“O que você comeu há mais de 30 anos faz parte da sua memória olfativa e visual”

criancaQuando o assunto é alimentação, vivemos entre a cruz do que “faz mal” e a espada do que “faz bem”. A era dos hors concours filé de frango e salmão grelhado. Do caldeirão alimentar onde vegetarianos e veganos dividem espaço com a comida caseira, restaurantes por quilo, churrascarias, fast foods, hamburguerias, padarias gourmets. E a seu tempo, cada um querendo provar que “a minha comida é melhor” ou “eu sei o que faz bem pra você.”

Os hábitos alimentares estão mais dinâmicos. Globalização, gourmetização e outros “ãos” criam manias longas ou curtas, temporárias e até momentâneas, que duram só até aparecer uma nova onda. Pode ser uma razão médica, um fato recém-descoberto – o ovo que fazia mal e agora não faz mais; a receita do chef Fulano de Tal que está bombando no Youtube; os personal trainners lançando tendências pra você perder a barriguinha, e até mesmo lendas urbanas, como “leite com manga faz tão mal, que você pode até bater as botas”.

As mudanças são rápidas, mas não apagam as memórias. Quem tem mais de 40 anos lembra que antes a coisa era bem diferente à mesa.

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Você provavelmente se recorda de pratos ou alimentos “das antigas”. Eles existem na sua memória alimentar e trazem fatos à mente. Há relatos de gente que tem lembrança até de conversas e discussões em almoços ou jantares, só de evocar a memória olfativa ou visual do que habitualmente comia há mais de 30 anos. Por isso, vamos bancar os atrevidos e provocar estas memórias em você (ou ao menos tentar), com alguns pratos e alimentos. Vem com a gente?

Língua de boi: apesar do preço baixo, era item de luxo quando mamãe fazia. Você ainda pode encontrar em muitos restaurantes e receitas variadas, inclusive com molho de vinho.

Dobradinha: é o tipo do prato que ou você ama ou detesta, sem meio termo. Figura constante nas mesas dos anos 1970/1980, hoje não é tão vista nos restaurantes da vida, mas tem freguesas fiéis nas feiras livres.

Arroz com coração de boi: já foi o supra-sumo da alimentação. Moela, miúdos e vísceras de frango também eram coadjuvantes.

Sopa de galinha: sabia que a comportada canja de hoje é considerada falsa pelos mais puristas? A verdadeira, talvez você se lembre, vinha com carcaça, pé, pescoço e outras partes da galinha.

Mocotó ou tutano: a geleia da pata do boi alegrou muita criança no passado. E o mocotó ainda dá um bom caldo (chamado por alguns de caldo de mão-de-vaca). Tem milhares de apreciadores e sabor indiscutível.

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Frango à cabidela: o tradicional frango ensopado no próprio sangue da galinha. Ainda é bastante consumido em muitos estados brasileiros.

Rabada: esta não ficou tão para trás. É prato das terças-feiras em muitos restaurantes. Seu sabor fez e continua fazendo milhares de adeptos, embora o nome não seja nada gourmet.

Bife de fígado: toda mãe de antigamente tentava empurrar fígado de boi goela abaixo dos filhos. É o “ama ou detesta” parte 2. Desperta as mais variadas paixões e memórias. Qual é sua?

Sopa de músculo: fonte de saúde, com poucas calorias e gorduras. Servida de avó pra mãe e de mãe pra filho, é estrela na papinha das crianças e no cardápio de muitos marmanjos.

Além destes, você com certeza lembra de muitos outros que, mesmo parecendo esquisitos hoje, trazem uma saudadezinha. Afinal, eram tempos em que saudável era o que enchia a barriga, e o que se comia era o que a mãe mandava. E ai da gente se não comesse. Lembra?

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Texto: Paulo Samá

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