Texto: Fábio Angelini

GOD SAVE THE DRINK

rainhaPara o café da manhã, cereal de flocos de milho com leite e passas. Às vezes, frutas frescas e macadâmias. Pontualmente às 13 horas, o almoço, geralmente composto de filé de peixe ou frango grelhados, com vegetais. No chá da tarde, uma exigência: marca Darjeeling. Acompanhado de bolos, bolachinhas doces e um petisco muito tradicional e apreciado, o sanduíche de pepino. Cai a noite. Carne de salmão, linguado ou veado, servidos às 20h. Nem um minuto a mais ou a menos.

Estamos falando da Rainha Elisabeth II, se é que você já não adivinhou. A monarca do Reino Unido e chefe de Estado de Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Jamaica, Barbados, Bahamas, Granada, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão,  Tuvalu, Antígua e Barbuda, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Belize, São Cristóvão e Nevis.

Segundo Darren McGrady, que foi o chef da casa real durante 15 anos, Sua Majestade possui hábitos alimentares relativamente simples para quem pode ter de tudo. Não é muito chegada a pratos complicados, mas ai de quem colocar alho, cebola ou páprica na comida: corre o risco de terminar seus dias na Torre de Londres, pois a rainha de quase 90 anos é, como todos nós, feita de carne e osso e tem lá as suas fraquezas. Uma delas é o chocolate. Outra é o Dubonnet com gin, seu drinque predileto.

Como a nossa personalidade de hoje parece não ser fanática por nenhum prato em particular, permita-nos, caro leitor, uma breve licença poética-etílica para falarmos deste aperitivo, que a soberana bebe antes do almoço todos os dias.

Também conhecido como um vermute de cor avermelhada, o Dubonnet tem graduação alcoólica entre 14,8 e 19%, e o sabor transitando entre o doce e o amargo. Foi criado em 1846 pelo francês Joseph Dubonnet, de uma receita dita secreta, elaborada a partir das uvas Grenache, Carignan e Moscatel de Alexandria, harmonizadas com laranja, café e quinquina (planta que possui quinino e é chamada de “casca do peru”). A grosso modo, ele é isso, uma mescla de vinho fortificado, ervas e especiarias.

A exemplo do Dry Martini – clássico eternizado por James Bond –, o Dubonnet vai muito bem com gin e também caiu no gosto dos súditos britânicos, logo que souberam das inclinações de Elisabeth II. Na prática, muitos deles trocam o gin por rum, água tônica ou ginger ale. Nossa rainha, porém, sabe exatamente o que quer: a sua bebida predileta misturada ao gin Gordon’s, mais duas pedras de gelo e uma fatia de limão, sem sementes.

Ao contrário de 007, a representante máxima da casa de Windsor nunca foi flagrada dirigindo sob os efeitos do álcool. Quando muito, é vista pilotando sua outra paixão: os cachorrinhos da raça Corgi galês Pembroke.

 

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