Vamos para a Grécia, para o lar de Dionísio, deus do vinho, (Baco na Civilização Romana), terra de mitos e história. Para os gregos, o vinho foi um presente do deus Dionísio, por isso, poetas, filósofos e artistas glorificavam o vinho em muitas de suas obras, como na Ilíada, na Odisseia e textos de Platão.

Esta terra, berço da Civilização Ocidental, é também a origem da vitivinicultura, desde onde se estendeu pelo Mediterrâneo, prolongando pelos séculos uma tradição que chega até a atualidade.

Entre os séculos XIII e XI a.C., os vinhedos da Grécia desenvolveram-se  de maneira mais significativa.
Nessa época, os vinhos gregos gozavam de uma grande reputação e foram exportados por todos os lados do Mediterrâneo e em grandes quantidades. O conhecimento profundo da vinificação, acompanhado de sua visão comercial, fizeram com que seus vinhos, em potes de barro e decorados com delicadas artes procedentes de Creta, Ática e Rodas, pudessem ser consumidos ao longo do Mediterrâneo.

O apogeu decaiu durante os séculos da dominação otomana da Península Helênica, e a videira e o vinho passaram a ser meros produtos agrícolas locais para autoconsumo, até que em 1830 a Grécia alcançou a independência e os gregos passaram a se dedicar novamente à viticultura.

sociedade-da-mesa

Mas, nada voltou a ser igual nesse campo na Grécia, após a dominação turca. O país viveu à beira do abismo após enfrentar duas guerras mundiais e uma cruel guerra civil, que não ajudou muito em seu desenvolvimento.

Com uma produção similar à do Brasil, os vinhos gregos são grandes desconhecidos para o público em geral. Surpreende que, mesmo sendo uma das culturas com mais tradição vitivinícola, seus vinhos não tenham o reconhecimento que outros países próximos, para os quais os gregos mostraram as técnicas de cultivo e elaboração. Serão esses vinhos de melhor qualidade que os gregos? Os vinhedos gregos não foram capazes de demonstrar o seu potencial?

Não acredito! São várias as razões históricas que dificultaram o reconhecimento de seus vinhos, que têm muita personalidade e mantêm tradições ancestrais de elaboração, como por exemplo a utilização da resina de pinho. Trata-se de um gosto desconhecido pelo paladar internacional que, em alguns casos, pode ter sido responsável por essa falta de compreensão dos vinhos tradicionais gregos.

Mas talvez o fator de maior relevância tenha sido a falta de regulamentação da produção de vinhos no país. Mesmo com seus mais de 3.500 anos de conhecimento sobre o assunto, os gregos tinham muito que aprender com seus vizinhos europeus, no que toca as leis de controle que regem os vinhos. Os abusos por parte dos produtores dificultavam a diferenciação entre os vinhos de qualidade e aqueles leves, sem personalidade, para turistas.

No passado, muitos amantes do vinho consideravam os “Retsina” como vinhos “menores”.  Esse tradicional vinho grego é aromatizado com resina de pinho, uma tradição que remonta aos tempos de Homero. Na época o vinho era transportado em ânforas de barro cozido, seladas com uma pasta composta de gesso e resina que impedia a entrada do ar, mantendo-o protegido da oxidação. Mas, ao mesmo tempo, isso aportava um sabor característico, que encobria qualquer sinal de deterioração. Os gregos acreditavam que os vinhos envelheciam graças à resina e foi daí que nasceu a tradição de adicioná-la ao vinho. E é claro que os gregos tiveram algum motivo para conservar esta tradição por 2.700 anos.

[widget id=”blog_subscription-3″]

A Grécia dispõe de excelentes condições de cultivo para o vinhedo. O calor relativo desta região fica temperado, normalmente pela influência do mar e a altitude de seus vinhedos. As condições climáticas são bastante constantes, e os solos pobres, rochosos, com grande conteúdo de calcário, xisto, barro e areia, destacando-se, em algumas ilhas, solos de origem vulcânica.

No país pioneiro no cultivo da videira, atualmente estão catalogadas aproximadamente 300 variedades de uva. Entre elas, as que se destacam são Aziri, Aidani, Asirtiko, Batiki,  Debina, Malvasía, Moscatel  de grão miúdo, Moscatel de Alexandria, Roditis, Robola, Savatiano, Verdea e Vilana, entre as brancas autóctones; e entre as variedades tintas, Agiorgitiko, Kotsifali, Krasato, Liatiko, Limnio, Mandilaria, Mavrodafni, Moscofilero, Negoska, Xinomavro e Stavroto. São variedades pouco conhecidas, exceto a Malvasia e a Moscatel, portanto, temos pelo menos a garantia de nos surpreender com os seus vinhos.

Na Grécia existem nove regiões vitivinícolas principais, que se subdividem em inúmeras Denominações de Origem, muitas delas tradicionais e reconhecidas, que são: Peloponeso, Creta, Ilha de Eubea na Grécia Central, Macedônia e Trácia, Tessália, Ilhas do Mar Jônico, Ilhas do mar Egeu, Dodecaneso e Épiro.

Leia mais e conheça sobre os vinhos gregos da nossa Seleção Mensal Tetramythos Agiorgitiko 2013 e Tetramythos Retsina 2013.

Conheça as vantagens de fazer parte da Sociedade da Mesa, clube de vinhos! Associe-se!