Um bar diferente. Descolado, com estilo rock and roll e frequentado por todo tipo de gente, incluindo famílias que têm uma paixão comum: cervejas diferentes. Este é o Capitão Barley Cervejas Especiais. Um lugar gostoso pra se curtir uma boa cerveja e uma boa conversa, ouvindo música e experimentando a cozinha do dia, que tem um esquema bem interessante. eEles “emprestam” a cozinha para parceiros de diversas correntes da gastronomia artesanal, em troca de uma taxa de manutenção.

O cardápio variável inclui comida de food trucks, comida mexicana, turca, hambúrgueres, pizzas e outros, além de eventos de drinks feitos com cerveja. Descubra, a seguir, tudo o que o Amilcar Parada, um dos sócios (ou melhor, marujo) tem pra contar sobre cervejas especiais. Bem-vindo a bordo!

barley

O que vocês faziam antes de ter um bar de cervejas?
No começo éramos dois sócios, eu e o Pablo César. Eu sou formado em publicidade, mas até hoje divido o tempo com minhas funções no bar e também na administração de um centro de diagnóstico dos meus pais. O Pablo é game designer, trabalhou em grandes empresas do ramo de games, e estava no mercado quando o convidei pra ser meu sócio nesse empreendimento. Somos amigos de longa data, de antes de eu pensar em ter um bar. Na verdade, a minha ideia era ter uma loja de cervejas especiais, mas com o tempo o pessoal ia comprar, bebia uma aqui, outra ali… começamos a colocar mesas e a loja virou um bar!

Dois anos depois, um dos nossos funcionários, que é beer sommelier, tornou-se sócio também: é o Saul Caffarena. Além dele, temos outro sócio, também velho amigo meu, o Marcelo Oliveira. Ele é engenheiro e trabalhava em uma multinacional como diretor. Largou o emprego e resolveu empreender conosco. Hoje, ele está morando em Berlim, onde fará um curso de produção de cerveja dos mais famosos do mundo.

As cervejas artesanais estão ganhando cada vez mais espaço. Vocês, que são especialistas, enxergam algum motivo especial pra isso?
É uma tendência mundial e o mercado se abriu. Cervejarias estrangeiras chegaram ao Brasil através de importação e muitas excelentes cervejarias artesanais surgiram no país. Soma-se a isso a busca do público por qualidade e diferenciação no sabor. Alguns anos atrás havia poucos pontos de vendas, os preços não eram nem um pouco convidativos e pouca gente conhecia cervejas diferentes.

O caminho é irreversível: se você toma uma cerveja artesanal, especial, não consegue voltar atrás. Lógico que algumas ocasiões pedem uma cerveja mais barata, mas se você tem a opção e conhece cerveja especial, duvido que na maioria das ocasiões irá preferir beber quatro cervejas comuns a beber uma ou duas especiais. É como dizem: “beba menos, beba melhor!”.

sociedade-da-mesa

Tecnicamente falando, qual é a diferença entre a elaboração da cerveja especial e a tradicional?
Há várias diferenças, mas na minha opinião, as duas principais são a aceleração do processo de produção das cervejas normais e o uso, também nessas cervejas, de ingredientes pra baratear o produto, como arroz e outros cereais. Não sou contra o uso de arroz e outros cereais na cerveja, longe disso, mas depende muito da intenção do uso do ingrediente. Enquanto uma cerveja artesanal provavelmente é feita com malte em grão, uma quantidade de lúpulo respeitável e todo cuidado na elaboração da receita, as cervejas comuns não têm um nível tão grande de detalhe em sua elaboração.

Esse tipo de cerveja tem um público fiel grande. Isso é um sinal do fim das cervejas tradicionais ou tem lugar pra todo mundo no mercado?
Tem lugar pra todo mundo. Hoje as artesanais significam uma parcela minúscula do mercado, tanto no Brasil como no mundo. Como usam ingredientes especiais e em maior quantidade, e não aceleram os processos de produção, as artesanais sempre custarão mais caro. Nem sempre temos dinheiro pra pagar por isso. A tendência, no entanto, do meu ponto de vista, é que os preços das artesanais caiam um pouco mais. Além disso, o Brasil é um país complicado.

As cervejarias menores têm de disputar seu espaço metro por metro, enfrentando taxas de impostos e outros entraves. Quando uma das pequenas consegue crescer, por exemplo, acaba sendo comprada pelas maiores por quantias milionárias. Por mais amor que o dono tenha pelo negócio, fica difícil não vender. Já aconteceu com algumas aqui no Brasil e tem acontecido no mundo todo.

capitao2

Agora falando em preço e no pessoal que frequenta o Capitão Barley. Cerveja especial tem público especial?
Na verdade, eu vejo um público diverso. Antes tínhamos um ambiente mais simples, ia um pessoal mais descolado, mas os preços eram os mesmos que temos hoje. Lógico que há uma seleção natural do público consumidor por causa dos limites financeiros de cada um, mas já vi gente simples que vai ao Barley tomar 1 ou 2 garrafas ao invés de ir num bar comum, onde poderia tomar várias cervejas das mais comerciais. A limitação financeira não enterra a vontade, a busca por qualidade e a curiosidade de uma pessoa que realmente gosta de beber uma boa cerveja.

Drinque com cerveja é uma novidade pra muita gente. De onde vem essa história?
Leio muito sobre o mercado cervejeiro, fico ligado o tempo todo. Comecei a pesquisar sobre o assunto e convidei meu amigo Rodrigo Romão, que trabalha com drinks (inclusive dá aula sobre o assunto), pra fazermos o evento Beer Drink’s uma vez por mês aqui no Capitão Barley. Ele usa bebidas bem interessantes pra elaborar os drinks e sempre um estilo de cerveja pra fazer parte do mix. As pessoas que provaram gostaram bastante dos drinks em geral, e estamos planejando realizar o evento num sábado com mais movimento, para ver como os drinks se saem.

[widget id=”blog_subscription-3″]

Ainda no mesmo assunto: existe uma cerveja preferida pra fazer drinque?
São muitos estilos de cervejas e cada um deles combina com um estilo de drink. Usamos cervejas mais refrescantes, como uma do estilo Weiss, pra fazer um drink mais refrescante. Usamos um estilo mais alcoólico e escuro, com sabor que remete a café, pra fazer um drink mais “quente”. Daí para a frente, vai da criatividade do barman. O importante é saber harmonizar os sabores dos ingredientes. O céu é o limite.

Agora, conte um pouco sobre a gastronomia da casa.
Essa história é curiosa. Quando estávamos planejando a inauguração da nossa loja, há mais de 2 anos, muitos amigos e família pra irem nos prestigiar. Pensamos então que as pessoas ficariam por alí por um período e nos veio a ideia de termos algo pra comer. Convidamos então um amigo que faz hambúrgueres artesanais. Foi um sucesso. Quando começamos a perceber que nossa loja estava se tornando um bar, amadurecemos isso e começamos a convidar food trucks, que estavam muito na moda na época. Recebemos trucks famosos, como o Buzina, que existe até hoje.

Criamos então uma parceria forte com pessoal que faz comida de rua: food trucks, pessoas com barracas e afins. Nós não tínhamos espaço pra fazer uma cozinha, mas precisávamos servir comida, então unimos o útil ao agradável. A cada dia temos um parceiro na cozinha, alguns se repetem porque o público pede que voltem  é comum isso acontecer – mas tentamos sempre variar o cardápio. O importante é proprocionar diferentes experiências ao cliente na relação entre comidas e cervejas. Nunca cobramos taxa ou porcentagem dos parceiros enquanto estávamos na loja antiga.

capitao3Já no novo espaço, cobramos uma taxa de manutenção que inclui uma poupança para eventuais consertos dos equipamentos que compramos (fogão industrial, fritadeira, exaustor, balcão refrigerado e uma chapa)
e uma quantia pela limpeza. Esse valor varia de acordo com o dia da semana. Cedemos equipamentos, fornecemos água, gás e energia, tudo incluso nessa taxa. A venda e a entrega são feitas diretamente aos clientes pelo parceiro da cozinha.

Temos um canal de comunicação exclusivo pros parceiros e interessados no projeto, que é o e-mail parceiros@capitaobarley.com.br, por onde organizamos nossa agenda e passamos maiores detalhes das parcerias. A cozinha está bem bacana e aberta pra receber cada vez mais parceiros que estejam interessados em vir servir nossos marujos sedentos (risos).

sociedade-da-mesa

Vocês também dão cursos no bar. Quais são esses cursos?

Tivemos um curso básico de Produção de Cerveja Caseira, e vamos colocar outra turma em breve, pois a procura é grande. Estamos fechando boas parcerias para o futuro. Teremos cursos de harmonização de cervejas artesanais com comida, de degustação, e alguns mais voltados pra cervejeiros caseiros (como o que acontecerá em breve, sobre leveduras) e muito mais.

 Vocês estão desenvolvendo um aplicativo, o “Sou Marujo”. Pode adiantar alguma coisa disso?
O principal objetivo desse aplicativo é estreitar ainda mais o relacionamento com nossos amigos clientes.
Ele tem algumas funções informativas, como poder consultar a lista de chopes que estão sendo servidos no momento, mas a principal função é o programa de fidelidade. Nessa parte ,o “marujo” poderá consultar o que já consumiu no nosso bar em cada dia, saberá quantos pontos acumulou, receberá medalhas como nos games online, e também poderá trocar seus pontos por brindes exclusivos ou descontos. Exemplo: se o marujo bebe 10 cervejas do estilo IPA (India Pale Ale) e tem pontos suficientes, com a medalha desses pontos fica habilitado a resgatar o brinde exclusivo da IPA (um boné ou camiseta, por exemplo) em troca dos pontos.

Já que a gente falou em marujo, de onde vem o nome do bar?
Pensamos em um personagem que pudesse conhecer o mundo inteiro, por isso o Capitão. Além disso, as navegações têm uma certa história em comum com a cerveja. O estilo India Pale Ale tem esse nome porque os ingleses navegavam muito para a India e, quando lá chegavam, a cerveja não estava 100% boa pra consumo. Daí, resolveram aumentar a quantidade de lúpulo nas receitas do estilo Pale Ale, já que o lúpulo é uma planta que tem conservantes naturais, pra ver se a cerveja chegava ao país ainda em perfeitas condições. Deu certo! Criaram assim um dos estilos mais apreciados no mundo inteiro hoje em dia e batizaram-no como India Pale Ale. Já Barley é a simples tradução de cevada do português para o inglês.

Texto: Paulo Samá

Serviço:
Capitão Barley. Rua Cotoxó, 516, Pompeia, SP
Aberto de segunda a sexta, das 17 à 0h;
sábado das 12 à 0h, e domingo, das 14 às 22h
(11) 2609-947615
capitaobarley.com.br

Conheça as vantagens de fazer parte da Sociedade da Mesa, clube de vinhos! Associe-se!