Texto: Alberto Pedrajo Perez

O que faríamos sem a pontuação dos críticos de vinho? Certamente, resistiríamos bastante a experimentar novos vinhos que desconhecêssemos. Consumiríamos massivamente os que são amplamente conhecidos e têm a sua qualidade comprovada pelo bom marketing. Ou aqueles sempre disponíveis, que seriam consumidos até com certa inércia. Com certeza, apenas quatro loucos iriam se atrever a experimentar vinhos desconhecidos. O restante cairia na rotina enológica por conta das dúvidas.

É que, ante a decisão de consumir um vinho ou outro; ou guiamo-nos por nossa experiência prévia; ou pelas indicações de um sommelier; ou pelas sugestões de algum conhecido; ou ainda – e cada vez mais – pelas recomendações de guias de vinho ou revistas especializadas. Temos que agradecer a existência destes guias, que nos abrem as portas para vinhos desconhecidos. Convertendo em fator determinante as pontuações concedidas pelos críticos mais importantes do mundo. Cuja qualificação pode influir na aquisição final.

Sem dúvida, os guias não devem ser mais do que uma ferramenta de consulta. Que serve para superarmos o medo de experimentar novos vinhos. Temos de ser nós mesmos, mediante a degustação e o uso dos nossos próprios sentidos. A aprofundar o nosso  conhecimento sobre vinhos, o que progressivamente nos ajudará a desfrutar mais da degustação. Além de interpretar de maneira mais precisa as recomendações de críticos, guias e revistas. Esse deveria ser o principal objetivo, quando um crítico realiza uma breve cata de um vinho em seu guia, E o pontua de acordo com o seu critério. Não há por que ser semelhante ao nosso julgamento. Como diz o dito popular; “gostos e cores não se discutem”. E portanto essas pontuações devem servir como um complemento na seleção de um vinho.

Mas algo mudou nos guias de vinhos. O que antes servia ao objetivo de orientar o novo consumidor. Progressivamente converteu-se em uma importante ferramenta de vital importância dentro do setor.

É incrível como um reduzido grupo destes prescritores conseguiu influenciar o mercado do vinho ao extremo, criando tendências dentro do mercado vitivinícola e convertendo os vinhos que recebem notas muito altas por parte de alguns críticos renomados, em vinhos de “culto”, que podem aumentar o seu valor exponencialmente depois de uma pontuação elevada, como resultado de um incremento da demanda. E esse é o ponto arriscado que, em algumas ocasiões, pode corromper o sistema: “se meus pontos te fazem ganhar dinheiro como produtor, eu, como crítico, deveria receber algo em troca…”.

A origem

Os guias de vinho são uma consequência do auge que a temática do vinho atingiu a partir dos anos 1970, embora a primeira publicação que realmente tenha gerado interesse de forma abrangente tenha sido o livro “The Complete Wine Book”, publicado por Frank Schoonmaker, jornalista americano em 1934, depois da Grande Depressão, logo após o fim da Lei Seca dos Estados Unidos, em  21 de março de 1933, quando Roosevelt legalizou a venda de vinho. Este prolífico autor pode ser considerado como o primeiro comunicador universal de vinhos e, curiosamente, é de origem norte-americana e não europeia. Digo isso porque, naquele tempo, o “centro” do vinho situava-se claramente na Europa, dominado por especialistas franceses, que falavam do vinho de forma técnica e distante para o consumidor, dificultando, portanto, a sua acessibilidade.

Surgiram, então, atrás de Schoonmaker, autores anglo-saxões com um estilo mais direto, que publicaram livros sobre o mundo do vinho dedicando um limitado espaço para seus vinhos favoritos como sugestões. Porém,  foi com a chegada de Robert Parker Jr., que publicou em 1978 a primeira edição de seu popular “The Wine Advocate” que os guias de vinhos se popularizam e com eles as tão desejadas pontuações que, de forma clara e direta, classificavam os vinhos catados pelo crítico. Apenas quatro anos depois, em 1982, o número de assinantes de sua revista já começou a crescer de forma espetacular, graças à publicação de seus comentários sobre a evolução dos vinhos para guarda. Naquele ano, nenhum dos críticos da época concedeu boas pontuações para a safra de 1982, catada em “primeur” em Bordeaux, exceto Robert Parker, que a julgou excelente –  e, anos depois, o tempo lhe daria razão.

Parker não só recomendava o vinho depois de provar, mas seus comentários converteram-no em uma espécie de oráculo, único em seu gênero naqueles tempos. Na atualidade, sua publicação bimensal, na qual não há nenhum tipo de publicidade, é seguida por milhares de consumidores pelo mundo e nela encontram-se as tão ansiadas notas da cata dos vinhos que ele e sua equipe realizam diariamente. Seus julgamentos têm um enorme impacto na demanda e no futuro comercial destes vinhos. Embora trate-se do crítico mais conhecido, ele não é o único. Na atualidade, são dezenas os críticos que têm grande influência sobre a demanda de vinhos. Além disso, ganham cada vez mais protagonismo as redes sociais, como ferramenta de comunicação ágil e direta, onde o próprio usuário opina sobre o vinho degustado, gerando, em muitos casos, tendências de caráter local.

Como são as pontuações de um vinho?

Cada especialista determina um sistema de pontuação. A maioria dos “gurus”  especialistas em vinhos mais conceituados tendem a avaliá-los em uma escala de 100 ou 50 pontos, ainda que outros, como é o caso da crítica Jancis Robinson, façam-no em uma escala de 20 pontos. Portanto, antes de conhecer se um vinho é bem avaliado, devemos saber sobre a escala que o está avaliando. Recomenda-se que você visite algumas das páginas mais reconhecidas, onde é possível obter informações sobre sua metodologia de cata e critérios de pontuação.

Muitos criticam o efeito de pontuação e guias de vinhos, que dizem ser pernicioso para criar tendências. Às vezes estimulando os consumidores a comprarem e consumirem apenas os vinhos que obtiveram pontuação em torno de 90. Elevando os preços desses vinhos.

Isso faz com que os vinhos com pontuação abaixo de 80 vendam menos; e produtores sejam forçados a abaixar seus preços. Do meu ponto de vista, eu acho que a influência destes guias é maior para o aumento das vendas de vinhos bem pontuados, em detrimento dos mal pontuados, sendo em geral, como indicado no início do artigo, uma boa base para que o consumidor abra seus horizontes enológicos.

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