Dos portugueses ao Chá das Cinco

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Depois das champanhes do Réveillon, voltamos ao nosso chazinho, acompanhando sua trajetória pela Europa, num autêntico show de peripécias.

Credita-se o início da difusão do chá no continente aos portugueses, que traziam a bebida do Oriente. Mas Portugal fez a fama e a Holanda deitou na cama, levando à Europa a primeira carga – oficial, leia-se – de chá importado da China. Da Holanda, a bebida chegou à Europa Ocidental e também à América, onde New Amsterdam – hoje Nova Iorque – foi a primeira a adotá-la.

E FINALMENTE… A INGLATERRA

No século XVII, Portugal, temendo uma invasão espanhola, fez um acordo com a Inglaterra em troca de proteção. Além de um polpudo pagamento em moedas de ouro, a princesa portuguesa Catarina, da Casa de Bragança, entrou na dança como parte do pagamento, casando com o rei Carlos II. Fã de carteirinha do chá, ao chegar à Ilha Britânica, Catarina foi recebida pela realeza com uma caneca de cerveja.

Indignada e descontente com o marido – Carlos II era um Don Juan incorrigível – instituiu no sisudo reino as Tea Parties – festas de chá, tornando a bebida popular na corte e, logo, entre todas as classes sociais inglesas.

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ENTRA EM CENA ROBERT FORTUNE. ROBERT QUEM?

Durante muito tempo, a Inglaterra monopolizou a importação do chá chinês através da Companhia das Índias Orientais, a serviço da Coroa Britânica. No entanto, quando a China passou a favorecer comerciantes independentes, o país viu-se em maus lençóis.

Buscando os segredos de cultivo dos chineses para a autoprodução, os ingleses chamaram Robert Fortune, um obscuro botânico que tinha vivido e trabalhado na China e, óbvio, falava chinês.

Fortune viria a se tornar o que talvez seja o primeiro espião industrial da história.

Apesar do 1,90m de altura e pele rosada de escocês, o enorme britânico conseguiu se passar por chinês por dois anos, vestindo roupas nativas, raspando a cabeça e deixando apenas uma trança. Descobriu o que queria e ainda deu chá de sumiço em 12 mil mudas de chá, bem debaixo dos narizes chineses. Levou tudo pra Índia. E na colônia britânica nasceu um negócio tão lucrativo, que daria à Inglaterra o status de Terra do Chá. Fortune? Terminou seus dias bem de vida, como botânico e especialista em chás, sem que ninguém suspeitasse de sua vida dupla. Quase um James Bond.

No próximo Almanaque, a história do chá no Brasil e outras curiosidades. Aguarde.

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Anna e o empertigado Chá das Cinco

Anna Maria Russel, a sétima duquesa de Bedford, instituiu definitivamente o Five o’clock tea na Inglaterra. O hábito chegou aos britânicos com a já citada Catarina de Bragança, mas cabe a Anna a autoria legítima. A nobre senhora não conseguia esperar o jantar e se saciava com uma xícara de chá com leite e açúcar, acompanhada de salgados. Como chamava as amigas para o lanchinho, servido em grande estilo com pratarias e porcelanas, o hábito logo saiu de sua sala de chá, ganhando a Europa e, mais tarde, outros países. Quando tomar um chá bem servido à tarde, agradeça à Anna. E à Catarina também, por que não?

 

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Texto: Paulo Samá

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