Texto: Renato Soares

Propriedades que não fazem ninguém chorar 

Estima-se que ela foi descoberta na Ásia, há mais ou menos cinco mil anos, mas também há quem diga que a origem deste bulbo (sim, a cebola é um bulbo) está mais pra trás. Ela já é citada nas antigas escritas védicas da Índia e alguns estudiosos juram de pés juntos que era consumida na Suméria em 2500 a.C. e no Egito em 3500 a.C.. Os habitantes das margens do Nilo, aliás, eram amantes compulsivos da Allium cepa. Usavam-na como alimento, na medicina e também como moeda – parte do salário dos trabalhadores que construíram as pirâmides era paga em cebolas. Os antigos gregos, romanos e caldeus também eram fãs e a Índia já as usava como remédio no século VI.

Na cozinha, a cebola é indispensável. Os defensores mais ferrenhos dizem que é impossível temperar o que quer que seja, sem ela. É ingrediente de diversos pratos, molhos, sopas, saladas, cozidos e outros.
Mas dizem que o valor nutricional é pequeno…
cebolaE de fato é, se você levar em conta que a cebola é mais usada como condimento como do que como alimento. A quantidade utilizada na maioria dos pratos é relativamente pequena, o que reduz a quantidade de nutrientes ingerida. Além disso, ela tem baixo teor de proteína, ácidos graxos e carboidratos. Assim, pode-se dizer que o bulbo é um coadjuvante com função de astro principal. Afinal, ela tem elementos que não podem faltar numa vida saudável, como o selênio. Selênio quem? Pois é, a gente nem lembra onde fica na tabela periódica e o organismo precisa apenas de uma pequena quantidade dele. Desimportante? Longe disso! A falta de selênio é uma das responsáveis pela catarata, doenças cardiácas e outros males. Até na depressão a falta de selênio tem sua parcelinha de culpa.

Além dele, a Allium cepa tem outros componentes que não dá pra desprezar nem fingir que não existem. Vamos conferir?

• Cálcio: excelente para os ossos.
• Ferro: deixa mais forte e ajuda na circulação.
• Potássio: ótimo para o coração.
• Magnésio: combatente incansável dos radicais livres.
• Sódio: contribui com o sistema nervoso (em quantidades seguras, claro).
• Flavonóides: antioxidantes que combatem os radicais livres e reduzem o envelhecimento. A cebola também é rica em vitaminas, principalmente as do Complexo B, como:
• B1 (tiamina): a sossegadinha, que combate o estresse.
• B2 (riboflavina): estamos carecas de saber que fortalece o cabelo e as unhas.
• B3 (niacina): colabora no metabolismo de carboidratos e na produção de energia.
• B5 (ácido pantotênico): poderoso antioxidante.
• B8 (biotina): contribui para reduzir o colesterol e também é boa para os cabelos e unhas – tem gente que faz até xampu de cebola (um dia a gente conta essa).
• B9 (ácido fólico): ajuda na produção de glóbulos vermelhos, combate a anemia e é indispensável para a saúde das gestantes.
• C (ácido ascórbico): aumenta a imunidade e previne contra gripes e resfriados.

Portanto, não chore pela cebola. Ela tem uma química invejável. Que o diga a importância dela na indústria farmacêutica, que cresce cada vez mais. E podemos dizer, sem medo de errar, que comer ao menos 50 gramas de cebola crua por dia faz muito bem. Isso, se você aguentar, mas que vai chorar, vai.

 

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