Marchinhas, fantasias, desfiles, azaração, suor e muito samba. É Carnaval! A única festa onde a gente coloca os problemas na geladeira e só tira na quarta-feira de cinzas – de preferência depois das 12h, por favor.

A coisa é antiga. Já por volta de 520 a.C., a Babilônia tinha festas como a Saceia, onde um prisioneiro virava rei por alguns dias e ficava com tudo do rei – incluindo a(s) esposa(s). Mas o fim da brincadeira não era dos mais festivos: o prisioneiro era executado.

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Já na Grécia, o pessoal ficava bem vivo nas festas de Dionísio, o deus do vinho. Baco, seu paralelo romano, deu origem aos bacanais, festas de arromba onde tudo podia. Nas Saturnálias e Lupercálias, escravos trocavam de lugar com os senhores. Mais tarde, em Florença, surgiram os trionfi – carros alegóricos da época. E na França, os bailes de máscaras exclusivos dos figurões originaram as festas a fantasia.

A Igreja Católica, no entanto, não era muito fã dessas festas nem de inversões sociais. Assim, criou a Quaresma e enquadrou as festas pagãs antes dela. Nascia o Carnaval – do latim carnis levale – “retirar a carne”. Uma “despedida”, para se fazer tudo que era proibido no período seguinte, marcado por jejum, privação e oração.


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O BRASIL E O ENTRUDO

No Brasil Colônia, a farra foi influenciada pelo Entrudo português, festa de rua onde se jogava farinha, ovo e tinta nas pessoas. No Entrudo Familiar das casas nobres, os jovens atiravam limões de cheiro (bolas de cera com água perfumada) entre si; e no Entrudo Popular, versão mais “punk” que em Portugal, escravos e população “guerreavam” com água, farinha e até líquidos menos pomposos. Apesar de proibido, o Entrudo Popular ainda hoje tem manifestações em brincadeiras “pegajosas”, como a Pipoca de Salvador; e o Mela-Mela de Olinda.

MUITAS CARAS, UM SÓ CARNAVAL

Logo vieram os Cordões, com foliões dançando atrás de um mestre e um apito; os Blocos, com amigos cantando e dançando na rua sem nenhum enredo, e os Ranchos, com violas, cavaquinhos e até flautas, de onde vieram o porta-estandarte e a semente das futuras escolas de samba.

Hoje em dia, nosso Carnaval junta de tudo: frevos, maracatus, marchinhas, sambas e muito mais. Em São Paulo e Rio, os tradicionais desfiles dão o tom; na Bahia os trios elétricos sacodem milhares, assim como o Carnaval de Rua de outros estados. Em Santos (SP), há manifestações como o Banho da Dorotéia (que ainda tem acento), com dezenas de marmanjos fantasiados de mulher, num divertido festival de batons borrados e pernas peludas.

O pula-pula das datas do Carnaval.

As datas mudam porque os feriados católicos são calculados em função da Páscoa, sempre no primeiro domingo de lua cheia após 21 de março. A terça-feira de Carnaval é sempre 47 dias antes da Páscoa.

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Folia na mesa

– Para quem vai pôr o “pé na jaca”: bebidas refrescantes, sucos e sorvetes. Se for bebericar, prefira bebidas geladas – caipirinhas, cervejas, drinques frozen etc. Apele para “comidinhas”: sanduíches naturais, saladas e massas leves para manter o nível de carboidratos. E muita, muita fruta mesmo!

– Não gosta de Carnaval? Use a criatividade e prepare a receita que tiver vontade. Acompanhada por um bom vinho, é claro. Mas dê uma olhadela nos desfiles da TV, ao menos pra não ficar boiando nas conversas quando voltar ao trabalho.

TEXTO: PAULO SAMÁ

 

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