“Eu devo ser meio coelho. Nunca me canso das minhas cenouras. ”

Pelas palavras da primeira e mais famosa coelhinha da Playboy, somos levados a crer que Marilyn Monroe era recatada, ao menos à mesa. Conservar aquela cinturinha de pilão, a beleza cintilante e a aura de sex symbol – mesmo com a breve carreira de uma década – deveria exigir uma disciplina equilibrada para o corpo, ainda que a sua vida amorosa fosse uma salada. Acontece que, para contracenar com quatro ou cinco cenouras cruas na travessa, a diva hollywoodiana também colocava bife, costeletas de porco ou fígado, assados no forno elétrico, todas as noites. Some like it hot. Quanto mais quente melhor.

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Sua dieta possuía algo de excêntrico, para não dizer camicase. No desjejum, comia dois ovos crus mergulhados em um copo de leite, seguidos de um comprimido multivitamínico. Não almoçava, com a justificativa de que a proteína matutina segurava a onda. Longe de atuar bem na cozinha, chegou a escrever uma receita bizarra de recheio para aves, composto por fígado, coração, uva passa, queijo parmesão, ovos cozidos, aipo, pimenta e outras coisas mais.

Outro hábito que Marilyn desenvolveu, com enorme tempero de autoindulgência: tomar um sundae com calda de chocolate ao fim do dia, no caminho de volta das aulas de teatro. O pecado morava ao lado, na sorveteria de Will Wright. Ou em qualquer vitrine que exibisse ou restaurante que servisse profiteroles, pelos quais ela nutria profunda paixão.

As estilosas bolinhas de massa choux, injetadas com creme de baunilha e cobertas por uma densa calda de chocolate, foram possivelmente criadas em 1540 por Popelini, o chef italiano da italiana Rainha de França, Caterina de Medici. O nome “profiterole” tem origem no latim “proficere”, alusivo à fazer progresso, ganhar, aproveitar. E Marilyn aproveitava mesmo, como pôde comprovar o fotógrafo David Bruce, em uma certa noite de 1960.

Ele teve a felicidade de registrar um jantar com os casais Arthur Milller e Marilyn Monroe, Yves Montand e Simone Signoret. À época, os quatro participavam das gravações de “Adorável Pecadora”. A lente pegou também uma bela taça de cristal com profiteroles até a boca. Doce fino, sim. Porém, uma bomba calórica, com alto índice de gordura saturada, a mãe do colesterol. Bombinha, aliás, é o nome que se dá por aqui à massa choux, que em francês quer dizer “repolho”. Tem a ver com o formato da guloseima chique.

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Parece um milagre que a atriz mais desejada de todos os tempos tenha mantido intacta sua silhueta. Fazia apenas 10 minutos de exercícios a cada 24 horas. Praticava mais Chanel Nº 5, Max Factor e Elizabeth Arden. Em compensação, lia muito, nos intervalos dos 30 filmes que rodou. Na biblioteca, mais de 400 livros. Dostoiévski, Bernard Shaw, Hemingway, Wolfe, Tolstói, Twain. Gostava de Beethoven, Mozart, Louis Armstrong, e de cantar “Happy Birthday”, o que fazia como ninguém. E o que provocou a maior saia justa já registrada na história dos presidentes americanos.

Marilyn não era nenhuma Meryl Streep. Órfã e gaga na infância, um tanto insegura, tinha dificuldade em decorar as falas. Tudo indica que a imagem vulgar, apesar dos escândalos sexuais, de loura burra e ingênua, não passam de mito. Quem a conheceu de verdade – a pessoa Norma Jeane Mortenson, não a midiática personagem – atesta sua sagacidade e seu senso de humor afiadíssimos, de uma ironia que os jornalistas não conseguiam apreender. Várias fontes bibliográficas indicam, inclusive, que o QI da beldade ultrapassava o de Einstein. Será que foi por isso que ambos se tornaram amigos íntimos?

Mas Marilyn foi genial como Marilyn Monroe, no encanto que inspirou gerações e influenciou o cinema. Mulher fatal, de olhos tristes e uma beleza atemporal. Que podemos contemplar até num mosaico inteiramente feito de balas jujubas coloridas. Que podemos brindar com seu drink predileto, o Manhattan.

 
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Receita de profiteroles
Rende 6 porções

INGREDIENTES

• 1/2 litro de água
• 150g de manteiga
• 300g de farinha de trigo
• 6 ovos inteiros
• 10g de sal
• 10g de açúcar
• açúcar de confeiteiro para polvilhar

Creme de Baunilha

• 8 gemas
• 60g de farinha de trigo
• 1/2 litro de leite
• 150g de açúcar
• 1 fava de baunilha

Ganache (Creme de Chocolate)

• 200ml de creme de leite fresco
• 200g de chocolate meio amargo picado
• Folhas de hortelã

MODO DE PREPARAR

• Leve ao fogo a água e a manteiga. Quando levantar fervura, acrescente a farinha aos poucos, mexendo sempre até desprender da panela.
• Leve a mistura à batedeira, colocando um ovo por vez, sem parar de bater. Por último, acrescente o sal e o açúcar.
• Utilize um saco de confeiteiro para dar forma aos profiteroles. Coloque-os numa assadeira antiaderente e leve ao forno preaquecido a 160º C, por aproximadamente 20 minutos.

Creme de Baunilha

• Bata as gemas com metade do açúcar até a mistura triplicar. Acrescente a farinha e bata por mais cinco minutos. Reserve.
• Ferva o leite com o restante do açúcar e a fava de baunilha. Acrescente 1/3 da mistura de gemas e eleve ao fogo novamente, colocando o restante da mistura aos poucos. Baixe o fogo, mexendo até o creme desprender do fundo da panela.

Ganache

• Leve o creme de leite ao fogo e, assim que ferver, acrescente o chocolate picado. Mexa até o chocolate derreter e a mistura ficar homogênea.

FINALIZAÇÃO

• Numa tigela, misture o creme de confeiteiro com o ganache.
• Retire a tampa dos profiteroles, recheie-os com o creme e cubra com a tampa. Polvilhe com o açúcar de confeiteiro e decore com as folhas de hortelã.

Texto: Fábio Angelini

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