Texto: Fábio Angelini

Thomas Jefferson foi o terceiro presidente americano e principal autor da célebre Declaração de Independência dos EUA, de 1776. O que o grande público ignora, é que ele construiu uma lareira equipada com dutos especiais para dispersar gases tóxicos. Outro Thomas, o Edison, concebeu um projeto de chaminé chamado por muitos de “o primeiro exaustor”. E em 1923, a britânica Universidade de Leeds apresentou o primeiro desenho de exaustor moderno, semelhante aos atuais.

Bem antes de exaustores e coifas ocuparem nossas cozinhas, a questão da ventilação já ocupava as mentes de químicos, pesquisadores, industriais e laboratórios. Pela necessidade de regular o fluxo de ar, eliminar substâncias nocivas e proteger amostras do meio externo. O primeiro dispositivo mecânico a injetar ar dentro de um recinto foi o ventilador, criado em 1882 por Schuyler S. Wheeler. Ventiladores e ventoinhas foram os precursores do exaustor, que faz justamente o contrário: ele retira o ar do ambiente.

coifaO exaustor doméstico pré-histórico era aquela geringonça que você talvez já tenho visto na cozinha da vovó: um aparelho redondo com hélices parrudas encravado na parede, lá no alto. Ruído similar a uma turbina de avião. Felizmente, vieram os exaustores e as coifas que hoje conhecemos, com todas as suas variedades, funcionalidades e designs, mantos, filtros, botões, sensores, leds e presets. Aliás, é bom pontuar as diferenças entre exaustor, coifa e depurador.

Exaustor é a melhor alternativa para lançar o ar quente pra fora da cozinha e puxar o ar frio externo pra dentro, mas a sua capacidade para filtrar a gordura do ambiente é limitada. Neste sentido, a coifa é mais completa, pois tem o modo exaustão e o modo depuração, que capta o ar aquecido e a gordura, filtra e devolve como ar limpo (recirculação). O depurador também faz isso, mas é indicado para cozinhas pequenas e onde não é possível instalar os dutos de saída de ar. Geralmente, é menos potente que exaustores e coifas. Em compensação, é mais barato.

A utilidade dos aparatos vai além da eliminação de odores, fumaça, calor e vapor. Uma boa coifa (procure sempre pelas de maior potência), além de impedir o incômodo cheiro de fritura que cola nas roupas e nos cabelos, retarda o amarelecimento das paredes e até aumenta a durabilidade de outros eletrodomésticos e móveis, por evitar o acúmulo de gordura sobre eles. Outro benefício adicional e saudável? Reduz o nível de gordura sobre os próprios alimentos em preparo.

Quanto a eliminar realmente os dores – reclamação recorrente dos usuários –, vem a dica dos profissionais: a coifa deve ser ligada uns 15 minutos antes de meter a mão na farinha e iniciar a fritura. Não é financeira nem ecologicamente correto, mas dizem que este é o segredo. Desta forma, a exaustão e a depuração (pré-filtragem e filtragem) ocorrem de vento em popa.

Portanto, nada de pressa na cozinha. Velocidade é para a F1. A obsessão que levou o projetista Gordon Murray a bolar o Fan-Car, o carro-exaustor, em 1978. Tinha uma espécie de turbina na traseira, cuja sucção dava maior aderência ao Brabham BT46B. E, consequentemente, maior aceleração. Mas a alegria durou só uma corrida, vencida na Suécia por Niki Lauda: os adversários reclamaram que o rastro de turbulência deixado pelo foguete descontrolava seus carros.

 

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