Radical esse início de artigo, não? Pois é, principalmente se a gente pensar que estamos falando de um alimento/bebida que é matéria prima da manteiga, do queijo, dos sorvetes e iogurtes, do chantili e de uma porção de outras coisas que adoramos. O leite está nas nossas vidas de manhã, de tarde e de noite, e às vezes nem percebemos. E ainda por cima, alimenta bebês. Então, por que a polêmica?

É que muita gente acredita que o leite é responsável pela intolerância à lactose, a ponto de alguns nutricionistas defenderem completamente a abolição de seu uso na idade adulta, pois nosso aparelho de digestão seria incapaz de processar o leite que tomamos.

A corrente contrária, porém, é muito maior. Segundo o cardiologista Heno Ferreira Lopes, da Unidade de Hipertensão do Instituto do Coração, em uma edição da revista Superinteressante, o problema é muito mais genético do que outra coisa.

Além disso, o leite é imbatível em cálcio, vitaminas e nutrientes. E por que precisamos tanto de cálcio? O doutor alerta que, após os 40 anos, passamos a perder 0,5% de massa óssea todo ano. Talvez daí venha aquela sensação comum de acharmos que as pessoas mais idosas estão encolhendo. É o caminho se abrindo para a osteoporose, que desgasta ainda mais os ossos. A natureza, que não é nada boba, faz a parte dela: os ossos se regeneram.

Bom, né? Mesmo não sendo total, a regeneração impede que a perda óssea chegue a 100%, transformando as pessoas em geleia. Então, nada mais justo que dar um “empurrãozinho” na ação regenerativa tomando leite. O cardiologista sentencia a quantidade ideal: três copos por dia suprem a necessidade óssea, pois o cálcio, unido ao potássio, magnésio e à vitamina D, forma um time de primeiro escalão contra a degeneração.

Fazem coro com Ferreira Lopes as pesquisadoras Maria Teresa Bertoldo Pacheco, do Centro de Química de limentos e Nutrição do Instituto de Yecnologia de Alimentos (ITAL), e Adriane Elisabete Costa Antunes, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), em seu livro Leite para Adultos: Mitos e Fatos Frente à Ciência. Segundo elas, é um erro dizer que adultos não devem consumir a bebida: “o leite faz parte da dieta do homem há milênios. As populações que têm grande acesso ao leite desenvolveram, ao longo dos anos uma mutação para produzir uma enzima chamada lactase, que digere a lactose, o açúcar do leite. É um processo evolutivo que favoreceu a adaptação humana para o consumo do leite”.

Logicamente que, apesar disso, há as pessoas que têm, sim, intolerância à lactose. Para alguns, o consumo deve ser parcialmente – e em alguns casos completamente – restringido, por conta disso e também de problemas como hipersensibilidade e alergia às proteínas do leite de vaca, dislipidemias e algumas doenças coronarianas. Para estas últimas, em casos onde a restrição não é total, sempre existem opções de leite integral, desnatados ou light.

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De qualquer forma, antes de aderir à lactofobia, é recomendável consultar um médico e fazer exames para detectar alguma contraindicação. Até porque o leite é um dos alimentos mais completos da natureza. E a composição dele, acredite, é 90% de água. Além dela, temos:

• Cálcio, que nem precisamos mais dizer pra que serve.
• Potássio, bom pra pressão, além de ser um ótimo antiestresse.
• Vitaminas: um capítulo à parte. O leite tem um verdadeiro abecedário: A, B1, B4, B6 e B12, C, D, E e K.
• Proteínas: caseína, albumina e imunoglobulina, essenciais para formar os tecidos, para o crescimento das crianças e também para combater infecções.
Outros minerais: fósforo, ferro, sódio, cloro e zinco, em menores quantidades.

NOSSA MODESTA CONCLUSÃO
Aqui entre nós, achamos que o leite nem é polícia nem é bandido. Ele tem inúmeras utilidades e requer alguns cuidados em alguns casos, como tudo que consumimos, aliás. E para finalizar, uma curiosidade, cortesia da pesquisadora Maria Teresa, citada mais acima: 45% das lactantes intolerantes à lactose perdem a sua intolerância durante o período de gravidez e de lactação. “Mesmo que a mulher seja intolerante à lactose, durante a gravidez ela passa a produzir a lactase para digeri-la”, conta ela. Com certeza o amor de mãe deve ter algo a ver com isso.

Texto: Renato Soares

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