O século XVII pode ser considerado o ponto de partida para a disseminação do café e das cafeterias por toda Europa. Se em Constantinopla, atual Istambul, os turcos foram os primeiros a tomar café desde 1554. Foi em Veneza, Itália, aproximadamente em 1600, que a bebida de fato começou a ser apresentada ao continente.

Os primeiros carregamentos chegaram para serem adotados por vendedores de rua que serviam café em meio a outras bebidas. Como limonadas e chocolate. Embora Livorno tenha o registro de uma cafeteria mais antiga, a Caffé Florian, na praça de São Marcos, em Veneza, é a cafeteria considerada mais famosa da Europa. Desde 1720 (a primeira, inclusive, a permitir mulheres).

Na França, os habitantes de Marselha foram os primeiros a experimentar o café. Trazido por  mercadores que adquiriram o hábito no Oriente. Isso aconteceu já em 1644. Mas foi o embaixador turco Suleiman Aga que fez o gosto pela bebida cair nas graças da corte de Luis XIV. Promoveu grandes festas luxuosas regadas a café feito em mochas. Servido em porcelanas casca de ovo, com pires de ouro e prata.

Na sequência (1686), o primeiro café – e até hoje espaço famoso em Paris -, o Café Le Procope, foi fundado pelo italiano Francesco Procopio dei Coltelli. No início, nem chamava Café e vendia mais conhaque. Mas depois chegou a ser ponto de encontro para personagens como Rosseau, Diderot, Voltaire, La Fontaine e até Napoleão. O Le Procope faliu em 1874 e foi retomado em 1987. Sendo finalmente tombado em 1992 como monumento histórico de Paris.

Em Viena, mais uma vez foi um embaixador turco que disseminou o café entre os vienenses, também por volta de 1640. Servindo-lhes a bebida quente em suas recepções. Mas a história mais saborosa por lá deu-se em 1663. Quando os turcos cercaram Viena e um cidadão polonês, Franz Kolschiltsky, disfarçou- se e ultrapassou as linhas inimigas que cercavam a cidade. Graças a ele, informações puderam ser trocadas com o exército austríaco, que pouco depois forçou a retirada dos turcos.

O curioso é que, ao tomar contato com o inimigo, Franz experimentou o café e gostou, naturalmente. Com a debandada do exército turco derrotado, várias sacas de café ficaram abandonadas e ele solicitou o direito de ficar com elas. O que segue dessa história é uma loja de bebidas e a criação do café vienense – mistura de café com mel e creme de leite. Hoje há uma estátua para ele nas esquinas da Kolschitzkygasse com a Favoritengasse, na capital austríaca. Holanda, Escandinávia e Alemanha serão algumas de nossas próximas paradas para aquele velho e muito bom cafezinho.

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Texto: Emerson Castro

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