Fábio Angelini

A ANTIGA NOVA ONDA DOS TRÓPICOS.

Muito já se falou e muito ainda vai se falar sobre a graviolagraviola, a julgar pelos efeitos do seu sabor e o potencial terapêutico. A fruta Annona muricata, também conhecida pelos brasileiros como araticum, jaca do Pará e coração de rainha, é originária das Antilhas e está presente em quase todas as regiões de clima tropical. É uma velha conhecida das tribos indígenas da Amazônia peruana e seu histórico de uso medicinal vem de séculos. Entre os seres urbanos, a coisa é bem mais recente. Mas o que geralmente fascina a todos que experimentam sua polpa branca, tenra e carnosa, ou que bebem do seu suco, é o delicado perfume e o suave paladar agridoce, semelhante ao da fruta-do-conde. Por isso, ela tornou-se popular na culinária contemporânea e ingrediente principal de várias receitas – a maioria delas puxando para o doce, como não poderia deixar de ser. Escolha a textura que você quiser: sorvete, chá, mousse, manjar, pavê, milk shake, geleia, pudim. Sem ser sobremesa? Que tal um suflê, uma torta, um filé de peixe com emulsão de graviola.

 

ENTRE TANTOS BENEFÍCIOS, TAMBÉM A ESPERANÇA.

Quem possui um quintal razoável pode até pensar em cultivo, porque a árvore da graviola é pequena e frutifica o ano todo. Ainda mais se levarmos em conta a sabedoria dos nativos americanos, que há centenas de anos utilizam todas as partes dela para uma série de tratamentos. Segundo eles, folhas, casca, polpa e sementes têm indicação para cuidar de inflamações e infecções bacterianas, diarréia e verminoses, tosse e asma, psoríase e herpes, diabetes e hipertensão, artrite e depressão, sem citar tudo. Mas praticamente tudo carece de corroboração oficial, embora as propriedades nutricionais da graviola ajudem a sustentar certas crenças.

Na prática, ocorre que muita gente recorre ao chamado extrato concentrado, principalmente para reforçar o sistema imunológico ou combater algum tipo de câncer. Aqui começam as discussões, polêmicas e esperanças. De fato, sabe-se que existem compostos químicos produzidos pela planta, as acetogeninas, que despertam enorme interesse da comunidade científica internacional. Testes apontaram que a substância é dotada de altíssima toxicidade seletiva contra inúmeros tipos de células cancerosas – ou seja, ataca apenas o tumor, preservando as células sadias. As análises clínicas, no entanto, não foram feitas nem confirmadas em seres humanos. E também ainda não se conseguiu sintetizar o tal princípio ativo em laboratório.

Bem, enquanto aguardamos pesquisas mais aprofundadas, o certo é que a graviola, além de gostosa, suculenta e cheia de expectativas, também é cheia de vitaminas e sais minerais indispensáveis, além de pouco calórica: somente 60 kcal em 100g da fruta. Dê preferência ao consumo in natura, como fruta, ou na forma de suco, sem adição de água. É bom de qualquer jeito.

 

  • Fibras: colaboram para o bom funcionamento intestinal e promovem a sensação de saciedade.
  • Cálcio: fundamental para a formação óssea e prevenção da osteoporose.
  • Vitamina C: tem ação imunológica, desintoxicante e antioxidante. Boa para a pele.
  • Potássio: com propriedades diuréticas que ajudam a reduzir a pressão arterial e controlar a frequência cardíaca.
  • Vitamina B1 (tiamina): otimiza o metabolismo dos carboidratos e ajuda a regular o gasto de energia.
  • Vitamina B2 (riboflavina): favorece o metabolismo de gorduras, açúcares e proteínas. Conserva os tecidos, principalmente os do globo ocular.
  • Fósforo: ajuda a preservar a saúde dos ossos, a regenerar os tecidos e regular o pH do sangue.
  • Triptofano: melhora o humor e o sono, diminui a ansiedade e a depressão.

Atenção, agora: a graviola deve ser evitada por gestantes, em função das suas propriedades vasodilatadoras. Recomenda-se ainda que os hipotensos e hipertensos acompanhem a pressão arterial junto a seus médicos. E as pessoas com sensibilidade estomacal, ou que estão com aftas e outras feridas na boca, que não abusem também.

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