Texto: Priscila Urbano      Fotos: banco de Imagenslavanda

Natural da região do Mediterrâneo, onde também recebe o nome de “ouro-azul”. A lavanda faz parte de um dos mixes mais populares de ervas da gastronomia. Compõe, com o alecrim, tomilho, cerefólio, manjericão, orégano e outros condimentos, as ervas provençais ou Herbes de Provence. Naquela região, no início de julho, começam as festividades em torno da cultura da lavanda. Assemelha-se ao Carnaval no Brasil; com carros alegóricos e desfiles de bandas, destilação da planta, fogos de artifício e bailes noturnos.

O termo lavanda é originário da palavra em latim lavare – no sentido de lavar a alma e até mesmo o organismo. Sua harmonia é marcada principalmente pela presença das cores do campo e do carinho da terra. Historicamente, a lavanda passou por diferentes processos em diferentes períodos, culturas e civilizações. Os egípcios usavam as flores de lavanda no processo de mumificação. Na medicina tradicional chinesa, era usada para tratar de infecções, ansiedade, febre e alguns casos de infertilidade. Na Europa, foi manipulada como antídoto, para controlar a expansão da peste. Atualmente, sobretudo na medicina alternativa, é indicada para pessoas que sofrem de insônia, estresse, depressão e ansiedade. Na forma de óleo, é utilizada para acompanhar banhos e massagens, o que ajuda a proporcionar uma sensação de frescor e bem-estar.

Na gastronomia, essa erva contribuiu tanto para a culinária rústica quanto para a requintada, chegando a ser tempero de um dos pratos prediletos da rainha da Inglaterra, Elizabeth I. O segredo é usá-la com parcimônia, porque em excesso, deixa cheiro de perfume e gosto amargo.

Seu óleo essencial é muito utilizado na cozinha, sendo um ingrediente indispensável, principalmente para confeitaria e panificação. Suas flores, com pétalas púrpura, podem ser utilizadas no estado fresco ou seco e, ao mesmo tempo, para decoração de pratos, saladas e simpáticos banquetes.

Uma forma gostosa e recomendável de se usar a lavanda é, por exemplo, adicionar uma quantidade razoável de flores secas em uma porção de açúcar granulado. A mistura se transformará num delicioso açúcar aromático de lavanda, recomendado para adoçar principalmente o chá verde ou o preto, podendo também ser consumido em cremes, pudins e sorvetes. Por ser da mesma família do alecrim, a lavanda pode substituí-lo na maioria das receitas salgadas, bastando usar o dobro dessa erva no lugar do alecrim. Combina com frutas vermelhas, ameixa, cereja, frango, cordeiro, coelho e chocolate.

É importante ressaltar que seu uso na culinária exige um certo cuidado, pois existem duas variedades: a lavanda francesa e a lavanda inglesa, também chamada de lavanda comum. A primeira possui um sabor picante, amargo e alto teor de cânfora – por esses motivos é mais indicada para fins medicinais. A segunda é a melhor para cozinhar, pois tem baixo teor de cânfora, aroma seco e é mais fácil de encontrar, sendo cultivada na França, Itália, E.U.A. e Argentina. No Brasil, sua produção está concentrada nas montanhas de Cunha (próxima a Paraty)  e nos vales da região de Gramado (sul do país).

No filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, a personagem Amélie,  vivida por Audrey Tautou, delicia-se na delicadeza de um Creme Brulée no qual a lavanda é o ingrediente protaogonista. E se “a vida imita a arte”,  por que não se deliciar com esta delicada receita de Creme Brulée com lavanda?

lavanda2Creme Brulée ao Perfume de Lavanda e Mel 

Para essa receita, iremos precisar de 300 ml de leite; 50 g de mel; 20 g de lavanda fresca; 10 unidades de gema de ovo; 80 g de açúcar refinado; 700 ml de creme de leite fresco.

Seu preparo é simples e semelhante ao modo de fazer um pudim de leite tradicional. Primeiramente, ferva o leite com a lavanda e o mel. Passe-o pela peneira e reserve. Com auxílio da batedeira, bata as gemas com o açúcar até que obtenha uma textura de cor amarelo claro, semelhante à gemada e reserve. Posteriormente, misture o creme de leite fresco, o leite reservado (com mel e lavanda) e a mistura de gemas batidas. Mexa bem até obter uma mistura homogênea. Deixe descansar por aproximadamente duas horas na geladeira. Passado esse intervalo de tempo, retire da geladeira. E, com uma escumadeira, tire a espuma que se formou por cima. Dê uma pré-aquecida ao forno de 100ºC (sem deixar ferver). Coloque a mistura levemente aquecida em pequenos ramequins. Leve ao forno em banho-maria, por aproximadamente 40 minutos.

Retire do forno. Deixe esfriar na geladeira por, no mínimo, seis horas. Depois disso, em cada ramequin, polvilhe com açúcar cristal e queime com maçarico até formar um caramelo. Se não tiver maçarico, você pode esquentar uma colher na chama do fogão. E, em seguida, queimar o açúcar aos poucos. Depois de pronta, essa receita irá transbordar a mesa em tons de lilás e suaves aromas do campo. Ideais para compartilhar com amigos e familiares queridos.

 

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