Maracujá

É tão clichê quanto verdade dizer que a rotina cada vez mais agitada imposta pela sociedade em que estamos inseridos é um dos principais fatores causadores de estresse. Em meio a esse turbilhão de informações, é cada vez mais necessário nos utilizarmos de ferramentas externas para acalmar o corpo e a mente. Nesse assunto, a alimentação é sempre lembrada, tanto na hora de investir numa dieta equilibrada, quanto para buscar fontes de substâncias tranquilizantes. Nesse quesito, um dos primeiros alimentos que vem à mente é o maracujá.

Mas será que essa fruta, presente na dieta do brasileiro há tanto tempo, tem mesmo propriedades calmantes? De acordo com a nutricionista e engenheira de alimentos da Nutrein, Andrea Alterio, sim. “O maracujá é vastamente estudado e conhecidamente um calmante natural, devido a seus flavonóides e alcalóides. De suas folhas e dos ramos é extraída a passiflorina, um dos tipos de tranquilizante. As folhas, flores e frutos contêm outros fitoquímicos com ação farmacológica, como calmofilase e maracugina”, conta. De forma geral, o efeito calmante é conseguido por meio de uma infusão das folhas.

Para Renato Caleffi, chef executivo e sócio-proprietário do restaurante Le Manjue, o grande benefício do maracujá é ser um alimento natural e não possuir substâncias viciantes e nocivas como os medicamentos. Além de calmante, a fruta ainda pode ser usada em tratamento de dores de cabeça, asma e problemas respiratórios, como fonte de antioxidantes e fibras para tratamentos intestinais.

Outros alimentos que podem ser usados para se conseguir o efeito calmante do maracujá, segundo Caleffi, são a alface, camomila, melissa e abacate – por conterem vitamina B – e alimentos ricos em vitamina C, como frutas vermelhas e acerola.

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A alimentação, para Caleffi, é a grande chave para a prevenção do estresse. “Uma alimentação rica em produtos industrializados, alimentos sem vida e sem nutrientes necessários pode desencadear quadros de estresse. Por isso devemos garantir o equilíbrio alimentar”, pontua. Andrea, que atua em atendimento clínico e consultoria alimentar, explica o motivo: “O estresse não deve ser associado somente a fatores físicos, como trabalho extenuante ou emocional, mas também é associado à alimentação – talvez o fator preponderante. A falta de nutrientes e fitoquímicos leva ao desequilíbrio do metabolismo. Reações químicas deixam de acontecer, neurotransmissores param de ser fabricados adequadamente e estas reações começam a ocorrer de forma desequilibrada, gerando radicais livres.

Então, sem o consumo adequado de nutrientes que os combatam, acumulam–se os danos celulares. Este quadro leva o corpo ao chamado estresse oxidativo. E, ainda, como tentativa de reação do corpo, hormônios do estresse (cortisol, por exemplo) são liberados. Tudo por conta do desbalanceamento causado pela má alimentação”. Portanto, além de tirar proveito de todas as propriedades benéficas do maracujá e de suas folhas; é importante combiná-lo com outros alimentos capazes de prevenir o estresse.

Texto: Ana Carolina Almeida

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