Ça va!

Sim, essas são as boas vindas para se referir a um país quase 17 vezes menor que o Brasil e, ao mesmo tempo, fomentador de grandes eventos históricos, importantes homens e monumentos. A França, símbolo da gastronomia, ao longo de sua história conquistou glórias culinárias e proporciona um cenário gastronômico enriquecedor.

A cozinha francesa inclui uma infinidade de pratos tradicionais, regionais e sofisticados, formando casamentos perfeitos entre produtos frescos da terra com as criações e refinamento de seus criadores, os cozinheiros. Eles foram os únicos na Europa a escolher, de maneira tão evidente, a busca sistemática da inovação. Os pratos geralmente são coloridos e saborosos.

Muitos tornaram-se populares em todo o mundo, como por exemplo os brioches, o cassoulet (também chamado de feijoada francesa, porém feita de feijões brancos), os croissants (pães de massa folhada que lembram a forma de meia lua), a baguette, a salada niçoise (batatas, vagem, atum e azeitona), os suflês, os omeletes, o tarte tartin (tortinha de maçã) e o famoso creme bruleé.

A refeição tradicional francesa inicia-se com um aperitivo e termina com um licor. Entre essas duas bebidas são introduzidos, no mínimo, três pratos. A entrada (Les entrées ou hors d´oeuvre) que inclui sopas, pratos à base de ovos, saladas ou charcuterie; os pratos principais (Les plats) que são peixes ou carnes em geral, acompanhados de um molho e guarnecidos por batatas, arroz, massas ou legumes. O queijo vem sempre antes
da sobremesa (Le dessert), que pode ser sorvete (à base de leite ou água), tortas ou pâtisserie. Essa maneira de servir é bem francesa e um costume que permaneceu presente durante séculos.

Isso ganhou muita importância no ano de 2010, quando foi reconhecido pela UNESCO como um Patrimônio Imaterial da Humanidade. É nessas refeições que acontecem os encontros familiares, de amigos e importantes celebrações da vida. Outra coisa bastante francesa é a figura do crítico culinário e o costume de permanecer horas em torno da mesa elaborando discursos sobre o que está exposto ou ali presente. Tal comportamento pode ser observado em diversos filmes franceses e obras literárias. Percebe-se também que a gastronomia sempre foi a parte central da cultura francesa, quase tão importante como respirar.

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Abaixo, algumas informações sobre as regiões e seus pratos.

• Normandia – Região do noroeste francês e também da pesca. Tendo o principal porto europeu para encontrar peixes e frutos do mar frescos, como linguado, vieiras, lagostas, mariscos e muitos outros. Além de ser uma região especializada na técnica de congelamento, defumação e, sobretudo, arenque.

• Bretanha – Famosa por apresentar uma vida simples de tradição camponesa. Nessa região há o cultivo de maçãs, leite e derivados. É famosa por seus crèpes, manteigas, creme de leite e também as cidras. (bebida alcoólica feita a partir do sumo fermentado da maçã). E calvados (destilado de maçã).

• Borgonha – É o coração da França, que vai do sul de Paris até Lyon. Os pratos borgonheses costumam ser ricos, à base de carne bovina, e o vinho tem papel importante para o preparo de muitas especialidades da região, como o famoso Boeuf Bourguignon (músculo marinado e cozido durante horas no vinho tinto).

• Toulouse – Sudoeste da França, cidade antiga de tijolos rosados, descrita como “cor de rosa ao amanhecer, vermelha ao meio-dia e lilás ao entardecer”. Lugar ideal para apreciar o já citado cassoulet, que, além do feijão branco, leva carne de porco, pato ou cordeiro, além de linguiça e paio. No sudoeste da França encontra-se também o foie gras, patê de fígado de ganso ou pato.

• Provença – Região sul da França, com influência da cozinha mediterrânea, composta de peixes e frutos do mar frescos, frutos, legumes e verduras em abundância. Os pratos são enriquecidos com ingredientes chaves, como óleo de oliva, alho, azeitonas verdes e ervas aromáticas. Algumas de suas principais iguarias são a tapenade (uma espécie de patê de azeitona, anchova e alcaparras), aioli (maionese de azeite de oliva e alho) e as ervas de Provence (mistura de ervas culinárias e secas utilizada como tempero de diversos pratos).

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• Vale do Ródano – Nessa região está localizada a cidade de Lyon. Conhecida mundialmente como centro da gastronomia. Apresenta uma das maiores concentrações de restaurantes por habitante. É também considerada o melhor lugar para se comer na França. Além disso, Lyon é a casa do pai da alta gastronomia francesa: Paul Bocuse, conhecido por estar há cerca de 50 anos indicado no Guia Michelin com a nota máxima de três estrelas. Em Lyon encontramos bastante os embutidos, miúdose o patê de crûte dentro de uma crosta de pão. Esse patê é feito de carne suína e envolto com gelatina de consommè (caldo de carne claro e translúcido). Para finalizar, uma sobremesa local bastante conhecida e de dar água na boca é a torta de amêndoa confeitada em açúcar cor de rosa (tarte aux pralines roses).

• Região Parisiense – É comum ouvir que a capital, Paris, não tem uma identidade gastronômica. Porém, existem muitos pratos, sopas e molhos que provam exatamente o contrário, como o pato ao molho de laranja, as baguettes, pralines e os formosos cafés das ruas de Paris.

• Alsace/Lorraine – Nordeste da França, próxima da Alemanha. Região das carnes suínas e das salsichas. Sua principal iguaria é a conhecida Quiche Lorraine, uma torta de queijo coberta com pedacinhos de toucinho. Uma delícia!

• Vale do Loire – Região dos castelos. Um lugar de muitas frutas e legumes, devido ao clima temperado. Criam-se muitas aves, como frango, galinha d´angola e pato, além de coelho, bezerro e porco. Há também uma grande variedade de peixes de água doce. Queijos de cabra e queijos de leite cru de vaca. Um prato típico dessa região é o gibier (carne de caça similar ao veado). O Vale do Loire tem grande importância para os franceses, pois além da gastronomia é rota de vinhos tintos, brancos e rosés. Normalmente são classificados como vinhos mais leves, de bastante frescor, vivacidade e elegância.

Texto: Priscila Urbano

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