Finalizando nossa série sobre o chá, iniciada no ano passado, vamos erguer as chávenas e brindar nossas páginas com um pouco de tudo sobre a bebida, a popular miscelânea: tipos de chá, chás exóticos, curiosidades, dados interessantes e muito mais. Sirva-se.

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História em saquinhos: como quase todas as invenções, o popular chá de saquinho também tem sua dose de polêmica. Até pouco tempo, creditava-se a criação ao importador de chá novaiorquino Thomas Sullivan, em 1908. Segundo conta-se, ele oferecia saquinhos de seda com folhas aromáticas como brinde a seus clientes potenciais, e logo concluiu que a engenhoca (se é que dá para chamar assim o saquinho de chá) poderia facilitar o transporte e otimizar as infusões, que poderiam ser preparadas em quantidades menores.

Mas… Sempre tem um mas, não é mesmo? O que ninguém sabia – e talvez nem o próprio Sullivan soubesse – é que o tal saquinho já havia sido criado e patenteado sete anos antes, por duas mulheres de Milwaukee: Roberta C. Lawson e Mary McLaren registraram a patente de um saquinho de chá ainda mais parecido com o que usamos hoje, em 1901.

Diferente daquele criado acidentalmente pelo nova-iorquino, o delas era feito de algodão e não alterava o sabor da bebida. De toda forma, as moças não ganharam muito dinheiro com a invenção e o saquinho só se popularizou mesmo anos depois, com os clientes de Sullivan fervendo suas amostras.

Quem já foi, levanta a mão: se você já conheceu uma casa de chá, sabe que elas são um programa e tanto. Recheadas de quitutes deliciosos, atendimento personalizado e tipos de chá que nossas vãs capacidades jamais imaginariam, elas estão por todo o Brasil e têm um charme todo especial para receber casais, namorados, famílias e até grupos de amigos.

Vale destacar algumas delas: a tradicionalíssima As Noviças, em Moema (SP), com seu elegante estilo colonial e atendentes vestidas mesmo como noviças; a Khan El Khalili, na Vila Mariana, famosa por sua temática árabe, pelos espetáculos de dança do ventre e, é claro, pela imensa variedade de chás; a Casa Cavé, no centro do Rio de Janeiro, auto-entitulada a mais antiga da cidade, fundada em 1860 por Charles Auguste Cavé, com sua linda arquitetura europeia; a globalizada The Kettle, no bairro das Mercês, em Curitiba, com variedades de chá vindas de diversas partes do mundo e com decoração inspirada na art nouveau; a Vincent, de Brasília, com ambiente aconchegante, decoração inspirada em Van Gogh e a exclusividade de apenas 16 mesas; a Confeitte, de Fortaleza; a charmosa Mayra Pauli, de Florianópolis; a aconchegante Teakettle (Santo Amaro/SP), da estudiosa de plantas medicinais e expert em cultura de plantas Sylvia Rodrigues, e muitas outras ao redor do país.

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Forte ou fraco, leve ou pesado: os melhores chás pretos do mundo são os da Índia, principalmente aqueles das regiões de Niligri, Assam e Darjeeling, esta última responsável pelo sabor doce-amargo que ganhou o mundo e, de quebra, o apelido de “champanhe dos chás”. Já o Sri Lanka destaca-se por produzir chás mais suaves, e a China leva a fama pelos blends, as famosas misturas de chás. Com toda justiça, afinal a história do chá começou por lá, como contamos na primeira parte desta série.

Por que os ingleses são chegados num chazinho com leite? É difícil você encontrar um inglês que prefira chá puro. O hábito de misturar leite à bebida é secular e quase obrigatório. Isso acontece porque, na mistura, os taninos do chá ligam-se, na mesma hora, às proteínas do leite, o que deixa a bebida menos adstringente. Mas vale lembrar: a combinação só funciona bem com chá preto. Nem invente de misturar leite com chá verde.

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Chá explosivo (!) Misturas e chás exóticos estão em alta. Um bom exemplo é o chinês gunpowder (pólvora em inglês) que traz mais emoção à tranquila hora do chazinho. Ele é vendido em forma de bolinhas que explodem no momento da infusão. Até o momento, não há relatos de feridos nas detonações. E o mais caro do mundo é… o cultuado Darjeeling! Cultivado nas alturas acima de 700 metros, o chá indiano chega a ser comparado, em termos de valor, a bons vinhos franceses. Por aqui, você arremata 50 gramas do produto por uma bagatela próxima de 110 reais.

É drinque ou chá? Ou os dois? Os drinques à base de chá não são tão famosos, mas também não fazem feio. O chá preto com cacau O’Connors Cream faz uma bela dupla com um whisky puro malte. Também merece menção o Waikiki Beach, o chá de frutas que combina direitinho com champanhe. Mas se for fazer, não esqueça de esfriar o chá. Quente, seu drinque não ficará muito havaiano, digamos.

Guerra: até isso o chá provocou! A Boston Tea Party, de festa mesmo não teve nada. Os colonizadores americanos, indignados com a alta dos impostos sobre o chá pelo governo inglês, promoveram uma manifestação no dia 16 de dezembro de 1773. A “festinha” foi feita nas docas de Boston, com a destruição de centenas de caixas de chá da Cia Britânica das Índias Ocidentais. Com o tempo, os ânimos acirraram-se ainda mais, e há quem diga que isso foi o estopim da Revolução Americana pela independência da Inglaterra. Se for verdade, o chá teve uma boa parcela de responsabilidade na formação dos Estados Unidos da América. Já imaginou?

Aprenda a fazer o chá inglês com leite.

Você não pensou que era só juntar uma coisa com a outra. Ou pensou?
• Coloque na xícara a quantidade exata de folhas que cabe numa colher de chá. Nem mais nem menos, como diria o querido chef Eugenio.
• Água fervendo jamais! No máximo 92ºC, pra não queimar as folhas. E não esquente a água mais de uma vez. Ela perde o oxigênio e muda o gosto do chá.
• Não esquente o leite. Isso também muda o sabor. Coloque o leite fresco no fundo da xícara.
• Em seguida, despeje o chá com calma. Assim, o leite esfriará o chá, e não o contrário.
• Colocar açúcar é uma opção sua. Mas se for usar, coloque o branco.
• O leite já diminui a adstringência natural do chá. Mas adoçando com açúcar branco, você a diminui ainda mais.
• Separe uns bons quitutes, sirva às 17h e sinta-se um verdadeiro inglês.

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