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Na antiguidade europeia, o zimbro era considerado uma planta mágica. Imbatível para afugentar o demo e seus asseclas, além de ser usada para mascarar o odor de carnes passadas.

Hoje sabemos que o zimbro consiste no que se convencionou chamar de pinhas modificadas. Originárias de algumas das regiões mais frias da Europa. Elas são produzidas por diversas espécies de plantas do gênero Juniperus communis. (árvores arbustivas que têm tronco reto e folhas curtas e pontiagudas).
Os frutos do zimbro são bolinhas azuis ou pretas, às quais chamamos de bagas. Que têm sabor adocicado e são muito apreciadas, principalmente na elaboração de bebidas como genebra e gin. Além de serem usados como especiarias culinárias e também com finalidades medicinais.

E é justamente quando se fala em medicina que se esbarra na curiosa origem do gin. O pai da criança não era dono de destilaria. Mas sim médico e catedrático. Francisco de La Boe, da Faculdade de Leyden, próxima de Amsterdam, buscava uma alternativa de diurético de baixo custo, para utilização contra doenças renais, lá pelos idos do século XVII. Como medicamento, a coisa não decolou como esperado. Mas como beberagem, o gin criou fama e deitou na cama, ficando o bom doutor marcado para a posteridade não como médico, mas como o criador da bebida aromática mais conhecida do mundo, chamada Gin de La Boe.

Porém, foi na Inglaterra que a bebida ganhou popularidade. Com a participação dos soldados britânicos nas guerras holandesas. O destilado tornou-se conhecido e foi levado para as terras inglesas, onde teve sua produção aumentada.

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Porém, a fama sempre caminha de mãos dadas com a polêmica. O crescente consumo do gin começou a preocupar o Parlamento do país. Corria já o século XVIII e o gin inglês, com seu alto teor alcóolico, em torno de 40 a 50% de acordo com a marca, acabou tornando-se notório como uma “bebida muito forte”. A preocupação dos ministros com o aumento do alcoolismo entre os cidadãos veio a gerar o Gin Act, que estabeleceu novas regras e restrições de importação, além de punições pesadas aos contrabandistas. De uma hora para outra, o destilado viu-se perseguido pelas cruzadas da vigilância sanitária da época, nos mesmos moldes das campanhas antidrogas dos dias de hoje. Principalmente por conta de algumas destilarias que produziam a bebida de maneira artesanal no pior sentido possível, sem o menor cuidado ou higiene.

De todo modo, as restrições acabaram sendo positivas para a bebida. Com as licenças para produção tornando-se cada vez mais difíceis de se obter, uma espécie de “seleção natural” surgiu entre os produtores, que ficaram mais exigentes e criteriosos. Surgia, com a eliminação dos aromatizantes mais pronunciados e doces, o gin britânico, mais puro e neutro, que se popularizaria como o mais famoso do mundo. Tudo isso refletiu na qualidade do produto, que foi ficando mais puro e refinado com o tempo.

Hoje, o destilado é matéria-prima para inúmeros drinks refrescantes e conta com cultuadores fiéis em todo o mundo, além de diversas marcas de qualidade. Uma delas você conhecerá e terá o prazer de experimentar em uma de nossas seleções especiais de dezembro: além de nossos vinhos e espumantes, a seleção de fim de ano trará, pela primeira vez, um destilado, selecionado a dedo para você. Mais detalhes nas últimas páginas da nossa revista. Cheers!

Texto: Paulo Samá

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