O forno de micro-ondas não surgiu como o resultado de uma tentativa de se encontrar um jeito melhor de cozinhar os alimentos. As origens do equipamento datam da Segunda Guerra Mundial, nos anos 1940. Naquele período conturbado, dois cientistas inventaram o magnetron, um tubo que produz micro-ondas. Ao instalar esses tubos nos sistemas de radar britânicos, estas ondas minúsculas foram capazes de detectar aviões de guerra nazistas em seu caminho para bombardear as Ilhas Britânicas.

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Alguns anos depois, descobriu-se, afinal, que estas ondas também cozinhavam comida. A ideia de usar a energia das micro-ondas para cozinhar comida foi descoberta, acidentalmente, pelo engenheiro norte-americano Percy Le Baron Spencer, da empresa Raytheon. Em 1945, ele estava fazendo um tour no laboratório de radar da companhia em que trabalhava quando viu que as ondas do radar haviam derretido uma barra de chocolate em seu bolso. Spencer sabia que as micro-ondas geravam calor e, então, supôs que essas ondas poderiam ter escapado do tubo de magnetron, atingindo a barra de chocolate. As gorduras, portanto, foram a mola propulsora para a descoberta do potencial culinário das micro-ondas.

O que intrigou o engenheiro não foi o fato de o chocolate derreter com o calor produzido por aquelas ondas magnéticas, mas, sim, o de não ter sentido tal calor. Experimentos se seguiram daí. Spencer comprou milhopara fazer pipoca e colocou o alimento em frente ao do tubo de magnetron. Em instantes, as pipocas estouraram. O experimento seguinte foi feito com um ovo cru. Spencer colocou-o num pote em frente ao tubo de magnetron. O ovo explodiu. O engenheiro concluiu, então, que o ovo cozinhara de dentro para fora e, por conta dessa pressão, estourara. Esses experimentos, portanto, mostraram que o aquecimento por ondas poderia aumentar a temperatura interna de vários alimentos, muito mais rápido que o aquecimento convencional.

Micro-ondas nada têm a ver com ondas de radiação. São simplesmente ondas leves, tais como aquelas que geram a luz visível. Micro-ondas são uma classe específica de ondas de luz invisíveis. Elas são ondas de comprimento menor, cuja frequência é, ainda, maior do que a das ondas de rádio. Por outro lado, as micro-ondas do equipamento culinário detêm maior comprimento e menor frequência que as ondas infravermelhas que reconhecemos como calor.

Estas ondas refletem na maioria dos metais, mas são produzem ressonância em átomos de várias outras substâncias. Foi a descoberta desta reação com os metais que levou à invenção do radar. Foi essa habilidade de ressonância que levou à invenção do micro-ondas.

microondas2Assim como as grelhas e os broilers, o forno de micro-ondas deposita energia e então, aquece a comida por transferência radioativa, embora o calor radioativo do micro-ondas trabalhe de maneira diferente destes outros métodos – por vibrações, que geram calor. E essa ondas não aquecem o ar, os pratos ou qualquer uma das partes do equipamento. Elas apenas aquecem elementos como água e óleo. Assim, substâncias secas não serão aquecidas no aparelho. Isso explica porque pode-se aquecer água num copo de papel num micro-ondas. As ondas penetram um centímetro ou dois para além da superfície do alimento. Entretanto, não caramelizam ou douram carnes ou outros pratos, pois não atingem temperatura suficiente para ativar as chamadas Reações de Maillard.

O primeiro forno micro-ondas comercial da Raytheon, o Radarange, foi comercializado em 1954. Com 1600 watts de potência, o forno era tão grande, pesado e caro que tornava-se viável apenas para restaurantes e usos institucionais.

Os fornos de micro-ondas entraram nas cozinhas domésticas em 1967, quando uma divisão da empresa Raytheon, chamada Amana, introduziu uma versão doméstica no mercado. A Tappan Stove também é tida como a primeira empresa a fazer micro-ondas domésticos. Caro, o equipamento demorou um certo tempo para decolar. Porém, o conceito de cozinhar rápido por meio de ondas já se instaurara. Depois do lançamento da Raytheon, várias outras companhias passaram a lançar seus modelos. No início dos anos 1970, os preços começaram a cair. Atualmente, praticamente toda casa moderna tem um forno de micro-ondas.

Em meados da década de 1990, o forno de micro-ondas passou a servir, também, à ciência. Observou-se que a tecnologia do micro-ondas promovia um aumento na velocidade das reações químicas, quando comparada a experimentos feitos sob aquecimento convencional. Desde então, passaram a ser desenvolvidos aparelhos de micro-ondas especificamente para serem usados na síntese orgânica, auxiliando o químico em seus experimentos.

Texto: Paula Mendonça

Fotos: banco de imagens