De mesa em mesa

Texto: Ana Caldeira

A mesa – palavra que deriva do latim Tabula, ou tábua -, além de ser a estação de trabalho padrão na cozinha, é o centro de reunião, onde se realizam grande parte das refeições.

Desde o terceiro milênio antes de Cristo, refeições são feitas em mesas. Na Mesopotâmia, os jantares eram servidos em mesas, lisas, de madeira talhada ou com metal ou marfim incrustados. Costumes árabes também revelavam um serviço de mesa formal. Jantares muçulmanos deviam ser servidos à mesa, como proteção contra a gula, pois o agachamento em volta da comida levava as pessoas a comerem demais.

No Egito antigo, as mesas eram geralmente baixas e de quatro pernas, embora houvesse de três pernas. Redondas, eram feitas de madeira ou pedra. Seu uso não era muito comum, mas muitas eram colocadas em tumbas, como mesas de oferendas.

A disposição dos convivas à mesa de jantar registra a hierarquia social que prevaleceu em cada época. Na era clássica, jantares eram um elo forte entre o soberanos e seus dependentes. Os anfitriões gregos montavam mesas individuais na frente de cada convidado, nas quais serviam a refeição.

O estilo parece ter mudado nos tempos de Alexandre o Grande. Após sua campanha pelo Oriente Médio, Norte da África e Índia, jantares encorajavam a partilha de comida e bebida e a reciprocidade de convites. O triclinium romano – sala de jantar composta por três sofás, ou chaises – era focado em banquetes: escravos montavam mesas e sofás em formato de “U”. Para os romanos, comer e beber em conjunto foi um de seus mais significativos rituais sociais, inextrincavelmente entrelaçado ao tecido da vida pública e doméstica.

mesaO espaço romano para refeições serviu de modelo para a maioria dos países da Europa Continental e das Ilhas Britânicas na Idade Média. Na Inglaterra anglo-saxã, os lordes ocupavam a única cadeira disponível. Sua mesa de banquete era uma prancha dobrável, posicionada em cavaletes, e apresentava o melhor da hospitalidade de alguém. Os convidados sentavam-se ao redor, em almofadas.

Margaret Visser, no livro “O Ritual do Jantar”, assim descreve a mesa de um banquete medieval: “convidados especiais e o anfitrião sentavam-se na elevada ‘mesa superior’, sobre a qual ficava um imenso saleiro de prata, marcando o lugar do anfitrião”. Já nos séculos 17 e 18, diz a autora, os aristocratas europeus não queriam muito saber de lugares hierarquizados. “Muitas vezes as mesas eram bem pequenas e, significativamente, redondas”, explica Visser. Também nos banquetes medievais, em casas de nobres, funcionários costumavam provar as comidas (que podiam estar, por exemplo, envenenadas) em mesas laterais à mesa alta do anfitrião, chamadas “mesas de credência”.

Nas cozinhas do medievo, a mesa também servia como um móvel de serviço, para abrir massas, limpar peixes ou preparar carnes. Gavetas centrais guardavam utensílios de cozinha. A partir do século 16, a mesa de quatro pés substituiu os arranjos de cavaletes. Os serviçais frequentemente as colocavam próximas à lareira, para manter as comidas quentes.

Nas refeições da Renascença, surgiram mesas com pernas dobráveis. Os convidados passaram a sentar-se nos dois lados da mesa, apoiados em bancos ou em cadeiras com braços.

Em meados do século 18, as mesas europeias ganharam abas laterais de mogno, um recurso versátil que permitia a junção de duas ou mais mesas para a realização de banquetes.

Nos Estados Unidos, no século 20, as mesas de serviço nas cozinhas darão espaço para os gabinetes. A partir de 1890, eles se tornaram grandes e independentes, com armário para guardar mantimentos, racks integrados e um pequeno balcão para preparar os alimentos, além de gaveta. As mesas laminadas surgiriam apenas em 1950, e, para os americanos, iriam tdar glamour a cozinha moderna. A combinação da facilidade de limpeza do revestimento plástico e das pernas tubulares, cromadas, teriam enorme sucesso e dominariam o mercado, com opções voltadas para as jovens famílias. O plástico oferecia as mesmas cores brilhantes das latas, das louças e dos acessórios de cozinha, e permitiu aos designers introduzir o que, à época, foi considerado algo elegante e casual nos ambientes informais da cozinha e copa.

Ao mesmo tempo, as ilhas culinárias, colocadas no centro das cozinhas, também iriam, lentamente, garantir seu lugar nos Estados Unidos. A partir de meados do século 20, de acordo com o livro “America`s Kitchen”. Além de uma estação de serviço na cozinha, ela passou a servir de mesa, recebendo os convidados

Hoje em dia encontramos mesas de diferentes tamanhos, materiais, cores e modelos. Mas em todas elas continuamos a celebrar a fartura da cozinha e a reunião daqueles que amamos.

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