Entrevista Camila Ciganda - Restaurante Jacaranda - Credito Giuliana Nogueira (1)

Uruguaia da cidade de Carmelo, a jovem sommelière Camila Ciganda está há dois anos no Brasil, país que escolheu para aprender mais sobre a sua paixão, os vinhos. E o interesse pela profissão surgiu quando Camila estava na faculdade de Gastronomia, por incentivo de seus professores. “Meu professor de Enologia sempre me falava que eu tinha uma percepção diferente sobre vinhos e nas aulas eu sempre me destacava.

Aí comecei a pensar em estudar para ser sommelière, porque eu gosto muito de trabalhar na cozinha, mas também adoro o contato com os clientes, mostrar as novidades, trocar experiências e assim, comecei a estudar para atuar na área em que ingressei em 2009”, conta a sommelière.

Após se formar no curso de sommelière, ainda no Uruguai, trabalhou no restaurante Al Forno. Quando desembarcou em solo brasileiro buscando expandir o seu conhecimento sobre vinhos, chegou ao Rio de Janeiro e passou pelos restaurantes Salitre Gastronomia e  Symposium Vinho e Bistrô.

Depois de um ano na cidade maravilhosa, mudou-se para São Paulo, por ter referências sobre a cidade ser a capital da gastronomia na América do Sul e desde estão assumiu o serviço de vinhos dos restaurantes Jacarandá, Martín Fierro e La Frontera. Camila se considera uma apaixonada pela bebida e faz parte de uma nova safra de sommeliers, que querem tornar o entendimento sobre vinhos mais simples, mas com muito conteúdo.

A seguir, um bate-papo com a sommelière.

Qual era a sua relação com o vinho antes de se tornar sommelière?
Eu sou do Uruguai, da cidade de Carmelo. Nasci numa cidade superpequena e a minha família sempre foi ligada ao vinho, meus avós faziam vinho por causa da cultura e da tradição do país, e também por serem franceses. Então cresci com o vinho presente na mesa.

Entrevista Camila Ciganda - Restaurante Jacaranda - Credito Giuliana Nogueira (4)O que te trouxe a São Paulo?
Eu vim porque a cidade é a capital gastronômica da América do Sul. Além disso, aqui no Brasil tem várias coisas que me atraíram. Primeiro, porque queria fazer um curso que estou estudando, que é o WSET, mas o principal motivo é porque é a capital gastronômica, tem restaurantes incríveis e uma variedade de vinhos muito maior do que o Uruguai.

Também queria vir para o Brasil por ser o único país da América Latina com um idioma diferente, e gostaria de aprender a falar português. Primeiro passei um ano no Rio e agora faz um ano que estou em São Paulo.

O Uruguai é um país que tem bastante tradição na cultura de vinhos. Já no Brasil esse costume vem crescendo a cada ano. Como você enxerga esse contraste entre as culturas?
Acho que são dois mercados parecidos e ao mesmo tempo diferentes. No Uruguai a cultura  é mais forte: por exemplo, o meu pai bebe vinho todos os dias, o vinho está presente na mesa a todo momento. Então, a pessoa se preocupa em aprender mais, aqui não tem tanto isso.

Mas eu vejo um interesse muito maior aqui das pessoas quererem experimentar coisas novas, de procurarem tendências, de procurarem novas importadoras, novos rótulos e novas regiões.E por ser menor, no Uruguai a procura é diferente. E eu acho superlegal, porque esse interesse que os brasileiros têm sobre a bebida faz com que a gente sempre busque algo novo e diferente para apresentar aos clientes.

Desde quando você trabalha no Jacarandá e como é o seu trabalho no restaurante?
Desde 2014 eu trabalho nas três casas da proprietária Ana Maria Massochi: Jacarandá, Martín Fierro e La Frontera. Um fato de destaque é que depois de 35 anos aos de inauguração do Martín Fierro, eu fui a primeira a trocar a carta inteira de vinhos e incluí apenas vinhos da América do Sul, isso por uma questão básica: queria mostrar o potencial do continente em pequenas vinícolas e com vinhos orgânicos, numa casa que leva o nome de um clássico argentino. Meu trabalho se resume em garimpar os rótulos que eu acho que podem agradar os clientes.

sociedade-da-mesa

Como é o trabalho de escolher os vinhos para combinar com os pratos dos restaurantes?
Eu sigo a lógica do cardápio, que é ter influência da cultura do país que é referência e inspira a culinária de cada um dos restaurantes. O conceito de harmonização é muito pessoal, depende  do momento, do clima e da atmosfera que envolve a situação. É óbvio que temos regras, mas sempre estamos dispostos a mudanças e a sugerir coisas diferentes, para proporcionar uma experiência única a cada refeição.

Os apreciadores de vinhos e sommeliers têm fama de serem críticos, por causa das regras durante as degustações. Pelo que percebi, você já faz parte de uma nova geração de profissionais que vem desmistificando esse aspecto. Como você avalia o novo cenário da profissão? Desde que você ingressou na área, muita coisa mudou?

Entrevista Camila Ciganda - Restaurante Jacaranda - Credito Giuliana Nogueira (6)Eu acho que ser sommelier é uma coisa e ter paixão por vinho é outra. Eu sou uma apaixonada, na minha opinião, o vinho não é algo que trabalho com frescura, o vinho está na minha casa, na minha mesa desde que nasci, então é a minha paixão. Eu o trato com o respeito que merece e vou me comunicando sempre com o conhecimento que tenho. Não critico quem torna o vinho uma coisa complicada, mas considero um trabalho diferente do meu.

Eu acho que é uma forma mais simples da pessoa ter um contato maior com o vinho, se a gente facilitar. Porque se eu falar algo técnico sobre vinho, talvez a pessoa não vá entender, mas se falo do produtor, da região, a pessoa vai ter um contexto melhor e passar a entender mais. O meu trabalho do dia a dia é esse, o de simplificar para as pessoas as informações de cada vinho que ofereço.

Para quem está iniciando na área ou para quem quer saber mais sobre vinhos, quais são os seus conselhos?
Eu acho que é uma profissão muito linda e tem que gostar bastante. Por conta do horário do trabalho, que é diferente. Você trabalha no fim de semana; no feriado; à noite; então tem que gostar bastante. E quando você faz algo com paixão, você não sente as dificuldades. E é mais fácil de você transmiti-la. Um conselho que eu dou para quem está iniciando é sempre se manter informado. Pois tem que estudar muito; ler bastante e se manter atualizado para poder saber cada vez mais.

E para finalizar, quais são os seus planos para o futuro?
Quero aprender mais sobre a profissão em lugares diferentes do mundo. Seguir estudando e degustando muitos vinhos.

Texto : Amanda Ivanov

Conheça as vantagens de fazer parte da Sociedade da Mesa, clube de vinhos! Associe-se!