Digite no buscador do Google “escorredor de arroz”,lavar
e depois clique na opção “imagens” do menu. Irão
aparecer modelos de plástico coloridos e de silicone,
sem alça ou com duas alças, de inox, alumínio,
retráteis.

Escorredores de massa também, e outros
transformados em vasos, luminárias e diversos
objetos decorativos. Não é que o escorredor de arroz
com a função de escorredor esteja extinto.

Ainda não. Mas quase. Logo ele, que fez e faz par com o segundo cereal mais importante da Terra, cultivado em todos os continentes, à exceção da Antártida: o arroz.

Um utensílio utilizado bilhões, trilhões de vezes para lavar impurezas e, concluiu-se depois, acelerar o processo de cozimento e deixar o arroz até mais soltinho. Correntes de naturalistas e cientistas afirmam que essa mesma terra passa para o alimento quantidades potencialmente perigosas do cancerígeno arsênico, que é comumente empregado na esterilização do solo e na composição de certos inseticidas.

sociedade-da-mesa

De fato, várias frutas e leguminosas carregam um tanto do ácido, só que o arroz é o campeão da absorção. Deve-se, então, lavar. No entanto, outros grupos de estudiosos preconizam o contrário, porque na limpeza perde-se junto uma grande parcela de nutrientes essenciais.

A própria Organização para Alimentação e Agricultura, da ONU, ainda não saiu de cima do muro quanto ao assunto. Em relatório recente, afirma a necessidade de pesquisas mais profundas. E aconselha, por ora, a continuidade do processo de lavagem. A FDA americana tem igual opinião. Bem, talvez seja melhor seguir as recomendações, ainda que em praticamente todas as embalagens dos supermercados, esteja escrito “não precisa escolher nem lavar”.

Com toda certeza, tal polêmica não povoava a mente inquieta e criativa da cirurgiã-dentista Therezinha Beatriz Alves de Andrade Zorowich. Quando longe do consultório, essa paulista de Batatais assumia o papel de inventora nas horas vagas. Em um desses momentos de 1959, pensava na empregada que, de novo, deixara o ralo da pia entupir com grãos de arroz fugitivos. Parecia que não adiantava ficar repetindo “lava na bacia, escorre na peneira”. Isso não podia continuar. Daí veio a ideia. “E se tivesse alguns furos na lateral da  bacia para escoar a água?

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esssE se juntar os dois, bacia e peneira?” Então, ela e o marido, um engenheiro,  fecharam-se no quartinho de ferramentas da casa e fizeram um protótipo, usando papel-alumínio furado com prego e grampeado.

 

Dois recipientes acoplados, um com furos, outro sem. De madrugada, estavam lavando arroz. E estava criado o escorredor de arroz. A criação foi apresentada a algumas empresas e depois exposta na Feira de Utilidades Domésticas de 1962. O sucesso foi imediato. As primeiras e milhares de peças foram confeccionadas em plástico e vendidas no Brasil e no exterior, especialmente na América do Sul. Nos magazines do Centro de São Paulo, as donas de casa faziam fila para adquirir o revolucionário acessório.

Em 1964, já era item obrigatório nos lares brasileiros e fez a diferença pra muita gente na cozinha. A Dra. Therezinha recebeu royalties do seu invento até 1978, quando, pelas leis nacionais, expirou a patente. Nem por isso ela deixou de clinicar. Além de ter publicado 5 livros sobre saúde, trabalha ainda hoje na capital, aos 85 anos. Mas não abandonou o costume de bolar soluções para deixar a rotina doméstica mais fácil e a sua mente aguçada. Faca-chave de fenda.

Escova de dentes com cerdas diagonais. Abridor de garrafa PET que preserva o gás do refrigerante. Rodo com lixa integrada. De vitalidade e engenhosidade incansáveis essa mulher, a quarta inventora do Brasil e a sétima do mundo. Livre, leve, solta, e tão versátil quanto o arroz.

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