super-bowlCerca de 20 mil anos antes do engenheiro químico Earl Silas Tupper fundar a Tupperware Plastics Company, já existia uma tigela paleolítica de osso ou de pedra. Seu formato, imperfeito e irregular, lembrava a semiesfera que caracteriza um bowl moderno. Não o protótipo exposto pela Intel em 2014, no qual bastava depositar um smartphone para carregá-lo, sem a necessidade de fios ou tomadas. Estava mais para os recipientes de cerâmica do Neolítico, com pinturas elaboradas, mais para as pequenas cuias da Grécia clássica, outras cretenses e pré-colombianas.

De simples vasilha a verdadeira obra de arte trabalhada, a tigela foi concebida para ser confortável às mãos, aninhando-se entre elas quando empunhada. Servindo um ensopado ou creme, sorvidos sem a ajuda de talheres. Para colocar cereais com leite ou saladas de frutas, bowls pequenos e mais fundos no café da manhã; os maiores batem bolos, misturam muitos ingredientes ou até ostentam refeições. Caso do “donburi”, bowl cerâmico japonês reservado às refeições fartas, sendo as mais populares de arroz e lámen. Ou ainda, o donburi de frango e ovos mexidos (Oyakodon), o donburi de tempurá (Tendon) e ou donburi de carne bovina (Gyudon).

Motivada talvez pelas influências orientais, a culinária havaiana criou a sua própria delícia, o “poke bowl”. Originalmente, um bowl preenchido com carne crua (atum, salmão, polvo) e condimentos tradicionais, como sal marinho e algas. Outros temperos – molho de soja, óleo de gergelim, pimenta chilli – foram incorporados com o tempo.

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Tempo que pode valer ouro. De passagem por uma liquidação de garagem, certo casal de Nova Iorque adquiriu, por 3 dólares, uma tigela cheia de adornos interessantes. Anos depois, veio o estalo enquanto assistiam a um programa de antiguidades na TV. Consultaram especialistas e aí estava: a peça pertecera à dinastia Song. Um leilão da Sotheby’s definiu a martelada: 2.225.000 dólares. Uma ninharia, comparado aos 36 milhões de dólares desembolsados por um bilionário chinês em 2014: ele queria porque queria, a sua tigela de 500 anos da dinastia Ming. Felizmente, no comércio da sua área, você encontrará o precioso utensílio mais barato.

Mais rasos, para cremes mais pesados, mais profundos, para sopas. É sorvete? Os de plástico protegem a pele do gelado. É um prato assado, suflê ou crème brûlée? O ramekin, e as tigelas de vidro e cerâmica, conservam melhor a temperatura. Bolws pequenos, individuais e perfumados são um charme para os convidados lavarem os dedos, se vão comer com as mãos. Um petisco, salgadinho, sanduíche, canapé. Para as saladas, tigelas que enfeitam a mesa. Para líquidos, iogurtes e leite, a indicação é usar as fabricadas em porcelana, mais lisas, higiênicas e fáceis de lavar. Versatilidade, do aperitivo à sobremesa. Todos os tamanhos e materiais, de várias cores e estampas, à sua disposição.

Exceção feita às misteriosas e cantantes tigelas tibetanas. Segundo dizem, confeccionadas em até sete metais, inclusive o ouro. E emitem um som capaz de alterar o estado de consciência e a energia dos ambientes. Musicoterapia milenar, não devidamente estudada pelo mundo ocidental. Uma legítima e garantida, só em Katmandu, Nepal. Pra ninguém correr o risco de comprar um genérico de meia-tigela.

Texto: Fábio Angelini

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