Texto: Renato Soares

Beterraba: de sem graça ela não tem nada 

beterraba

 

Você faz parte daquele grupo que é fã de beterraba ou “daquele outro grupo”? Isso, aquele mesmo, que a acha “sem sal”, “comida de hospital”, “comida besta”, “sem graça”… Perguntamos, porque há por aí muita implicância injusta com a Beta vulgaris L., até de gente que nunca a experimentou.

A beterraba tem muito a oferecer em gosto, textura e versatilidade. Branca ou vermelha, é ótima coadjuvante ou protagonista de saladas, mas não faz feio fora desse ambiente. É gostosa crua, assada, cozida, ralada, em rodelas, com açúcar, com sal. Na sopa, inclusive servida em excelentes restaurantes, a beterraba dá um bom caldo devido ao sabor exótico e apreciado por muitos. Tudo isso sem falar no suco, que, como se dizia antigamente, “é o suco!”. Polivalente quando o assunto é saúde, ele estimula o aumento das plaquetas, facilita o vai-e-vem do oxigênio, fortalece os músculos do coração, combate o reumatismo, a artrite, aumenta a resistência e a imunidade, além de ser um inimigo implacável da anemia. Ou alguémduvida que aquela cor roxaescura esconde uma poderosa formadora de glóbulos vermelhos?

BOA ATÉ PARA O CARRO. AO MENOS NA EUROPA.

E isso é só o começo. A beterraba manda muito bem após as atividades físicas, pois ajuda a reduzir as dores musculares. Também melhora o raciocínio, ajuda na boa digestão e é altamente diurética. Quer mais? O açúcar de beterraba dissolvido em água funciona como calmante e tem benefícios anti-inflamatórios. As “dicas da vovó” (afinal, toda avó sempre tem as suas) sobre a beterraba também não são poucas: machucou o joelho, arranhou as pernas? Coloque folha de beterraba, que refresca. As crianças estão com tosse? Corte rodelas finas, coloque numa tijela e deixe no sereno a noite toda. De manhã, é só escorrer o xarope que se formou e dar pra criançada. Só não é um santo remédio porque santo não combina com o “vulgaris” do sobrenome.

E como se não bastasse, a leguminosa descoberta pelos antigos romanos também funciona como combustível alternativo na Europa, como elemento usado na preparação do etanol.

MAGRINHA E POUCO CALÓRICA, PORÉM VITAMINADA

Para quem pensa que a beterraba é calórica, vai o alerta: a que tem mais açúcar é a branca. A vermelha tem bem poucas calorias e uma química de dar inveja a muita verdura e legume por aí.

• Vitamina A: faz muito bem para a vista e contribui para uma pele viçosa.
• Vitamina B1 (tiamina): ajuda a ficar calminho, pois reduz o estresse.
• Vitamina B2 (Riboflavina): apesar do “2”, é uma vitamina de primeiro escalão! Ajuda na cicatrização e contribui para o crescimento.
• Vitamina B5 (ácido pantotênico): junto com as vitaminas A e B1, também atua contra o estresse, o cansaço e deixa a pele mais bonita.
• Vitamina C: boa contra gripe e inflamações, aumenta a imunidade.
• Vitamina B9 (ácido fólico): a amigona das gestantes, excelente parao desenvolvimento do bebê.
• Carotenóides e flavonóides: antioxidantes de primeira linha.
• Sais minerais: zinco, que é ótimo para o cérebro; cálcio, bom para os ossos; potássio, que faz bem para o coração; fósforo, que preserva a memória; ferro para
o desenvolvimento, e manganês, que combate os radicais livres.

Se com tudo isso, ainda tem alguém aí achando a beterraba sem graça, propomos um exercício: feche os olhos e imagine uma colorida salada, com generosas rodelas de beterraba em volta. Vermelhas, vistosas… Estimulam o apetite, não? Dá até para dizer que aquele sofisticado tom entre arroxeado e bordô é sexy. E sem ser vulgar, apesar do nome.

 

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