Sucesso em todo o mundo, o reality show MasterChef já foi visto por mais de 250 milhões de telespectadores em 145 países. Aqui, o programa de entretenimento vai ao ar às terças-feiras, às 22h30, na Band. Sob o comando da jornalista Ana Paula Padrão. Com o objetivo de testar o talento e a paixão pela culinária de cozinheiros amadores.

A primeira edição, apresentada entre setembro e dezembro de 2014, teve cinco mil inscritos. Já a segunda temporada recebeu mais de 10 mil inscrições e pôde ser acompanhada entre maio e setembro de 2015.
A terceira temporada, que estreou em março deste ano, recebeu mais de 25 mil inscritos em todo o Brasil.
Foram selecionados 21 participantes que, a cada episódio, são minuciosamente avaliados pelos chefs Erick Jacquin (Tartar&Co), Henrique Fogaça (Sal Gastronomia, Cão Véio) e Paola Carosella (Arturito e La Guapa). Que, desde a estreia do programa, atuam como jurados realizando uma análise criteriosa de cada prato apresentado, com o intuito de colocar muita pressão e identificar cada defeito.

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Ao longo do programa, grandes nomes da gastronomia também são convidados para julgar os participantes, que precisam saber lidar com as situações mais inusitadas. Cozinhando no estúdio com ingredientes desconhecidos, reproduzindo pratos clássicos, trabalhando em equipe, realizando provas externas, enfim é preciso ter muito talento e equilíbrio para conquistar o prêmio de R$ 150 mil, uma bolsa de estudos na Le Cordon Bleu, em Paris, e o troféu de MasterChef.

Na primeira temporada, Elisa Fernandes conquistou o prêmio. Já a segunda foi vencida por Izabel Alvares. E, entre a segunda e a terceira temporada, que está no ar, foi realizada a versão MasterChef Júnior. Que contou com 20 participantes de idades entre 9 e 13 anos, sendo que o grande campeão foi Lorenzo Ravioli, de 13 anos. Já o vencedor da terceira temporada só deve ser revelado em setembro, pois essa edição prevê 25 episódios disputados ao longo de seis meses. Ou seja, a competição ainda promete muitas surpresas!

Em sua terceira temporada, o reality apresenta provas mais elaboradas e o trio de jurados, formado pelos chefs Henrique Fogaça, Paola Carosella e Erick Jacquin, estão mais ácidos e sem melindres. Errou, pode tirar o avental!

Assim como em outros países, o MasterChef Brasil caiu no gosto do público. Até mesmo quem não domina a alquimia da cozinha acompanha as provas que deixam qualquer um com os nervos à flor da pele. Pratos cada vez mais elaborados, técnicas dificílimas, ingredientes inusitados e prazos apertados que tornam a torcida ainda mais emocionante.
Mas afinal, qual é o segredo do sucesso destes programas que atraem cada vez mais competidores que se submetem a situações estressantes, com críticas pesadas, e ainda lideram a audiência atraindo um público bastante eclético?

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Para o chef Erick Jacquin, o MasterChef é sucesso em vários países porque gastronomia é cultura. “O reality oferece conteúdo e informação e é justamente isso que atrai o interesse do público”, defende. Para ele, as pessoas se conectam por meio da comida. E, se antes essa interação acontecia ao redor da mesa, hoje, a potência da gastronomia está na mídia e nas redes sociais.

Já Henrique Fogaça acredita que a ‘febre’ MasterChef é decorrente de um formato bem elaborado, que une conhecimento e entretenimento em uma única atração. No entanto, é importante ressaltar que, durante o programa, os jurados atuam como verdadeiros carrascos e não medem as palavras na hora de apontar defeitos dos pratos elaborados. Aliás, essa é a função deles! No entanto, a cada episódio também é possível constatar que cada um deles está ali muito mais para ensinar que atrapalhar, ou até mesmo, humilhar o competidor. Portanto, um dos principais desafios dos candidatos a MasterChef é saber dosar a emoção, pois manter o controle é essencial para seguir adiante a cada prova.

Exigência: uma pitada a mais!
Quem acompanha o programa desde a sua estreia já deve ter notado que, a cada temporada, as provas estão mais difíceis. E os jurados conseguem imprimir o tempero que o reality precisa: nível de exigência elevado, com críticas diretas e um toque de sarcasmo. Não é nada fácil enfrentar a pressão, driblar as técnicas, usar ingredientes desconhecidos, encarar cabeça de porco na caixa misteriosa ou reproduzir pratos clássicos, cheios de tradição e estilo. Porém,um MasterChef tem de saber enfrentar todos esses desafios e, de acordo com os jurados, isso justifica o nível gradual de dificuldade.

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Segundo Fogaça, a proposta do reality é buscar o melhor cozinheiro amador e, para isso, é fundamental exigir qualidade na execução e na entrega dos pratos. “O programa evoluiu e precisou se renovar para continuar interessante. O número de inscritos aumentou e, portanto, a ideia é de que fiquem apenas os melhores”, acrescenta Jacquin.

Para a chef Paola Carosella, as dificuldades na elaboração dos pratos são relativas às pessoas. “O que é fácil para alguns pode ser muito difícil para outros, cada um dos participantes tem momentos mais simples ou mais desafiantes, dependendo dos talentos de cada um”, avalia. Ela ainda comenta que os participantes precisam compreender que saber cozinhar é importante, mas ter paciência é essencial. “O talento ajuda, mas manter uma linguagem própria é um diferencial. É importante perceber seu potencial e enxergar o prêmio apenas como uma possibilidade de iniciar a carreira, afinal ninguém sai do reality um chef consagrado”, alerta.

Para ser um MasterChef: um toque de equilíbrio
Paola acredita que o ganhador é aquele que consegue manter um bom desempenho ao longo de todas as provas. E tem potencial para fazer algo realmente interessante. Ou seja, quem busca o reality para conseguir seus 15 minutinhos de fama provavelmente não consegue seguir adiante nas provas. Ao contrário de outros ‘reality’, o MasterChef busca valorizar quem está ali para cozinhar e não para ‘aparecer’.

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De acordo com Jacquin, a maior dificuldade do programa é lidar com o tempo. “Em todas as provas, o competidor tem que ter raciocínio rápido para decidir o que irá preparar. Selecionar os ingredientes sem esquecer nada e saber improvisar nas dificuldades. O segredo é pensar antes de cozinhar e planejar de maneira inteligente”, sugere.

Por isso, ele atenta que o excesso de confiança pode atrapalhar. Afinal as coisas mais simples nem sempre conferem o melhor resultado. Para Fogaça, as provas externas exigem mais atenção. “São ambientes diferentes com sol, chuva, vento e tudo isso pode complicar”, afirma. Mas, de maneira geral, o chef diz que ser organizado é um diferencial para conseguir dar conta de tudo. “A cozinha é ralação, é correria.

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Os competidores precisam conhecer os ingredientes. Saber trabalhar com eles. Desenvolver as técnicas de preparo, saber controlar a emoção e trabalhar em equipe. Portanto, quem é organizado, em geral consegue administrar tudo de forma mais equilibrada”. Comenta.

Além disso, Jacquin lembra que o gosto tem que ser bom. Ele afirma que a melhor dica para criar um prato é ter memória gustativa. “Dessa forma, é possível imaginar um ingrediente com outro e apostar em harmonizações mais perfeitas”, ensina. E para ser um MasterChef é preciso ajustar todas as dicas citadas. Unindo bons ingredientes, técnica impecável, sabor perfeito e uma bela apresentação. Pois, se uma dessas etapas não for concluída de forma precisa, Jacquin antecipa. “Você pode até ser um cozinheiro, mas nunca será um MasterChef”.

Texto: Simone Cunha

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