Cru Bourgeois

Falar do Médoc é falar dos vinhos da França com maiúscula. Se no mês passado apresentamos um supervinho de Pauillac, coração do Médoc, nesta
Seleção Grandes Vinhos descobriremos outro extraordinário exemplo dos vinhos da região, e nos aprofundaremos um pouco mais na extensa região de Bordeaux, concretamente em uma de suas mais importantes classificações, o “Cru Borgeois”.

Evidentemente, nem tudo em Bordeaux é um “Grand Cru Classé”. Por isso, nesta seleção Grandes Vinhos, quisemos aprender um pouco mais da outra histórica classificação, os “Cru Bourgeois”.

Em 1932 um grupo de produtores de Bordeaux, cujos vinhos não foram reconhecidos na classificação de 1855, decidiram unir-se para estabelecer sua própria classificação. A primeira lista “Cru Bourgeois” foi realizada pela Câmara de Comércio de Bordeaux e pela Câmara de Agricultura, em 1932, selecionando 444 fincas para essa classificação.

Trinta anos depois, em 1962, criou-se em Pauillac a união dos “Curs Bourgeois”. O propósito desta união foi estudar, defender e dinamizar os interesses dos proprietários e produtores. Organizou-se uma classificação interna em duas ocasiões – 1966 e 1978, com o fim de promover um espírito competitivo dentro das bodegas e fazer a classificação mais dinâmica.

Mas foi a partir da década de 1980 que se produziu um aumento significativo da demanda de vinhos com esta classificação, graças à sua excelente relação qualidade preço. Este sucesso fez que o coletivo decidisse aumentar o numero de catas e realizar uma por ano, e isso foi mantido até 1999. Essa lista não somente foi registrada na Câmera de Comércio e Indústria de Bordeaux, como também nunca foi submetida à aprovação do Ministério e, por isso, serviu de referência informal para uso comercial durante mais de 70 anos, sem aprovação oficial.

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No ano 2000, a administração decidiu ordenar a classificação  e para isso aprovou uma ordem ministerial, que se encarregou de estipular as normas para a organização da classificação “Crus Bourgeois”. Seu propósito era estabelecer uma hierarquia de qualidade, que constava de três categorias: “Crus Bourgeois exceptionnels”; “Crus Bourgeois Supérieurs” e “Crus Bourgeois”.

Após o decreto, realizou-se uma profunda revisão na classificação iniciada no ano 2000, que foi terminada em 2003, reduzindo substancialmente o número de fincas para 247, o que produziu ampla polêmica. Após vários anos de julgamento, ficou determinado que existiam interesses entre os diferentes implicados na classificação, e a classificação foi anulada pela corte francesa em 2007. Pouco tempo depois, o termo “Cru Bourgeois” também foi proibido.

Três anos mais tarde, em 2010, a menção “Cru Bourgeois” foi reintroduzida, mas revisada de maneira significativa. Atualmente consta um único nível, e se concede anualmente, como uma marca de qualidade, aos vinhos e não às bodegas.

A classificação é estabelecida por um júri formado por profissionais reconhecidos, que devem julgar os vinhos de acordo com alguns critérios, entre os quais se destacam a natureza do “terroir”; as variedades de uva; a maneira de gestão da vinha; a administração e apresentação geral da propriedade; as condições do envasamento; a consistência na qualidade do produto; a reputação do vinho e, é claro, suas qualidades organolépticas.

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Hoje em dia, “Cru Borgeois” é parte importante e imprescindível do patrimônio vinícola de Bordeaux. Algumas de suas bodegas já existiam muito antes da criação da classificação de 1855, e atualmente formam uma grande família de bodegas, que reúne vinhedos e “terroirs” muito diferentes. Estão englobadas oito AOC prestigiosas: Médoc, Haut-Médoc, Listrac-Médoc, Moulis en Médoc, Margaux, Saint Julien, Pauillac e Saint-Estèphe, o que nos dá uma visão do potencial desta classificação.

Qualquer propriedade no Médoc pode apresentar seus vinhos. As listas são publicadas aproximadamente dois anos depois da colheita. Por isso a lista de 2008 foi publicada em 2010. Na lista dos vinhos correspondentes à colheita de 2013, somente foram incluídos 267 vinhos. O que nos dá uma clara visão da dureza dessa prova.

O melhor desta classificação é que obriga aos produtores a não relaxar e manterem sempre os seus vinhos em um nível alto. Essa é, precisamente, sua força na diversidade dos vinhos. Desde a unidade e a autocrítica. Vinhedos que pertencem à mesma região e com a mesma história, mas cada um capaz de oferecer aos consumidores um produto único. Com sua própria personalidade e caráter.

É possível apreciar essa diversidade em diferentes pontos. Desde os vinhedos, passando pelas técnicas de vinificação até a degustação, preço ou reputação da bodega. Atualmente esse coletivo é o maior da região de Bordeaux. Que procuram e compartilham para defender a tradicional classificação “Cru Bourgeois“. Como garantia da qualidade de seus vinhos em um mundo cada vez mais conhecedor do assunto.

Como resultado de seus critérios de seleção, atualmente desfrutam de reconhecimento internacional. Com grande capacidade para atender às atuais demandas dos consumidores, cada vez mais exigentes e buscando uma perfeita relação de qualidade e valor final do vinho. O que faz com que sejam acessíveis e não tragam surpresas na hora da cata. Sem dúvida, uma classificação pela qual vale apostar a curto e a longo prazo.

Por essa razão os selecionamos no mês passado, para a Seleção Obras-Primas. E, neste mês, para a Seleção Grandes Vinhos, apresentamos este vinho. Que, de maneira ininterrupta, foi classificado entre os anos de 2008 e 2013 como  “Cru Bourgeois“. Descubra Château Lalande D´Auvion 2012.

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