Cafeteirascafeteira

Até o século X, o café era usado como alimento em regiões onde crescia de maneira selvagem, como a África – o continente é o berço das duas espécies que produzem café, Coffea arabica e Coffea canephora. Até que a função estimulante contida nos grãos de café fosse descoberta, comia-se a fina camada de polpa doce que recobre as sementes do fruto. Depois, passou-se a comer grãos de café transformados em pasta e misturados à gordura de animais.

Logo os árabes, responsáveis pelo domínio das técnicas de plantio e de preparo do café, tiveram a ideia de mergulhar os grãos em água e produzir uma bebida. É a eles, portanto, que se deve o início da bebida café. E algum tempo depois, veio a ideia de juntar aos grãos socados, mas ainda verdes, água fervente. Os árabes só descobriram como torrá-lo no século XIV e logo começaram a moê-lo, produzindo uma bebida melhor.

Em toda a história do café, de sua descoberta até o século XIX, boa parte das pessoas preparava a bebida sem o auxílio de cafeteiras. Apenas misturavam os grãos moídos numa panela com água fervendo e o vertiam sobre um filtro ou diretamente na xícara, deixando que o pó assentasse. Esse último método de preparar a bebida é chamado de café turco e é, provavelmente, o método mais antigo de preparar café que conhecemos. Parece ter surgido há quatro séculos e é comum nos países árabes, na Turquia, na Rússia e na Grécia, além de alguns outros países do leste europeu e no norte da África. Café, açúcar e água são colocados numa pequena panela, chamada ibrik, e levados ao fogo para ferver três vezes. A bebida é, então, depositada na xícara, onde o pó decanta.

A partir do final do século XVIII, porém, a história das cafeteiras tornou-se repleta de inovações. Uma das primeiras foi um aparato conhecido como Biggin, inventado, diz-se, por um certo francês chamado Biggin. Inventado na década de 1780, o biggin era um pote de café com dois compartimentos e uma tira de pano (algodão ou estopa) no compartimento superior, que retinha o café e onde se despejava a água, filtrando a bebida até compartimento inferior.

Outra das primeiras cafeteiras inventadas foi o Sifão (balanced siphon, em inglês), que com alguns desenvolvimentos, está muito na moda hoje em dia, sendo usada por chefs e mixologistas. Criada em Berlim em 1830, contém duas câmaras contíguas, onde atuam as pressões do vapor da água e do vácuo para a produção do café: a parte inferior do recipiente contém água que, quando ferve, passa através de um sifão para o recipiente superior, onde se dá a filtragem do café. Uma espécie de borracha ajuda a criar vácuo na parte inferior do aparato durante o preparo do café, enquanto uma espevitadeira (apagador de chamas) é acionada e desliga o aquecimento, permitindo que a água resfrie e retorne à câmara original, já como bebida.

Já a French Press, ou cafeteira francesa; é um método mundialmente difundido. Os franceses inventaram-na em torno de 1850. Consiste numa jarra, com um êmbolo contendo uma fina tela de metal, que separa a borra do café que será servido, após o acréscimo de água fervente. A patente de 1929, entretanto, cabe ao designer milanês Attilio Callimani. Chamadas cafetiere, em italiano, as novas cafeteiras francesas mudaram pouco desde a sua origem (as primeiras eram feitas de metal), sendo agora feitas com diversos materiais, como vidro, aço e policarbonato.

cafeMas são os italianos os responsáveis pela invenção da Mocha. Popularmente conhecida como cafeteira italiana. Foi patenteada em 1933 por Luigi De Ponti. Para o italiano Alfonso Bialetti. Com vários tamanhos – que servem de uma a 18 xícaras –, a mocha prepara o café ao passar água pressurizada por vapor através do pó moído. Ela é composta de dois compartimentos que se comunicam através de um filtro de metal perfurado, localizado no centro da peça. O café moído fica na parte superior e a água, na de baixo. Com o aquecimento da cafeteira, a pressão do vapor faz com que haja a passagem da água para o compartimento superior e através do pó de café.

Outra cafeteira interessante surgiu anos mais tarde, pelas mãos dos americanos. Inventada em 1941; a Chemex consiste num frasco de vidro que lembra um erlenmeyer dos laboratórios de química. Mas cujo pescoço é mais largo e em formato de cone. Onde se coloca um filtro de papel apropriado para a filtragem do café.

Os americanos criaram também uma das maiores invenções dos últimos anos para se preparar a bebida. Criada em 2005; a Aeropress é uma espécie de seringa gigante. De funcionamento bastante simples. Nela, o café moído é misturado com a água fervida e pressionado por um êmbolo através de um filtro de papel. Colocado em sua base. Atualmente, a Aeropress é a cafeteira favorita dos maiores especialistas de café do mundo.

As cafeteiras elétricas, desenvolvidas em meados do século XIX. Também revolucionaram o mercado. Em 1972; surgiria a Mr. Coffee. A primeira cafeteira automática. Assim, para além das máquinas de café expresso, criadas na Itália no final do século XIX; há ainda centenas de aparatos para o preparo de café no mercado. É só escolher e apreciar a bebida!

Texto: Ana Caldeira

Fotos: banco de imagens