordá-Costa Brava, Penedès, Pla del Bages, Priorato e Tarragona.

Esta variedade de uva branca de grande qualidade e personalidade apresenta, do ponto de vista enológico, um elevado grau alcoólico e uma boa acidez. Costuma ser aromática, saborosa e estruturada. O resultado são vinhos com um bom volume em boca. O que é uma boa base para os cavas, graças à sua capacidade de envelhecimento, que se destaca quando amadurece na garrafa durante muitos anos, complementando as outras variedades.

Geralmente apresenta aromas de mel, frutas brancas, notas florais e erva-doce. Amadurece entre o meio e o final de setembro. É a variedade por excelência da D.O. de Alella. As vinhas da uva Pansa Blanca produzem cachos de tamanho médio, porém densos. Sendo o fruto compacto, esférico, doce e de pele grossa. Sua produção é bastante irregular, já que é muito sensível a geadas e às doenças causadas por fungos, como o Mildiu. Mas por sorte, na zona de Alella, a ausência de geadas facilita, permitindo ao produtor concentrar-se nos tratamentos do vinhedo, para garantir colheitas abundantes e constantes.

PARXET
Bodegas Parxet é uma referência na elaboração de cavas. Uma empresa familiar, cuja tradição na elaboração de vinhos data de princípios do século XX. E sempre se caracterizou por ser inovadora. De fato, foi uma das primeiras a comercializar um Brut Nature.

A história de Parxet inicia-se no século XVIII. Quando a família Suñol adquiriu a finca Mas Parxet em Tiana (Barcelona). Começando nela a elaboração vinícola. Mas só em 1918 o nome desta bodega começou a relacionarse a produção de cavas. Naquele ano, seus proprietários decidiram orientar a produção para um tipo de elaboração nova, que começou a virar moda na zona do Penedès (Barcelona). Os vinhos espumantes elaborados através do sistema francês conhecido como “Champennoise”. O “Tradicional”, na época denominados Champagne, e que, mais tarde, receberiam o nome de Cava.
A viticultura é uma das chaves da bodega para a elaboração de seus excelentes vinhos. Cultivando principalmente os varietais Pansa Blanca, Viura e Parellada, que são acompanhados por Chardonnay e Pinot Noir, em alguns de seus vinhos. Esta família, que há 500 anos elabora vinhos, não vê o seu trabalho como uma obrigação. Seu interesse pelo mundo do vinho é fruto da superação contínua, vindima após vindima, e da melhora de seus vinhos. Uma declaração de intenções de família!

Texto: Alberto Pedrajo Pérez e Javier Achútegui Dominguez.

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