A apresentadora de um programa de culinária sustentável dahandsfree
RAI, Lisa Casali, descobriu uma técnica que permite cozinhar na máquina de lavar louças. Ao colocar lá dentro os alimentos em potes de vidro ou  saquinhos selados a vácuo, é possível preparar sobremesas, guarnições e pratos mais elaborados.

Objetivo:gerar economia, usando a mesma água e energia nos dois processos, lavagem e cozimento. Não era bem isso que tinha em mente Josephine Cochrane, quando arregaçou as mangas e inventou a lavadora de louças.

Ela queria simplesmente proteger as suas finíssimas porcelanas das mãos nervosas dos empregados.
Mediu xícaras, pratos, travessas. E desenhou um equipamento rudimentar mas viável, com suporte para as louças, acionamento manual e uma caldeira de cobre contendo água e sabão misturados. Em 1886, Josephine registrou a patente; em 1893, faturou o primeiro prêmio na Exposição Mundial de Chicago; e, com a morte do marido, transformou a lava-louças em ganha-pão, de socialite virou empresária.

A engenhosa americana vendia modelos industriais para restaurantes e hotéis, os verdadeiros (e únicos) interessados. Embora não tenha chegado a presenciar e desfrutar da popularização do seu produto, que aconteceria só a partir dos anos 1950, com a produção em larga escala, foi ela quem lançou as sementes da
companhia que, mais tarde, se tornaria ninguém menos que a KitchenAid.

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Estava decretado o fim do quebra-pratos, e os upgrades vieram em ondas. O encanamento é acoplado ao  sistema do “dishwasher”. Surge a lavadora elétrica, que ajuda a impulsionar o uso doméstico. O utensílio ganha porta frontal para suporte de louças (frontload), que aumenta a ergonomia espacial interna. E depois, racks, dispenser, timer, sensores de rendimento, travas de segurança.Mesmo com tantas funcionalidades,
o brasileiro ainda prefere a pia: a penetração da lava-louças aqui é inferior a 2%, enquanto que na Alemanha
e nos EUA, atinge 80%. Isso só se explica por questões culturais, pois a lava-louças dá um banho de vantagens e oferece ótimo custo benefício.

Além de poupar tempo, detergente e as mãos, utiliza até seis vezes menos água do que a lavagem manual. Em uma família de 4 pessoas, isso representa a economia anual de 27 mil litros, ou 55 caixas d’água de 500 litros. A higienização é completa, garantida pela pressão, direção dos jatos e alta temperatura do enxágue,
que elimina sujeiras e microorganismos de uma forma impossível de se obter pelo método manual.

Ainda que contemos hoje com regulagens especiais para peças mais delicadas, há itens que é melhor evitar, como os metalizados, esmaltados, de cristal e teflon. Também, facas chef, tábuas de cortar, canecas térmicas e outros recipientes não fabricados para suportar o calor. Devolver tudo limpo, brilhante e seco após um grande almoço de domingo, é um avanço e tanto para quem, não há muito tempo atrás, lavava louça em lagos, rios e tonéis de água limpa.

Texto: Fábio Angelini

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