Nesta coluna você encontrará fatos e curiosidades sobre a química e composição de alimentos, além de algumas de suas contribuições para o organismo, sempre de forma leve e gostosa, no espírito de enaltecer o viver bem, com prazer e alegria.

BerinGela ou BerinJela?

Tanto faz, Mas faz bem!

berinjela

Parece piada, mas existe uma rixa entre dicionários no que se refere à Solanum melongena. O Aurélio grafa-a com “j” e o Houaiss, com “g”. Dizem que com “j” é do Português do Brasil e com “g”, do Português de Portugal, ó pá! Como não queremos ferir os brios deste ou daquele dicionário, vamos escrevê-la como brasileiros e considerá-la um vocábulo de dupla grafia.

Originária da Índia e cultivada no Brasil desde o século XVI, a berinjela também diverge nas nomenclaturas: cientificamente falando, é um fruto, pois se desenvolve a partir do ovário de uma flor fecundada. Mas no jargão popular da feira livre e das donas-de-casa, é considerada legume, porque fruta, afinal de contas, é doce. E berinjela não é.
POLEMICAMENTE SAUDÁVEL

Como se duas polêmicas fossem pouco, ainda temos mais uma, que trata da discussão se a berinjela é mesmo efetiva contra o colesterol. Um estudo experimental da Unicamp feito em coelhos garante que é. A pesquisa constatou redução de 30% nos níveis de colesterol com o uso do legume/fruto. E antes que alguém polemize com isso também, é bom avisar: nenhum coelhinho fofo foi ferido no experimento. Mesmo assim, muitos ainda dizem que as pesquisas são inconclusivas a esse respeito. Por outro lado, existe uma desconfiança unânime dos estudiosos em relação aos poderes milagrosos e emagrecedores do extrato seco de berinjela em pílulas, que cansamos de ver na televisão nas madrugadas insones. De qualquer forma, a receita do suco de laranja com berinjela da vovó continua inofensiva. Pode tomar sem medo.

Discussões à parte, sobram benefícios na berinjela, enquanto componente importante para uma boa alimentação. Ela é grande fonte de proteínas, tem propriedades laxantes, digestivas e, além de tudo, é magrinha: cada 100 gramas de berinjela crua têm só 20 calorias.

Quimicamente falando, nosso fruto/legume também não fica atrás: é uma importante fonte de betacaroteno, que melhora a imunidade e protege a pele dos raios ultravioleta, entre outros benefícios. Seu suco é um poderoso antioxidante, sua pele conta com um flavonóide chamado nasunina, que protege contra a ação dos radicais livres, e sua composição é rica em vitaminas, minerais, e fibras. Confira:

– Potássio: ajuda a controlar a pressão e o estresse.

– Magnésio e cálcio: fortalecem os dentes e os ossos.

– Zinco: faz bem para os sistemas reprodutor e imunológico.

– Vitamina B1 (tiamina): a chamada vitamina antiestresse é boa para os sistemas nervoso e cardiovascular, transforma carboidratos em glicose e produz energia.

– Vitamina B2 (Riboflavina): ajuda na cicatrização e contribui para o crescimento.

– Vitamina B3 (Niacina): metaboliza carboidratos e ajuda na produção de energia, entre outras propriedades.

– Vitamina C: combate e reduz os sintomas de gripes e resfriados, acelera a cicatrização e aumenta a imunidade.

– Ácido clorogênico: composto fenólico que combate os radicais livres.

E como se tudo isso fosse pouco, a berinjela ainda é versátil. Assada, grelhada, refogada, à milanesa, recheada, no cuscuz, no suflê, nas tortas e até na lasanha, fica uma delícia. Com ou sem tempero de polêmica. O freguês é quem manda.

Texto: Paulo Samá

Fotos: banco de imagens