A palavra Duero (Douro em português) evoca vinho, pois este rio, que nasce nos Picos de Urbión, na Espanha, e desemboca no Atlântico aos pés da majestosa cidade de Porto é, por méritos próprios, o rio do vinho. Um rio que deixa paisagens incríveis por onde passa. Uma gastronomia local rica e alguns dos melhores vinhos do mundo. Ribera del Duero (Espanha), Rueda (Espanha), Toro (Espanha), Douro (Portugal) e o vinho do Porto (Portugal), entre outros.

Nesta ocasião ficamos em Ribera del Duero. Uma das Denominações de Origem mais relevantes da Espanha e, sem dúvida, onde podemos encontrar alguns dos vinhos com mais caráter e personalidade da Península Ibérica.
A história de Ribera del Duero rio-duerotem andado paralela à do rio que leva seu nome. A união da vinha e do vinho, das cepas que marcam sua paisagem, a personalidade de seu povo e sua cultura.

Foi o rio que atraiu os primeiros viticultores. Foram encontradas referências vinícolas de 2 mil anos naquela zona. Um mosaico romano de 66 metros quadrados é considerado a maior e melhor conservada peça de toda a Península Ibérica. A obra foi descoberta em Baños de Valdearados (Burgos) durante a vindima de 1972. O personagem central desse mosaico é o deus Baco, que toma Ariadne com sua mão direita e com seu braço esquerdo abraça Ampelos, o sátiro. Um verdadeiro exemplo da relevância que esta região teve durante o império Romano.

Graças ao desenvolvimento de importantes núcleos de população na região, como San Esteban de Gormaz (Sória), Roa e Aranda de Duero (Burgos) ou Peñafiel (Valladolid) entre os séculos X e XI, o cultivo do vinhedo não somente se consolidou como também se estendeu. De modo ininterrupto, a vitivinicultura se desenvolveu. Passando a ser uma atividade relevante. Apareceram as primeiras bodegas escavadas no interior de alguns povoados, símbolo do valor da atividade na época. O vinho e os vinhedos converteram-se em parte fundamental do desenvolvimento cultural e econômico da Ribera. Tanto que se intensificou o comércio local e se iniciou a exportação para o resto de Castela. O vinho de Ribera del Duero foi considerado de qualidade e as possíveis fraudes foram perseguidas.

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Após a Idade Média, o vinho desta região, assim como de outras Denominações de Origem espanholas, viveu em uma montanha-russa de declives e expansões, por conta de guerras, legislações restritivas, migrações e pragas, que fizeram com que, durante séculos, o cultivo não se consolidasse. Foi só a partir de 1970 que o campo espanhol e a viticultura se expandiram e profissionalizaram.

A Denominação de Origem Ribera del Duero, tal como é conhecida hoje, surgiu após a iniciativa de alguns viticultores e bodegueiros. Preocupados em impulsionar vinhedos de qualidade. A primeira Acta que se encontra nos livros do Conselho Regulador data de 23 de julho de 1980. Data em que esse mesmo organismo atuava provisoriamente. Dois anos depois, em 21 de julho de 1982, o Ministério de Agricultura, Pesca e Alimentação concedeu a Ribera del Duero a Denominação de Origem e aprovou seu respectivo regulamento.

Desde então, novos métodos de cultivo, a introdução de tecnologia mais moderna para a elaboração do vinho, assim como os controles rigorosos aplicados pelo Conselho Regulador, têm feito da região o eixo de uma atividade econômica crescente. Um sinônimo de qualidade reconhecido ampla e internacionalmente.

Texto: Alberto Pedrajo

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