cafe
Aproximadamente há seis milhões de anos, os primeiros hominídeos habitavam a região leste da África (onde estão Quênia, Etiópia e vários outros países). Imagine que talvez seja só coincidência, mas a origem conhecida do café – principal motivo dessa nossa conversa – é geograficamente idêntica, algo que faz pensar. Ao navegar por milhares de anos de civilização humana, percebe-se ambos – homem e café – protagonizando histórias e lendas com versões diversas de encantamento à primeira vista. Vale sorvê-las da mesma forma, tomando o cuidado para distinguir uma e outra.

O primeiro registro concreto do surgimento do café é do século XVII (1671). E aponta o século VI, mais precisamente em 575 d.C., como o momento em que se identificou o valor do café, ainda que por vias tortuosas. A história vem da Arábia (Iêmen). E descreve a conhecida lenda do pastor Kaldi. Que teria percebido suas cabras em estado alterado, digamos mais espertas do que o normal. Teriam comido os frutos do cafeeiro. Admitamos que cabras não são exatamente bichos muito espertos por natureza.

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Mais esperto foi um libanês. O padre maronita Fausto Naironi Banésio, que traduziu do árabe um texto com estas informações. (No Brasil a tradução do texto de Naironi é de Affonso Taunay, com livre acesso pela Brasiliana Digital USP). Mas é possível encontrar essa mesma história contada como tendo ocorrido no século III ou no século IX, conforme a fonte. Da mesma forma, o pastor pode aparecer como monge cristão ou islamita. E o local pode ser também em Kaffa, na Abissínia (Etiópia). Mas também em Mocha (às margens do Mar Vermelho, no Iêmen, aproximando-se da história de Kaldi).

O fato é que os árabes surgem no final da Idade Média como os donos do café conhecido pelo mundo. Sobretudo na Europa. Conhecido, mas não dominado nem disseminado. Os árabes chegavam a escaldar os grãos antes de revendê-los, evitando que pudessem germinar se plantados. Essa foi a tarefa principalmente dos holandeses, que se encarregaram, a partir do século XVII, de conseguir sementes não escaldadas e que serviram como base para o cultivo no Jardim Botânico de Amsterdã. Bem, mas esse é o motivo da próxima viagem que faremos flanando pela história do café.

Texto: Emerson Castro

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