Durante a segunda metade do século XIX, os vinhedos da Europa foram devastados por três pragas: o oídio (Uncinula necátor), a filoxera (Dactylosphaera vitifoliae) e o mildiu (Plasmopara vitícola).

Geralmente os amantes do vinho prestam pouca atenção na viticultura, que é, aparentemente, a parte mais  sem graça do vinho. Mas aqui no clube estamos dispostos a nos aprofundar nos aspectos mais relevantes desta ciência. E levar o conhecimento ao associado de uma forma amena.

Vamos falar, em 3 artigos, sobre essas pragas que condicionaram, em grande medida, o cultivo nos últimos 150 anos. Porque o vinho não é somente glamour! Para conferir os artigos sobre a filoxera e o mildiu clique aqui e aqui.

Parasitas forasteiros

A origem do oídio, da filoxera e do mildiu está do outro lado do Atlântico. Lá, conviviam com as videiras de origem americana que haviam desenvolvido resistência a todos eles.

Mas os vinhedos europeus, ilhados e sem contato prévio com essas pragas, foram feridos primeiro pelo oídio, logo depois pela filoxera e, na sequência, pelo mildiu.

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O resultado daquela praga, que teve magnitude gigantesca, foi a queda da produção dos vinhos na Europa e uma crise que se prolongou durante anos, até que se encontrassem remédios.

Duas das pragas, o oídio e o mildiu, são do tipo criptogâmico, provocados por fungos que se reproduzem em ambientes úmidos e temperaturas suaves. O controle pode ser feito mediante tratamentos com produtos  químicos, como o enxofre para o oídio, e o sulfato de cobre para o mildiu.

Tanto um quanto outro causam danos às folhas e ao bago, o que provoca a redução da colheita, mas não mata a planta.

No caso da filoxera, pelo contrário, o inseto parasita ataca as raízes e provoca a morte da videira.

Mesmo existindo algumas condições naturais que freiam seu desenvolvimento (ambientes áridos e solos arenosos), não há tratamento químico ou natural contra ela, por isso a única solução é substituir os pés europeus por pés americanos.

Mais de 5 milhões de hectares de vinhedo tiveram de ser arrancados em toda a Europa, entre 1870 e 1930.

Oídio: o mais temido entre os parasitas dos vinhedos

Destes 3 parasitas do vinhedo, hoje em dia talvez seja o oídio o mais temido pelos viticultores. 

A razão disso é sua extrema virulência e a impossibilidade de recuperar os órgãos afetados, principalmente os bagos, uma vez iniciada a colonização. 

Mesmo que possa aparecer em qualquer órgão verde do vinhedo, o principal dano desta doença concentra-se no cacho

O fungo ocupa a pele do bago, cobrindo-o com um pó de cor chumbo, que vai clareando conforme a uva cresce.

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A primeira consequência, após o pó sobre as peles ficar branco, é a parada do crescimento da pele. Mas no interior da uva, tanto a polpa como as sementes continuam crescendo, o que causa uma pressão sobre a pele, fazendo com que ela se rompa.

Essas feridas não se produzem de modo isolado em alguns bagos. Seu aparecimento espalha-se por todo o cacho, o que supõe a perda do fruto, mas também  e principalmente constitui um importante foco de entrada de fungos e bactérias indesejáveis.

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Cacho de uvas com infecção grave de oídio (Foto/RW Emmett DEPI Victoria)

Quais condições contribuem para o desenvolvimento do oídio?

A temperatura, a umidade e, em menor proporção a insolação, são os fatores climáticos que condicionam o desenvolvimento do fungo.

A temperatura é o fator climático que tem mais influência no desenvolvimento da doença. 

Temperaturas próximas dos 15ºC começam a ser favoráveis a seu progresso e propagação, mas as temperaturas ideais para a doença estão entre os 25 e os 28ºC. Aos 35ºC, o desenvolvimento é detido, e a
partir de 40ºC não se desenvolve.

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A umidade ambiental também influencia o desenvolvimento da doença, mesmo que em menor proporção do que a temperatura.

E, ao contrário do que acontece com o mildiu, as chuvas abundantes freiam o desenvolvimento do fungo e o vento contribui para a sua propagação para as plantas próximas.

O oídio é, sem dúvida, a praga mais complexa de se enfrentar no vinhedo atualmente. Sua condição endêmica em algumas regiões produtoras obriga os viticultores a cuidados e controles constantes.

Texto: Alberto Pedrajo

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